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Você, a melhor pessoa para cuidar do seu dinheiro hoje e sempre!

A opinião do administrador Pedro Tostes

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Em nossa “última conversa”, eu havia lançado a possibilidade de você aplicar dinheiro para sua aposentadoria de forma prática, segura e mais rentável que muitos planos de previdência privada criados pelos grandes bancos. Na verdade, não há aqui nenhuma “reinvenção da roda”, trata-se de investir recursos no Tesouro Nacional através do Programa do Tesouro Direto (algo que comentei no primeiro texto que escrevi aqui para o Jornal Barbacena Online / Link de acesso: https://barbacenaonline.com.br/que-tal-parar-de-poupar-e-comecar-a-investir/).

Contudo, alerto também que exigirá comprometimento por parte do investidor: melhores resultados somente são possíveis com dedicação e abandono dos velhos hábitos ou, popularmente me expressando: abandono da preguiça! Os tradicionais produtos financeiros se apresentam absolutamente fáceis, dão pouco ou quase nenhum trabalho a você … e isso é bom pra quem?! Para os grandes bancos, que através de passos simples, lucram rios de dinheiro através do seu! Quer fazer mais por você mesmo?! Arregace as mangas e tire poucos minutos ao longo de cada mês para se presentear com um futuro mais líquido e certo financeiramente – renda extra, de verdade, para sua aposentadoria!

Muitas instituições financeiras apóiam-se na idéia de que, através da figura de um gestor financeiro, seus fundos de previdência serão distribuídos em títulos de renda fixa públicos e privados pré e/ou pós-fixados, de forma a maximizar os resultados. Será?! Vocês se lembram das pesadas taxas de carregamento e administração cobradas por estas mesmas instituições que comentei?! Pois é… difícil de acreditar nessa “maximização”!

As palavras anteriores em negrito assim estão de maneira proposital! É o que aconselho – uma reflexão aparentemente óbvia – mas que não é divulgada em massa e de forma didática em nosso cotidiano: se existem títulos públicos voltados para pessoas físicas sendo negociados e esses mesmos títulos estão disponíveis através do Programa do Tesouro Direto, então, EU MESMO(A) posso fazer minhas aplicações, sem que eu tenha que pagar a mais para que o banco faça isso por mim!

Então, vamos direto ao ponto, respondendo seis principais dúvidas que podem surgir ao decidirmos investir no Tesouro Nacional:

  • O que são títulos públicos?

Basicamente, é uma das formas que o Governo Federal tem de captar recursos para financiar os seus projetos nas mais diversas áreas da sociedade, bem como dispor de capital para honrar com seus compromissos financiados com outros credores. De modo simples, você estará emprestando dinheiro ao Governo Federal que, em troca, remunera este capital que você investe a uma taxa combinada, podendo ser pré-fixada (você sabe o quanto seu dinheiro vai render ao longo do tempo) ou pós-fixada (acompanhará o aumento ou redução de algum indicador econômico, por exemplo, inflação *IPCA* – que é precisamente, um dos fatores mais decisivos para se investir em aposentadoria – explicarei mais adiante o motivo disso na pergunta nº 4). Trata-se, portanto, de uma aplicação em Renda Fixa (nesta modalidade, o investimento tem regras de remuneração definidas no momento da aplicação).

 

É um investimento seguro?

O Tesouro Nacional tem a prerrogativa de imprimir papel-moeda no país, o que trocando em miúdos, significa que somente o Governo Federal mesmo num cenário econômico de crise poderá emitir moeda para remunerar os investimentos que você faz (ou ainda, os empréstimos que ele, Governo, tomou com você). Em outras palavras, o Tesouro Nacional seria o último ente financeiro a quebrar numa eventual e grave crise econômica. Portanto, SIM, é um investimento com grau de segurança bastante elevado!

 

  • Mas não há risco algum?

Existirá se não houver planejamento pessoal adequado, uma vez que caso o título seja resgatado prematuramente, os rendimentos poderão ser inferiores ao esperado;

 

  • Como investir?

