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  • História de Nossa Terra II: O casebre e a capelinha do Campolide

    Por Silvério Ribeiro

    A necessidade de transferência da antiga capela em honra a Nossa Senhora da Piedade deu origem à construção da Igreja Matriz da futura Vila de Barbacena.

    O desbravamento das Minas Gerais se caracterizou por uma ocupação do espaço, autorizado primeiro por ordens régias concedida aos maiorais e, num segundo momento, fixando-se aventureiros em ranchos de palha para minerar ou negociar, plantando roça de milho e desenvolvendo criação de porcos e galinhas, com o viso de atender às necessidades básicas dos viajantes, constituindo a base de nossas municipalidades do Alto da Borda do Campo.

     Os casebres iniciais tinham por base a fixação em sua lateral de um cruzeiro e, em seguida, conforme as condições do proprietário, a construção de uma capelinha feita de taipa e teto de sapé em cujo altar se colocava pequena imagem do santo de devoção. No local, onde ainda hoje se chama Campolide, pouco distante da atual Colônia Rodrigo Silva, no sentido de quem vem de Barbacena, existiu um casebre, de origem obscura e anônima, próximo de um vau do rio das Mortes no Caminho Velho, onde se ergueu uma capelinha em honra a Nossa Senhora da Piedade.

    Assim se expressa o historiador Nestor Massena sobre o assunto:

     

    “Na modesta capelinha de taipa de sebe da encosta do Rio das Mortes, no lugar do Campolide, estava uma pequena imagem de Nossa Senhora da Piedade, em altar modestíssimo, que, entretanto, recebeu em 1726, a investidura paroquial, sendo bispo do Rio de Janeiro Dom Frei Antônio de Guadalupe. Como primeiro vigário empossou-se o padre Luiz Pereira da Silva”.

     

    O local, entretanto, era isolado, distante das fazendas, melhor situadas, que se formavam na região. Desde a construção da capela da Fazenda da Borda do Campo, também em honra a Nossa Senhora da Piedade, os moradores da região vinham pelejando para estabelecer um templo em espaço adequado para o culto em comum. A igrejinha do Campolide localizava-se num espaço obscuro, embora ali ficara definido, canonicamente, a sede da paróquia, o vigário se mudou para o Registro Velho, com sacrário e tudo o mais, amedrontado pelos assaltos de índios e quilombolas que já o tinham incomodado, conforme deixou registrado o historiador Nestor Massena.

    O lugarejo do Campolide não prosperou, diferente ao que acontecera a outras capelas da região que tiveram melhor destino já gozando de regalias paroquiais desde 1712, a exemplo de Santo Antônio da Vila de São José, Nossa Senhora da Conceição dos Prados, Conceição das Congonhas e Alagoa Dourada, filiadas à comarca eclesiástica de Nossa Senhora do Pilar da Vila de São João Del Rei. O local do Campolide ficou definido muito fora do rumo do Caminho Novo, o que justifica a sua decadência.

    O caminho do Rio de Janeiro, ou seja, o traçado do Caminho Novo àquela época, varava os terrenos da Fazenda do Passarinho e, vencendo as gargantas por onde hoje corre parte da linha férrea da Central do Brasil, afastava-se para os lados do Pau de Barba (atual rua Saldanha Marinho), descendo e costeando a colina em que se encontra hoje o centro da cidade de Barbacena, enveredando pelo fundo do vale (atual rua Sete de Setembro) até alcançar a entrada da Fazenda da Caveira de Baixo (atual sede da FHEMIG). Ali, caminho pegajoso, baixada repleta de atoleiros, (antigo Barro Preto), onde os animais de carga afundavam até a barriga, ou seja, espaço onde hoje existem as ruas Benjamin Constant e Henrique Diniz, tomava rumo o caminho no sentido da atual rua Sena Madureira, no Pontilhão.

    Em 1735, foi suspenso o culto na capelinha do Campolide devido ao seu precário estado de conservação. Os moradores da região, nos idos de 1743, solicitaram ao vigário da freguesia, o padre Manoel da Silva Lagoinha que pudessem construir novo templo que servisse de paróquia. A obra não poderia ser iniciada sem licença concedida pelo bispo, Dom Francisco João da Cruz, que a concedeu através de Provisão de Ereção, registrada no cartório eclesiástico daquela comarca, em 19 de novembro de 1743, ordenando ao vigário local que demarcasse o lugar para a nova igreja.

    O local demarcado pelo vigário Manoel da Silva Lagoinha foi uma chapada no alto em meio de um campo livre de pensão e foro, vizinho da fazenda chamada Caveira, de propriedade de Estevam dos Reis Mota e seu sócio e parente, José Pinto dos Reis, os quais, com o povo da região, se achavam presentes e consentiram com tal demarcação para a dita igreja e adro. O espaço destinado à construção do templo maior que seria sede da nova paróquia é justamente onde hoje está a Matriz de Nossa Senhora da Piedade, no coração da cidade de Barbacena.

    NOTA DA REDAÇÃO – Silvério Ribeiro é Pesquisador e Escritor

     

    Fontes:

    Massena, Nestor. A Terra e o Homem.

    Soares Ferreira, José Cypriano. A Primitiva Paróquia de Barbacena. Artigos publicados no Jornal Imprensa entre 1918-1936.

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