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Ciência não é gasto

A opinião de Delton Mendes Francelino

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Cresceu no Brasil, nos últimos meses principalmente, discursos de ódio contra a ciência e a educação. Não é incomum, em diversos ambientes, perceber pessoas afirmando que suas opiniões são mais relevantes que a ciência, ou que cientistas opinam, então, todos também têm direito de opinar e criticar qualquer assunto. Sem dúvidas, o direito de expressão é algo fundamental para qualquer democracia, todavia, existe uma diferença enorme entre meramente opinar, sem conhecimento de causa, e os saberes científicos.

A ciência não é construída a partir de “achismos”. É elaborada a partir da experimentação, da observação, de métodos que permitem afirmar verdades que sejam laicas, ou seja, que todas as pessoas, em qualquer parte do mundo, independente de crenças, etnias ou pressupostos ideológicos, possam acessar, de forma direta ou indireta. Além disso, embora muitas pessoas desconheçam, qualquer descoberta, ou inovação científica, é testada, organizada a partir de contextos e só após isso é promulgada para a sociedade.

São diversos os exemplos atuais de indivíduos que criticam o conhecimento científico e, se não bastasse, ainda oferecem saberes não comprovados, ou então totalmente misóginos, machistas, preconceituosos e segregadores. Na história da humanidade, isso aconteceu várias vezes, aliás, como durante a Segunda Guerra Mundial, com o fascismo, ou até mesmo nas décadas de 80 e 90, quando informações não científicas foram propagadas pelo mundo afirmando que o mundo acabaria nos anos 2000, ou que a Malária, a Cólera eram punições divinas a povos, como os africanos, ou a AIDS, como uma doença exclusiva de homossexuais.

Hoje, incrivelmente, temos no Governo Federal representantes públicos que defendem absurdos, como a Terra plana, a eliminação da sociologia e da filosofia dos currículos, aumento dos agrotóxicos, a homossexualidade como doença, o autismo como ausência de alimentação, terras indígenas como entrave para a economia, a evolução das espécies como uma mera opinião de Darwin. Fora tudo isso, crescem pseudociências, com metodologias subjetivas, nunca testadas, e que se baseiam em opiniões particulares. Destarte, veio, nos últimos dias, a noticia dos cortes orçamentários em importantes universidades públicas nacionais, laboratórios, museus, dentre tantos outros ambientes de ciência e educação.

É muito preocupante o que se vê no Brasil. Perturbador porque vemos pessoas de importância internacional praticamente lutando contra a ciência. Pessoas defendendo que ciência é opinião. Enquanto continuarmos a não investir na educação e no conhecimento científico, estaremos fadados às desgraças morais, éticas e sociais que sempre marcaram nosso povo. Ciência não é gasto, é investimento. Que nosso Governo Federal perceba isso urgentemente e pare de propagar falácias sobre tudo pelo qual o conhecimento científico lutou e ainda luta, no mundo todo.

NOTA DA REDAÇÃO – Delton Mendes Francelino é Diretor Internacional do Instituto Curupira (MG, SP e EUA); Professor Col. Graduação em Ciências Biológicas/ IF Sudeste Campus Barbacena/MG; Site: https://deltonmendes.wixsite.com/meioambiente; Coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana e Educação Ambiental Crítica do IF Sudeste, Campus Barbacena, MG; Palestrante e professor: Meio Ambiente/ Eco cultura/Permacultura/Ecoeducação; Contato cel/+whatsapp:(32) 9 8451 9914

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