Passo 1) Antes de tudo, você precisa ter uma conta-corrente ativa em uma instituição financeira (RELEMBRANDO: no primeiro texto, exaltei a facilidade da abertura de conta-corrente em um banco digital, bem como as vantagens oferecidas por eles. (Caso você queira ler ou reler a matéria, é só seguir o mesmo link de acesso que foi colocado no primeiro parágrafo deste texto). Será através desta instituição financeira que você irá fazer suas transferências de capital para a corretora (detalhamento no “Passo 2”) – através de TED eletrônica – e também receberá os rendimentos obtidos nas suas aplicações. Na maioria dos bancos digitais, não há cobrança envolvida para realizar essa operação. Então, fique esperto(a), faça mais para o bem do seu próprio bolso!

Passo 2) Abrir conta em uma corretora (ATENÇÃO: dê preferências às corretoras que isentam você de taxa de administração em aplicações de renda fixa, incluindo, Tesouro Direto!). Citarei algumas, mas não estou fazendo propaganda de nenhuma, apenas quero facilitar a busca dos leitores/usuários interessados – exemplos: BTG Pactual Digital, Rico, Easynvest, Toro Investimentos, Modal Mais, XP Investimentos, entre outras.

 

  • Dica: nas páginas de cada uma dessas corretoras há vídeos excelentes de como fazer esse passo a passo, instruindo os novos investidores e, ao mesmo tempo, eliminando a insegurança que momentaneamente pode ser criada entre os procedimentos que comentei acima.

 

  • Qual seria o Título Público ideal para a criação de um plano de aposentadoria?

Títulos Públicos atrelados à inflação (IPCA). A razão está no fato de que, o dinheiro que você aplica hoje, perde valor ao longo do tempo (ex: antigamente, comprávamos 10 pães com R$ 1,00; hoje em dia, talvez possamos comprar 3 ou 2 pães, e olhe lá!). Títulos Públicos que remuneram seus investidores acima da inflação (ou seja, inflação e ainda mais alguma porcentagem de rentabilidade) possibilitam a manutenção do poder de compra do seu dinheiro, garantindo que lá na frente, no momento da sua aposentadoria, ele possua valor real ajustado para a época de resgate. Hoje, o Tesouro Direto oferece três títulos públicos com remuneração atrelada à inflação que são muito úteis à criação de sua aposentadoria complementar, são eles: “Tesouro IPCA+ 2024”; “Tesouro IPCA+ 2035”e “Tesouro IPCA+ 2045” (veja o quadro abaixo):

*Valores dos títulos comercializados na data de 04/04/2019 (reajustados diariamente).

Fonte: Tesouro Nacional

 

Traduzindo as possíveis finalidades de cada um …

  • “Tesouro IPCA+ 2024”: rende inflação + 4,07% ao ano – para você investir neste título, o valor mínimo a ser aplicado corresponde a 2% (ou R$ 51,63) do Valor Unitário do Título (hoje fixado em R$ 2.581,63), sempre respeitando os valores múltiplos a este percentual, exemplo: R$ 103,26 / R$ 154,89 / R$ 206,52 / R$ 258,16 e assim por diante até os 100% do Valor Unitário;

>> Útil para quem pretende fazer reserva financeira reajustada à inflação, ou deseja formar montante para adquirir bens e/ou serviços nos próximos 5 anos (considerando a data de vencimento deste título);

 

  • “Tesouro IPCA+ 2035”: rende inflação + 4,47% ao ano – para você investir neste título, o valor mínimo a ser aplicado corresponde a 2% (ou R$ 31,66) do Valor Unitário do Título (hoje fixado em R$ 1.583,37), sempre respeitando os valores múltiplos a este percentual, exemplo: R$ 63,22 / R$ 94,98 / R$ 126,64 / R$ 158,33 e assim por diante até os 100% do Valor Unitário;

>> Útil para quem pretende fazer reserva financeira reajustada à inflação, ou deseja formar montante para adquirir bens e/ou serviços nos próximos 16 anos (considerando a data de vencimento deste título);

 

  • “Tesouro IPCA+ 2045”: rende inflação + 4,47% ao ano – para você investir neste título, o valor mínimo a ser aplicado corresponde a 1,18% (ou R$ 30,71) do Valor Unitário do Título (hoje fixado em R$ 2.581,63), sempre respeitando os valores múltiplos a este percentual, exemplo: R$ 61,42 / R$ 92,13 / R$ 122,84 / R$ 153,61 e assim por diante até os 100% do Valor Unitário.

