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Para as mulheres e para quem as ama

A crônica de Débora Ireno Dias

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Ao fazer uma limpeza na minha estante de livros e separar o que quero guardar, o que vai para doação, deparei-me com um – que agora não me lembro qual – que tinha uma folha solta, com um rabisco de texto escrito por mim. O tema: impressão corporal, como me vejo, como sou vista, o que veem. Algo assim. Não me lembro o ano que tentei escrever, mas vejo que as questões me rodeiam desde sempre.

Em 2018, escrevi sobre isso, sobre o meu não reconhecimento de mim mesma (!) ao ver tanto no virtual quanto no pessoal, fotos e fatos que não representam a maior parte “dos corpos” das brasileiras, inclusive eu!

Bom, segue o texto que comecei a rabiscar….Pena que não me lembro quando nem o porquê de tê-lo escrito…

O CORPO QUE HABITO

Temos presenciado no cotidiano a notícia de quantos têm ido embora devido aos excessos na busca pelo corpo perfeito. Anônimos e famosos que, não satisfeitos com a imagem refletida no espelho, acabam por se tornarem prisioneiros de um padrão de estética e beleza que não condiz com a vida real.

Esse sentido de “perfeição” tem atingido não só adultos, mas também adolescentes que, ao focarem astros da mídia, esquecem de si mesmos e buscam ser algo que não lhes é real. E quando não conseguem ter o corpo X igual ao fulano Y, sentem-se frustrados por não se enquadrarem num padrão imposto por uma indústria da “beleza”.

———– (aqui quebro o texto e tento recomeçar)—-

Diante de tantos acontecimentos presenciados e escutados ultimamente, senti-me no desejo de escrever algo sobre a busca exarcebada pelo corpo perfeito. Vivo num ambiente em que se anseia por uma perna/braço/abdômen mais definidos, um coração que bata mais forte, um pulmão que tenha mais fôlego. Eu mesma sou assim! Mas há aqueles que buscam apensa ser melhor do que ontem e outros que buscam a perfeição corporal.

E o que é corpo perfeito? Quem disse que cintura x, quadril y, tórax wy são padrões de beleza? Há certos parâmetros de medida usados pela Medicina para se calcular alguns índices, baseados em estudos e na realidade apresentada por cada pessoa. Porém, o que se vê são muitos aprisionados dentro de um padrão ditado não sei por quem e exigem-se cada vez mais de seus corpos. E muitas vezes, estas exigências não passam pela tríade “boa alimentação – exercícios físicos – disciplina de vida”. Às vezes, vai direito para uma intervenção cirúrgica, sem nenhum outro critério acerca do que pode ser melhor e mais adequado para se obter um físico “mais alinhado”, e isso pode não ter um final tão feliz…

Tenho muitos conhecidos que, diante de uma insatisfação pessoal e/ou uma necessidade de saúde, encaram a tríade acima descrita e alguma cirurgia corretiva. Todos passam bem, obrigada! E vivem uma vida saudável em amplo sentido. Porém, vejo outros que se entregam a malhação – dieta – remédios – cirurgias e mais alguma coisa de forma tão contundente, que a vida parece se resumir à busca pela perfeição. Tornam-se pessoas pesadas no sentido de que só sabem viver e falar sobre isso! Pessoas assim, me dão preguiça!

Penso que é preciso viver a vida com leveza! Mesmo que seja preciso pegar uns pesos a mais – ou a menos, correr ou pedalar uns quilômetros a mais – ou a menos, ingerir algo a menos – ou a mais, dependendo da meta saudavelmente planejada. Mas tudo precisa ser feito com leveza no pensamento e no sentimento. Senão, pode-se até obter um físico desejadamente lindo, mas a alma estará pesada e sem vida. Acredito que não vale a pena ser assim!

Por Débora Ireno Dias

Iniciado talvez em 2013 e terminado em 7 de janeiro de 2019.

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