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Reserva de emergências: você tem a sua?

A opinião do administrador Pedro Tostes

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Se você faz parte daquele grupo de pessoas que contam os dias para o próximo salário cair na conta porque não há mais dinheiro na carteira (o que dirá no banco) … já sabendo que mesmo assim ficará difícil honrar com todos os compromissos do mês … prepare-se, este artigo foi feito para o seu bolso!

Primeiramente eu quero deixar claro que, independente do cenário econômico-político conturbado (e não é de hoje) que o país enfrenta, nós, cidadãos, não podemos condicionar nossos hábitos de vida e, logicamente, nossas finanças a uma eterna esperança da misericórdia governamental. Sou muito crítico às ações que devem ser movidas pelos governantes para que os rumos da economia melhorem, mas de forma alguma posso reduzir meus sonhos sendo irresponsável e desleixado com o precioso dinheiro que obtenho fruto do meu trabalho.

Se não possuo ainda renda suficiente para atingir todos os meus objetivos, devo viver da maneira mais inteligente possível com aquilo que hoje disponho mensalmente e, exatamente por isso, com esta consciência e por acompanhar diariamente as ações político-econômicas que o país vive, que eu não elejo outra alternativa para minimizar as dificuldades que porventura possam surgir: faço, portanto, minha RESERVA DE EMERGÊNCIAS!

Para quem tem filhos, tal reserva se faz ainda mais importante, pois o orçamento doméstico cresce e com ele, as imprevisibilidades aumentam (e muito)! Não há como não dispor de um montante acumulado para os cenários em que os rendimentos venham a cair ou os gastos extrapolem momentaneamente o que estava sendo planejado. Pois bem, só há uma única coisa certa: imprevistos acontecem, mas estar preparado para enfrenta-los é sua obrigação, o que levará a tranquilidade para o seu dia-a-dia!

Portanto, antes de entrar propriamente no assunto sobre como, quanto e onde criar a sua Reserva de Emergências, vamos aos detalhes que são as verdadeiras portas de entrada para que ela possa existir! Citarei quatro boas práticas para aqueles(as) que querem tirar a corda do pescoço:

  • Ter controle sobre suas receitas (ganhos de dinheiro) e gastos (compromissos assumidos) – passo FUNDAMENTAL para detectar as falhas e as oportunidades em suas finanças;
  • Em situação de dívidas acumuladas, a ordem é reduzir alguns prazeres (supérfluos) temporariamente, a fim de dar espaço para reorganizar e diminuir suas contas;
  • “Consumismo”: procure se desvencilhar dessa ideia, sobretudo na forma de parcelamentos (são aqueles típicos gastos que você acha que não “ofendem” seu orçamento, afinal são “valores pequenininhos” – só que em 12, 24 … 60 meses, e que justamente por isso sorrateiramente destroem qualquer plano de salvação financeira!);
  • Poupar parte de seu salário antes de qualquer coisa – definitivamente, não caia mais naquela velha crença de que você irá poupar aquilo que “sobrar do seu salário”, pois dessa forma, você NUNCA terá reservas financeiras e tampouco irá atingir maturidade para fazer outros sonhos serem concretizados em sua vida!

Assim sendo, criar uma Reserva de Emergências nada mais é do que um dos principais destinos das suas economias, a ferramenta primordial que poderá garantir equilíbrio e motivação para a prosperidade de seus mais diversos objetivos de vida! Por isso, vários especialistas alertam sobre quão necessária é a Reserva de Emergências, e traduzo por experiência própria como a primeira escola de investimentos!

Antigamente tínhamos a Caderneta de Poupança como nossa grande aliada para juntarmos um dinheirinho aqui e outro ali. Mas, se você já se deparou com reportagens econômicas ou através dos textos já publicados por mim, sabe: a poupança não está sendo nada vantajosa, pelejando para superar até mesmo a petulante inflação e mais: a poupança só rende se o dinheiro ficar parado lá no banco por 30 dias (tirou antes disso, dançou, perdeu o rendimento)! Pegando esse gancho, muitos aqui já sabem qual é o mecanismo que recomendo para a formação dessa preciosa reserva: o Tesouro Direto! E por que recomendo ele? Simples: conheço seu funcionamento, portanto sei da sua eficiência e facilidade de acesso (e claro, rendendo mais do que a poupança) – para acessá-lo, basta apenas remover a âncora que muitos possuem, mais conhecida como “preguiça”. Se você ainda não sabe como investir no Tesouro Direto, meu primeiro texto publicado irá instruir você com um passo-a-passo (link de acesso: https://barbacenaonline.com.br/que-tal-parar-de-poupar-e-comecar-a-investir/ ). Além disso, as páginas na internet das boas corretoras de investimentos estão recheadas de vídeos absolutamente didáticos para você fazer maravilhas pelo seu dindim!