>>Título público comercializado com objetivo de longo prazo, ou seja, um dos mais utilizados para planos de aposentadoria complementar ou para quem pretende fazer reserva financeira reajustada à inflação, ou ainda, deseja formar montante para adquirir bens e/ou serviços nos próximos 26 anos.

 

**data de vencimento do título: prazo final onde todo o capital aplicado mais a rentabilidade do período de acumulação retornará para sua conta-corrente da corretora.

 

  • Quanto investir?

Como o objetivo é a construção de um fundo de investimentos para a aposentadoria, irei focar especificamente nesta finalidade, mas quem decide o valor é você! No entanto, já antecipo: conforme observamos pela tabela acima, a partir de pouco mais que R$ 30,00 por aplicação, já é possível investir em títulos públicos.

Continuando …

Mas e aí, ao final de todo o período em que meu dinheiro ficou rendendo, como irei obter o meu “salário complementar de aposentadoria”?

SIMPLES: O valor total deverá ser reaplicado em uma modalidade de investimento de resgate simplificado e que resguarde você de riscos em sua aplicação. A título de exemplo temos, o Tesouro Selic (explicado no primeiro texto) ou, até mesmo, embora não seja a alternativa mais indicada, a velha Caderneta de Poupança (por conta de sua baixíssima remuneração mensal). Traduzindo: a totalidade do patrimônio formado ao longo de todo período de acumulação em um dos títulos públicos listados acima (seu montante), oferecerá a rentabilidade correspondente ao seu “salário complementar de aposentadoria”. Para que tudo fique mais claro, irei dar um exemplo prático, confira!


COMO MONTAR UM PLANO DE APOSENTADORIA COMPLEMENTAR UTILIZANDO O PROGRAMA TESOURO DIRETO:

Imagem: Instituto Coaching Financeiro

Já ficamos esclarecidos sobre as formas de acesso ao Programa do Tesouro Direto e que, ao procurarmos por títulos públicos para montar um plano de aposentadoria complementar, devemos buscar aqueles que atrelam sua rentabilidade à inflação. Dessa forma, e buscando sempre tornar essa leitura mais instrutiva, vamos utilizar o título público “Tesouro IPCA+ 2045” como exemplo, por meio do simulador do próprio Tesouro Nacional para fazermos os cálculos devidos. Neste exemplo, procurei formar reserva financeira suficiente que possibilitasse a construção de “salário complementar de aposentadoria” de R$ 998,00 (salário mínimo atual), ou seja, quanto eu teria que investir por mês em“Tesouro IPCA+ 2045” para obter uma renda mensal extra de R$ 998,00. Segue abaixo o detalhamento:

 

Interpretando a simulação acima:

Se aplicássemos R$ 212,17 todos os meses (o que seria algo equivalente a 7 cotas do valor mínimo do Título em questão “R$ 30,71”), até a data do resgate (15/05/2045 – 26 anos), obteríamos um montante de R$ 191.964,68 líquidos, ou seja, já retirados os custos de custódia na Bolsa (B3) e Imposto de Renda. O próximo passo para conquistarmos nosso “salário complementar de aposentadoria” de R$ 998,00 é reaplicar esse montante, por exemplo, em Tesouro SELIC, que mensalmente, rende algo em torno de 0,52%, percentual de juros este, que seria suficiente para retirarmos os R$ 998,00 como salário, sendo este valor pago pela rentabilidade do montante aplicado.

Mas por quanto tempo vou poder sacar este valor? INDETERMINADAMENTE! Esta rentabilidade só irá diminuir se você sacar mais que os R$ 998,00, do contrário, não haverá limite de tempo para você obter essa renda. Em contrapartida, como acontece com muitos dos fracos planos de previdência disponibilizados pelas grandes instituições financeiras, há um cruel prazo final para você sacar seu rico dinheirinho na forma de salário … É isso mesmo, você lá, firme e forte contribuindo por mais de 10, 15, 20 anos e, quando for retirar seus benefícios, estes, duram somente 5 anos, em alguns casos. PASMEM, isso existe!

