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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Marido X esposa

    A crônica de Francisco Santana

    Toda relação conjugal tem suas desavenças. Às vezes elas são ao mesmo tempo temperos e soluções. Muitos detalhes minúsculos se transformam em estopins para verdadeiras guerras no lar. O que não pode é exceder e transformá-las em agressões físicas e psicológicas. Para ilustrar conversei com alguns maridos e esposas e percebam as motivações.  

    *** O meu marido é muito chato, reclama de tudo. O almoço nunca está do jeito que ele gosta. “O arroz está cru! O arroz está cozido demais! O café está forte! O café está uma água rala! O bife está mal passado! O bife está passado demais!” Eu o convidei para fazer o almoço uma vez e ele se calou. 

    *** Detesto quando meu marido usa o banheiro. Além de não usar a descarga, deixa o vaso respingado de urina. Sai ensopado do banho para se secar no quarto molhando o chão e deixa a toalha molhada sobre a cama.      

     *** Após o expediente do trabalho, meu marido costuma sair com os amigos para tomar umas e outras em barzinhos. Sempre chega em casa cantarolando e mascando cravo da índia para atenuar o bafo de álcool e cigarro. Aí ele pede uma comida rápida não podendo faltar ovo frito, bife, salada, arroz e feijão. E depois ainda pede baixinho no meu ouvido outro tipo de “comida”. Nem uma, nem outra!    

    *** Ricardo é um marido ausente. Durante a semana, reserva três dias para jogar futebol com os amigos. Não dá a mínima atenção para a esposa, só pensa nele e naquilo. Se considera o gostosão, só quer assistir televisão, ficar horas diante do computador ou do celular e acha que o lugar da mulher é no fogão e no tanque. Além de mal educado, é machista. Não gosta de sair comigo e quando sai, reclama da minha demora nas lojas, supermercados, farmácias e bancos. Filho da mãe!  

    ** Conceição! Daqui a pouco vai começar o jogo do Flamengo. Por favor, cozinhe umas moelas, frite a linguiça de lombo, uma porção de coração de galinha, coloque numa vasilha queijos, salaminho, azeitonas e não se esqueça de colocar na geladeira cinco cervejas Heineken – “Só isso, paxá? Tem certeza? Não quer que lhe sirva na boca também?” “Se o Flamengo ganhar, pode ser que eu aceite”.

    *** Apelidei minha esposa de GPS. Ela me liga de hora em hora só para saber onde estou. Por ela agir assim, já passei muitas vergonhas. Numa noite, eu estava num restaurante com amigos e o garçom sacana gritou: “Artur, sua esposa quer saber se você está aqui. O que eu respondo para ela?” Essa cena aconteceu várias vezes. Ela alega que precisa saber onde estou para caso de necessidade. Colegas disseram que me presentearão com uma tornozeleira eletrônica. 

    *** Minha esposa ralha com nossos filhos, olha para mim e diz: ”Eles estão assim porque você é um irresponsável e não soube educá-los”. Isso mexeu comigo. Fui dar uma bronca na meninada depois de uma bagunça generalizada e ela quase me bateu dizendo que quem educa é a mãe e que pai só serve para fazer filhos. Quem em sã consciência entende essa mulher? Cheguei à conclusão que não adianta lutar contra a natureza: mãe é mãe e sempre será. 

    *** Outro dia peguei minha esposa vasculhando os bolsos das minhas roupas, cheirando minhas camisas antes de lavá-las, revirando minhas gavetas, carteira e tentando adivinhar a senha do meu celular. Se ela descobre a senha, sou um homem morto. 

    *** Para evitar desavenças, parei de falar nomes de mulheres ou dizer se sicranas e beltranas são bonitas. Ela vira o demônio, pede explicações e choraminga dizendo que está sendo desvalorizada. Nada que eu faça serve para acalmá-la. Evito sair com ela na rua porque não posso olhar para os lados ou para trás porque ela diz que estou olhando para um rabo de saia que vem acompanhado de beliscões e o chamamento de tarado. Um pouquinho de ciúmes não faz mal a ninguém, mas o exagero a torna uma mulher neurótica. Que o adjetivo “neurótica” fique entre nós. 

    *** Minha esposa é muito extrovertida, aliás, extrovertida até demais. É do tipo “cheguei”. Eu me assusto quando ela se encontra com alguma pessoa do seu rol de amizades. Ela beija, abraça, beija novamente, fala alto, costuma esquecer os nomes das pessoas os chamando de coisinha e dá um show de saudações.   

    *** Quando vamos sair, minha esposa se arruma e pergunta: “Essa roupa está boa em mim? A maquiagem não está excessiva? Brincos e o batom estão combinando com a roupa? Devo usar sapatos de salto alto ou baixo?” Eu digo que ela está linda, perfumada e elegante.  Ela fecha a cara e resmunga: “Você está dizendo isso só para me agradar, basta olhar para sua cara para perceber”. Que maratona complicada!

    *** Só assisto televisão para noticiários, filmes e futebol. Por ser contra, ela solta o verbo me criticando e censurando o meu gosto. Eu sei que gosto não se discute, mas ela adora novelas, BBB, Faustão, Sílvio Santos e programas de fofoca.  Ao falar mal do meu futebol ela está ganhando um ferrenho inimigo.

    *** Só porque o marido da vizinha faz serviços de encanador, eletricista, motorista, carpinteiro, pedreiro, bombeiro e montador de móveis minha esposa acha que tenho que ser igual a ele. 

    *** Essa é terrível! Minha esposa sempre pergunta quantas mulheres eu namorei, quantas beijei e com quantas transei. São perguntas que sempre desconverso porque temo pela reação dela. 

    *** Santana, minha esposa tinha o hábito de ficar nua dentro de casa. Chamei sua atenção e ela passou a ficar de calcinha e sutiã. Chamei sua atenção e ela agora fica de calcinha, sem sutiã vestindo uma camisa minha de mangas compridas. Parei de reclamar. Por favor, Santana ao redigir o que estou lhe contando não publique o meu nome bem como meu endereço para evitar visitas.