Por Denise Gasparini
Há algumas semanas, minha sobrinha, no alto dos seus 8 anos de idade, chegou perto de mim em um momento daqueles: sabe quando parece que todas as tarefas precisam ser realizadas ao mesmo tempo, pois o prazo final chegou; e me perguntou se eu poderia levá-la ao Jubilelson. Eu não entendi bem, na verdade acho que nem pensei muito a respeito, atônita no meio dos meus afazeres. Apenas respondi, no automático, que se fosse possível a levaria sim e o episódio se esvaiu na minha mente. Esqueci do assunto e vida, e tarefas, que seguem.
No último final de semana, entretanto, o assunto voltou a circular. e ela, cheia de razão, veio saber se seria possível eu levá-la ao Jubilelson, afinal ele já tinha começado e estava a todo vapor. Até a coleguinha da escolha já tinha ido até lá, e ela queria ir também. O momento anterior de questionamento sobre o Jubilelson, que estava totalmente apagado, voltou à minha memória como um raio, e só então eu descobri que não tinha a menor ideia sobre onde ela queria ir.
Mas não demorou muito pra eu entender que o tal Jubilelson era a festa do Jubileu de São José Operário, descrito por ela como “aquele lugar cheio de parquinho e barraquinha pra comer churrasquinho e churros” e que acontecia “lá pertinho do seu (no caso, meu) trabalho”. A palavra Jubileu, que significa a comemoração de um fato importante, geralmente aos 50 anos do acontecido, ou no dicionário religioso tempo de concessão de perdão, graça e renovação, eu entendia bem de onde vinha: do termo hebraico yobhel, que significa “trombeta de carneiro” em referência a um instrumento desse material usado desde os tempos do antigo testamento para fazer o anúncio do início de uma ano festivo e sagrado repetido a cada cinco décadas. Já o termo Jubilelson…
O convite da pequena, entretanto, virou motivo da curiosidade sobre o Jubileu de São José Operário, celebrado, em Barbacena, durante cerca de uma semana nos entornos da Basílica em homenagem ao santo nos dias próximos à data de louvor ao seu padroeiro: primeiro de maio. A Basílica, aliás, merece um ensaio à parte, dada sua magnitude e beleza. Em breve, providencio isso. E a festa, ela se repete anualmente desde a década de 60, manifestando o legado da devoção católica e da tradição popular, além das práticas do comércio de rua e das interações sociais típicas do momento. Sem contar a parte da degustação das iguarias típicas que, confesso, tornou-se a minha favorita.
Enquanto a Basílica recebe devotos de todas as partes para as missas, novenas, adorações ao Santíssimo, confissões e toda sorte de eventos religiosos, o movimento nas redondezas é impressionante, e democrático: adultos, jovens e crianças percorrem as ruas, e as inúmeras barracas, onde é possível encontrar desde as famosas meias (meia dúzia por dez reais) até panelas, brinquedos, roupas de verão e inverno e, claro, os quitutes.
Como boa tia que sou, levei a sobrinha ao Jubileu (ou Jubilelson para ela), metade por vontade dela, a outra metade por vontade própria, decidida a viver todas as experiências possíveis por lá. Comprei itens para a casa, algumas peças de vestuário, um brinquedinho para a criança e decidi me jogar sem medo na gastronomia da festa, sem me importar com o porvir da balança… a partir de dois de maio, a dieta que lute!
As iguarias da tradicional comida de rua estão todas presentes na festividade: churrasquinho, pipoca, feijão tropeiro, pastel, batatas fritas, cachorro quente, hambúrguer, milho cozido, cocada, maçã do amor, frutas cobertas com chocolate e os precisos churros que formavam a fila de compradores em frente às barracas. Caso eu tenha esquecido de alguma delícia, caro leitor, lembre-me de apreciá-la na próxima festa, pois, para nossa sorte, Jubileu tem todo ano… Difícil mesmo é provar todas as gostosuras em um só dia, o que se torna um delicioso convite para mais uma visita… e mais uma… e talvez mais outra…
Para todas as idades, a diversão é garantida. Para a cidade, o legado se mantém renovado a cada ano. E para mim e minha família, no final das contas, o Jubilelson da nossa pequena, fruto da mistura da informação com a imaginação, tornou-se memória afetiva, observado pelo olhar de ingenuidade e encantamento. Os festejos, onde a fé divide espaço com o riso e a herança se mistura ao delicioso aroma de churros e churrasquinho, remete a um novo anúncio, diferente daquele feito pelas trombetas antigas: declara, que seja Jubileu ou Jubilelson, toda Barbacena é capaz de se unir, de celebrar junto e perceber que o presente e futuro se constroem nas bases sólidas da heranças, com o nome que for…
NOTA DA REDAÇÃO: Denise Gasparini (@denise.gasparini.bq) é mãe, filha, irmã, tia, professora do Núcleo de Letras do Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais – Campus Barbacena e barbacenense em formação.