O Pulo do Gato! Retomando o raciocínio do “Tesouro Direto IPCA +”, vem um outro ponto chave: neste cenário, é conveniente e oportuno que nossas aplicações mensais sejam corrigidas constantemente pelo mesmo índice que o Título Público adquirido remunera nosso montante já aplicado. Mas, por qual motivo? Assim como foi comentado anteriormente, hoje, com os R$ 998,00, você tem poder de compra para adquirir certa quantidade de bens e/ou serviços, no entanto, esses mesmos R$ 998,00 não irão comprar a mesma quantidade de bens e/ou serviços daqui a 20 ou 30 anos. Epa!! Ficou complicado agora, hein?! Calma, isso é tarefa simples e você só vai precisar fazer algumas continhas rápidas de tempos em tempos – trata-se do reajuste pelos índices de inflação que devem ser aplicados aos valores mensais que você deposita. Sugestão minha: faça isso a cada novo ano que se iniciar.

Exemplo: se você depositou aqueles R$ 212,17 ao longo de 2019, quando chegar no mês de janeiro de 2020, procure pesquisar o valor da inflação (IPCA) acumulada em 2019 e some essa variação ao valor anterior depositado mensalmente. Em números, ficaria assim: supondo que a inflação do ano anterior tenha sido de 5%, logo, o valor do novo aporte mensal no ano de 2020 seria de R$ 212,17 + 5%, o que corresponderia a R$ 222,77. Na prática, você estará criando volume de investimentos maior do que a simulação acima descreveu, pois naquele cenário, todos os seus depósitos se mantiveram constantes ao longo do tempo. Dessa forma, você estará sempre acompanhando a oscilação da economia brasileira, garantindo o poder de compra do seu dinheiro lá no futuro.

  • Dica bônus: se possível, utilize uma parte do seu 13º para impulsionar seus investimentos e acelerar o processo de crescimento do seu patrimônio!

“Ahh, mas eu não tenho condições de tirar R$ 212,17 do meu salário todo mês, minha situação financeira está apertada.” ABSOLUTAMENTE COMPREENSÍVEL. Salientei que os valores mínimos de aplicação dentro do Tesouro Direto estão próximos aos R$ 30,00 – contribua com aquilo que é possível dentro da sua realidade e comprometa-se a elevar suas aplicações ao longo do tempo.

Como sempre devemos ser críticos em nossas escolhas, principalmente se elas envolverem o suor do nosso trabalho (“dinheiro”). Proponho então, uma tarefa: vá até o seu banco e peça que seu (sua) gerente faça uma simulação de um plano de aposentadoria para você. Apresente qual seria o valor de depósito mensal que você poderia fazer, em quanto tempo você deseja se aposentar e por quanto tempo você poderia sacar seu benefício. Assim que forem feitas as simulações, vá para casa, munido(a) dos termos disponibilizados, simule nas mesmas condições as aplicações estimadas dentro do Simulador do Tesouro Direto e faça a comparação entre uma e outra – lembrando: observar o título correto (IPCA + 20XX) a ser aplicado de acordo com o tempo esperado pela aposentadoria. (Link de acesso ao Simulador: https://simulador.tesourodireto.com.br/index.html#/inicio)

Se possível, entre em contato comigo para as discussões dos resultados que você obteve (banco vs. Tesouro Direto) e esclarecimento de dúvidas, pois é do meu interesse conhecer ainda mais a realidade dos meus leitores interessados em alternativas à tradicional aposentadoria, esclarecendo as dúvidas que o mercado financeiro invariavelmente apresenta aos seus investidores. Terei o maior prazer em ajudar vocês através do conhecimento adquirido e das experiências vividas. Sim, eu já fui vítima da preguiça e engoli muito produto ruim em nome da “fantasiosa realidade”, mais conhecida como: “deixe que a gente vai cuidar direitinho do seu patrimônio”.

Abra o olho, pessoal – podemos pagar menos e obtermos mais!

Fraterno abraço! E até breve!

Vou deixar também uma sugestão de livro bastante pertinente ao tema que acabamos de discutir:

“ADEUS, APOSENTADORIA – Como garantir seu futuro sem depender dos outros” – Autor: Gustavo Cerbasi.

 

NOTA DA REDAÇÃO – Pedro Tostes Ribeiro é servidor público municipal de Barbacena; formado em Administração pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais – campus Barbacena; e pós-graduando em Gestão Pública Municipal pela Universidade Federal de São João del-Rei.

Contato: pedro@tostes.org

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