A partir da tabela abaixo, explicarei sinteticamente o melhor título do Tesouro Direto para você construir sua Reserva de Emergências e quanto aplicar, se liga aí:

TESOURO SELIC 2025
Rentabilidade (atual) Liquidez (resgate) Imposto de Renda Valor Mínimo (atual)
SELIC*: 6,5% a.a.

 

*representa a taxa básica de juros da economia e que é revista pelo Comitê de Política Monetária (COPOM) a cada 45 dias, ou seja, 8 vezes por ano.

1 (um) dia útil, ou seja, você solicita o resgate e o depósito é feito dentro desse prazo direto na sua conta na corretora de investimentos. 22,5% até 180 dias R$ 100,75
20% entre 181 a 360 dias
17,5% entre 361 a 720 dias
15% a partir de 721 dias

 

Detalhando mais cada um desses quatro pontos …

  1. Rentabilidade: nos patamares atuais, a rentabilidade do título TESOURO SELIC 2025 encontra-se em 6,5% ao ano, algo em torno de 0,52% ao mês. Mas, isso não quer dizer que ele só vai render ao final do ciclo 30 dias como acontece na poupança, o título rende todo dia um pouquinho (possui rentabilidade diária). A título de comparação, a Caderneta de Poupança fechou 2018 em 4,55% no ano, ou próximo de 0,37% mês a mês. “Mas a poupança não tem cobrança de Imposto de Renda e o Título tem, ainda assim é vantajoso?!” Com toda certeza, SIM, observe a tabela abaixo construída diretamente a partir do Simulador do Tesouro Direto que comparam os ganhos reais das duas aplicações (ou seja, já descontados os impostos no caso do Tesouro SELIC 2025):

Dados utilizados Aplicação Inicial R$ 1.000,00 / Aplicação Mensal: R$ 100,75 / Tempo de Aplicação: 12 meses

 

  1. Liquidez: tempo necessário para que o investimento no Título Público seja liquidado e transferido para a conta da corretora de investimentos que intermediou o resgate do valor equivalente;
  2. Imposto de Renda: decrescente, acompanhando a permanência que o investimento foi feito, quanto mais tempo o dinheiro aplicado ficar rendendo, menor será a alíquota de imposto de renda cobrada;
  3. Valor Mínimo: representa o menor valor que pode ser adquirido por um investidor desse Título, equivalente a 1% (ou 0,01) do valor total do mesmo, respeitando sempre esta proporção, ou seja: posso comprar 1%, 2% … 10%, 16% … 30%, mas não posso comprar “25,5%”, vai ser sempre de 1 em 1%, em outras palavras, “percentuais inteiros” do valor total do Título.

Automaticamente, algumas dúvidas podem surgir, como por exemplo:

  • “Não disponho de R$ 100,75 para investir todo mês, e aí, o que faço?!”

→ Se você possuir conta em um banco digital poupe em modalidades de investimentos com liquidez diária, caso da NuConta oferecida pelo NuBank, onde há opções de entrada a partir de R$ 20,00 por aplicação, tendo maior rentabilidade que a poupança (resumindo: pense 2019 vezes antes de deixar seu dinheiro na velha Caderneta!), mas se não tiver outro jeito, deposite, nesse estrito caso, na poupança mesmo, até você atingir o valor mínimo para aplicar no título público;

  • “Mas eu li que, no Tesouro Direto, o valor mínimo de aplicação é de R$ 30,00 … porque você está me dizendo hoje que o valor é de R$ 100,00?!

→ Existem vários títulos públicos dentro do programa do Tesouro Direto, que inclusive possuem aplicação, de fato, a partir de R$ 30,00 (como já comentei num outro texto publicado anteriormente), MAS, o TESOURO SELIC é o único título público que pode garantir que, em qualquer tempo que você queira resgatar os valores aplicados (mesmo antes do prazo de vencimento do título “2025”), você não sofrerá perdas de rentabilidade durante a recompra pelo Tesouro Nacional (momento do resgate) – trocando em miúdos: você sempre terá mais dinheiro do que o valor que o montante dos depósitos feitos. Nos demais títulos, existe a exposição aos valores de mercado à época do resgate, podendo ser favorável ou não, em razão das oscilações da economia, isto é, a total garantia da rentabilidade contratada somente ocorrerá em sua data de vencimento (modalidade muito interessante para quem pretende construir planos de aposentadoria, que não vem a ser o caso agora, porém que você pode conferir neste texto que divulguei (link de acesso: https://barbacenaonline.com.br/voce-a-melhor-pessoa-para-cuidar-do-seu-dinheiro-hoje-e-sempre/ );

  • Nota: durante os 10 (dez) primeiros dias, aproximadamente, de aplicação no Tesouro Direto existe uma pequena retração do valor que você depositou, o chamado “spread” (“diferença” entre o valor de compra e venda do título), MAS NÃO SE ASSUSTE, após este período seu título é corrigido e você passa a ter saldos positivos em sua carteira de investimentos.
  • “Minha renda não me obriga a fazer declaração de Imposto de Renda, mas quando eu começar a investir no Tesouro Direto eu serei obrigado(a) a declarar meus investimentos nos títulos públicos?”

