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    Barbacena, MG Previsão completa
  • História de Nossa Terra: Irmã Paula Boisseau, uma vida dedicada ao próximo

    A rica francesa que abriu mão de seus bens para se dedicar aos trabalhos sociais no Brasil

    Por Silvério Ribeiro

     

    Catherine Amélia Boisseau, nascida em 9 de fevereiro de 1846, natural de Rochefoucauld, filha de Jean Baptiste Boisseau e Ane Marie Thereza Lacroix, menina abastada, descendente de uma família de construtores de órgãos em França, aos 24 anos de idade sentiu inclinação para a vida religiosa. A princípio a jovem pensara no Carmelo, porém, Deus a chamou a servir junto à Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo e, a 31 de maio de 1870, Catherine recebeu o hábito e o nome de Irmã Paula, quando começou a exercer o magistério em um colégio de Paris.

    Catherine desejava ardentemente trabalhar nas missões estrangeiras e foi enviada ao Brasil, onde, no cargo de enfermeira, permaneceu durante dez anos na Santa Casa do Rio de Janeiro, logo depois, por ocasião de uma epidemia de febre amarela em Mato Grosso, para aquelas paragens seguiu visando prestar os seus valorosos serviços.

    Em 6 de maio de 1888 celebrou-se um contrato entre a Santa Casa de Barbacena e a Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, convênio este firmado pelo Dr. Francisco Mendes Pimentel, então provedor da instituição. Na ocasião, a Irmã Chantrel, Superiora Geral e Visitadora das Filhas de São Vicente, nomeou a Irmã Paula Boisseau, Servente das Irmãs, para nesta cidade mineira dirigir os trabalhos de caridade.

    Catherine Amelia Boisseau – a Irmã Paula

     

    A Santa Casa de Barbacena, com toda a sorte de dificuldades para se manter, encontrou na bolsa generosa da Irmã Paula o apoio às suas necessidades e, em gratidão por todos os serviços prestados pela benemérita freira, a Mesa Administrativa da instituição quis dar à Enfermaria das Mulheres do hospital, em 1898, o nome de Irmã Paula. Catherine Amélia declinou da homenagem, solicitando que fosse transferida para o fundador da Companhia das Filhas da Caridade, São Vicente de Paulo e assim se fez. A modéstia sempre caracterizou a vida de Catherine.

    Irmã Paula, cuidando com muito amor dos pobres doentes, não deixou de lado a vocação de educadora e percebendo a gravidade do problema educacional da juventude feminina barbacenense àquela época, atende ao pedido do provedor da Santa Casa, organizando uma escola anexa ao prédio hospitalar, conseguindo de seus superiores em França, licença para executar o plano. O estabelecimento era um internato com número limitado de vagas, devido à escassez de espaço. A renda líquida do colégio, Irmã Paula a entregava aos cofres da Santa Casa.

     

    Primeira ala construída do Colégio Imaculada Conceição

     

    Catherine Amélia encontrou o apoio da valorosa Irmã Antoinette, Andrelina Lobo, uma dedicada pernambucana que chegara à Santa Casa de Barbacena em 1893, grande auxiliar na organização do futuro Colégio Imaculada Conceição. Irmã Paula havia adquirido a Chácara Boa Esperança que pertencera à viúva Olívia de Morais Brito, a Sinhá Goyano. Havia a necessidade de se criar ali um prédio que abrigasse o enorme número de meninas que no Imaculada Conceição eram matriculadas e, mais uma vez, às expensas de Paula Boisseau, que possuía recursos financeiros vultosos em herança de familiares em França, investiu no empreendimento. Inspirada pela arquitetura do Château de La Rochefoucauld, edificação existente em sua cidade natal, Irmã Paula construiu o suntuoso prédio do atual Colégio Imaculada Conceição de Barbacena, inaugurado em 8 de maio de 1900.

    O Colégio Imaculada, apenas iniciando modestamente suas atividades em 1895, ganhou fama pelo seu diferencial pedagógico. As matrículas aumentaram significativamente, encantadas as meninas com os ensinamentos de Irmã Paula, estes, baseados na virtude da amabilidade. Além do dia a dia escolar, aos domingos e dias santificados, a benemérita irmã falava às suas alunas e aos ouvintes que desejassem participar de sua prédica, com seu português afrancesado, terminava as suas palavras sempre com o refrão: “E sobretudo, tenham sempre amabilidade”.

    Chateâu de La Rochefoucauld, edificação em que Irmã Paula se inspirou para construir o Colégio Imaculada Conceição de Barbacena.

     

    Durante vinte e oito anos ininterruptos, Irmã Paula dirigiu os destinos da Santa Casa e do Colégio Imaculada Conceição em Barbacena. Em 1923, afastou-se das atividades administrativas das obras a que se dedicou por tantos anos, vindo a falecer em 28 de dezembro de 1926, aos 80 anos de idade. Catherine Amelia Boisseau foi sepultada no Cemitério da Boa Morte em Barbacena. O colégio que fundou permanece em atividade, sendo referência em toda a região na formação de crianças e jovens. O nome da benemérita irmã ficou eternizado na cidade mineira, desde que o logradouro que serve de acesso ao Colégio Imaculada Conceição recebeu a denominação de Avenida Irmã Paula.

    O Colégio Imaculada Conceição de Barbacena

     

    NOTA DA REDAÇÃO: Silvério Ribeiro é Pesquisador e Escritor.

     

    Fontes:

    Jornais:

    Jornal Pró-Memória – Ano 01 – Edição Extraordinária – Maio de 1995. Direção de Maria Gabriela de Andrada Serpa e Cláudia B. Oliveira. Coordenação: Antônio Vicente Feres.

    O Jornal – Ano 1928 – Edição 2954, pág. 8 – Artigo Intitulado: Irmã Paula Boisseau

    Livro:

    RIBEIRO, José Silvério. História Econômica do Município de Barbacena. 2012. Editora Cidade de Barbacena.

    Site:

    Do Colégio Imaculada Conceição: http://www.cic.g12.br/Noticias/LerNoticia/2279 Acesso em 28/05/2022.

     

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