→ É preciso separar dois conceitos aqui: dispensa e isenção. A dispensa é a não obrigatoriedade de prestar a declaração em determinado ano e a isenção é a não tributação de determinada fonte de renda. Por isso, deixo aqui mais uma informação: você só passa a ser obrigado(a) a declarar seus investimentos em títulos públicos se o seu patrimônio total (soma dos valores de imóveis, veículos e investimentos) ultrapassar R$ 300.000,000.

Vamos adiante … e ao ponto-chave deste artigo:

 

Qual é o valor ideal para a formação da minha reserva de emergências?

Resposta: SERIA O VALOR CORRESPONDENTE A 6 (SEIS) VEZES O SEU CUSTO DE VIDA!

Imagem: newtrade.com.br

Em termos práticos, esse valor representa o montante suficiente para você cobrir todas as suas despesas ao longo de seis meses. Segundo os mais renomados especialistas em economia familiar, como o autor de vários best-sellers no assunto, Prof. Gustavo Cerbasi, este “colchão financeiro” poderia sustentar seus hábitos de vida em caso de uma eventual perda de emprego (permitindo que você busque sua recolocação no mercado de trabalho sem desesperos), cobrir gastos mensais inesperados, aproveitar oportunidades de compras de bens que apresentem vantagens se pagos à vista, permitir  a realização de curso de aprimoramento profissional (podendo até mesmo, em alguns casos largar o emprego, caso seja necessário para realiza-lo) e, quem sabe, ousar em empreendimentos, na hipótese de querer traçar novos rumos de ganhos para a sua vida, trabalhando naquilo que você realmente sinta prazer.

Vale destacar outros dois pontos:

  • A Reserva de Emergências não deve servir de escora para hábitos indisciplinados, traduzidos como: descompromisso com seu orçamento doméstico diário, mensal e anual. A formação e manutenção dela devem ter grau de responsabilidade igual ou maior ao que você tem de pagar suas contas em dia, portanto, uma vez que ela é utilizada, deve ser recomposta no prazo mais curto possível!;
  • Por recomendação (tendo experiência própria) e pela leitura de vários artigos e livros na área, creio que algo entre 10 a 15% do seu salário líquido deva ser direcionado à formação desta reserva, mas se hoje isso não é possível por conta de dívidas ou gastos que sejam reconhecidamente impossíveis de se abrir mão, poupe aquilo que puder (mas não deixe de fazer isso, aumentando os depósitos gradativamente …) e, sempre que possível, utilize os ganhos extras que possam surgir para incrementar sua nobre reserva, acelerando seu processo de consolidação. Não pense no longo prazo (aposentadoria) se nem sequer seu presente tenha sido minimamente protegido! É aquela velha história, que também vale absolutamente para às finanças pessoais: é preciso viver o hoje com responsabilidade para degrau a degrau, garantir um futuro financeiramente estável e bem-sucedido!

Experimente não passar apertos, experimente poder contar com suas próprias reservas em momentos difíceis (e não ter que fazer dolorosos empréstimos), experimente viver a tranquilidade financeira rotineiramente: tenho certeza que todos estes fatores em conjunto darão a você estilo de vida mais condizente com sua renda (distante do consumismo desenfreado) e enfim, verificar seu crescimento patrimonial, isso motivará a busca pelo aprimoramento das suas capacidades técnicas, profissionais e de investimentos (porque automaticamente somos entusiasmados ao verificarmos resultados positivos, em qualquer área da nossa vida)!

E conte sempre com meu apoio para poder auxiliar e aconselhar em escolhas financeiras mais inteligentes, que impactarão seu bem-estar e consequentemente, no bem-estar das demais pessoas que se sentirão motivadas pelo seu próprio sucesso! Dúvidas, críticas e discussões são muito bem-vindas!

Fraterno abraço e obrigado por acompanharem cada nova edição! Até breve!

NOTA DA REDAÇÃO – Pedro Tostes Ribeiro é servidor público municipal de Barbacena; formado em Administração pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais – campus Barbacena; e pós-graduando em Gestão Pública Municipal pela Universidade Federal de São João del-Rei. Contato: pedro@tostes.org

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