[vc_row][vc_column][vc_column_text]Costumo escrever sobre Portugal, mas hoje a crônica é sobre o Egito.
Sempre quis conhecer aquele país. Nos livros de história, quando menino, ficava admirado com as pirâmides, imaginando como seria vê-las de perto. Para mim, à época, era como imaginar se um dia iria à Saturno.

Fui lá semana passada. Não a Saturno ainda, mas ao Egito.
Desci no Cairo, mas fui também a Aswan, Abu Simbel, Kom Ombo, Edfu, Luxor e Alexandria, cada um desses locais merecendo uma abordagem especial, pelo impacto que me causaram ao longo do Rio Nilo, diante do Mediterrâneo e pelos templos gigantescos.
Cairo dá a dimensão do que é o Egito de hoje. É uma cidade enorme, com mais de vinte milhões de habitantes. É tudo vibrante, poluído, empoeirado, quente e seco.
O trânsito é caótico (para nós) e os motoristas buzinam o tempo todo. Eles não se estressam, parecem ter uma paciência infinita, quase todos navegando no celular como se estivessem no sofá.
Vi dois acidentes sem maior gravidade em todos os dias que rodei por lá, mas raro é ver um veículo inteiro. Noventa e nove por cento estão arranhados, amassados, sem para-choque ou com as lanternas quebradas. A aproximação entre os veículos é tanta que tive a impressão que queriam carona no carro em que eu estava.

São milhares os tuc-tucs, muitas vezes conduzidos por verdadeiras crianças, todos levando passageiros como sardinhas em lata, alguns em plena contramão. Incontáveis motocicletas atreladas a pequenas carrocerias levam de tudo, inclusive gente. Capacete deve ser proibido, nem a polícia usa.
Foi impossível não notar, logo à chegada, o contraste entre a modernidade e a tradição, a riqueza e a pobreza, o caos e a calma.
Pedestres de túnicas e burcas se arriscam circulando entre os carros. Quase não há sinal de trânsito ou faixa de pedestre.
Chamam a atenção os monumentos absurdamente grandes, todos juntos e misturados à confusão urbana e aos prédios descascados.
Não sei se todo mundo experimentaria o que eu senti quando vi pela primeira vez as pirâmides de Gizé. Ainda bem que não fotografaram a minha cara quando olhava as únicas maravilhas do mundo antigo ainda de pé.
Nem todo mundo vai, mas eu entrei na pirâmide de Quéops. Subi ate à câmara funerária, uma experiência aflitiva. É tudo meio escuro, quente, estreito e claustrofóbico. O teto baixo me obrigou a engatinhar alguns metros para chegar à tumba vazia do Faraó. Descer exigiu ainda mais esforço. As roupas molhadas de suor e a cara transparente denunciavam que abusei da sorte. As pernas doeram forte três dias e passei a odiar escadas.

À noite, no espetáculo de luzes e história nas pirâmides, o deslumbre continuava enquanto tudo ficava colorido durante a narração que explicava muito do que precisamos saber sobre os faraós que as construíram, seus feitos e seus deuses prediletos.
Ninguém me perguntou, mas sou fã de Toth, o deus da Sabedoria, também chamado Hermes Trismegisto. É o mesmo Hermes dos Gregos e Mercúrio dos Romanos. Aquela figura com cabeça de Ísis sempre esteve na minha cabeça. No sentido figurado.
O Museu do Cairo demanda muitos dias de visitação. São milhares de peças expostas com suntuosidade: múmias, sarcófagos, estátuas, joias e tudo quanto é objeto de uso rotineiro, coisas com quase cinco mil anos.
Fiquei no museu por algumas horas, mas fica o registro sobre o tesouro de Tutancâmon, o faraó-menino morto aos 19 anos e sepultado com mais de cinco mil peças de seu tesouro. Estavam ali, bem à minha frente, o sarcófago, a máscara funerária, os tronos, tudo encontrado intacto em sua tumba no Vale dos Reis.
O Egito tem um artesanato colorido e diversificado, vendido em lojas, tendas ou nas ruas, em mercados abertos, onde insistentes vendedores ficam atrás dos turistas mostrando uma imensidão de opções originais ou fabricadas na China mesmo.
São extremamente populares as imagens feitas do deus da mumificação, Anúbis, representado por um homem com cabeça de chacal ou por um chacal inteiro mesmo.

Vale uma visita à fábrica de papiro, onde nos ensinam como eles são feitos a partir da planta. Não deixa de ser emocionante ver como alguns conseguem ler frases em heróglifos. Pelo menos pareciam ler. Eu acreditei, já que não tenho a menor ideia de como aqueles desenhos misturados podem ser um alfabeto.
Visitas que valem a pena são às fábricas de essências, chás, tecidos e artefatos de alabastro, granito e basalto. São famílias que trabalham com esses recursos há muitas gerações. Todos os processos de fabricação são explicados, mas não posso dizer que aprendi alguma coisa.
Como é óbvio, não dá para ir nesses lugares e comer sanduíche. A culinária do Egito é rica, tem sabores e cheiros bem diferentes do que estamos acostumados no Ocidente, lembrando a comida libanesa que a mim é mais próxima.
Uma viagem ao Egito pode tomar muitas páginas.

É um local que nos ensina muito sobre a vida e suas nuances, através de uma riqueza histórica e cultural única, da beleza dos eternos monumentos e da simpatia e gentileza das pessoas.
Os contrastes sociais confundem, mesmo a nós, brasileiros. O tipo de governança e as tradições religiosas são diferentes do nosso modo de ver as coisas, mesmo sendo o país relativamente mais liberal nos costumes que alguns de seus vizinhos.
É um local que vive entre o passado e o presente, a glória e a dificuldade, a fé e a adversidade, o luxo dos monumentos e os prédios e casas danificados.
Não tem como continuar vendo o mundo com os mesmos olhos depois de passar pelo Egito. Recomendo a visita pelo menos uma vez na vida, para ver uma gente que, mesmo muito pobre, acolhe com sorrisos e abraços e pensa muito diferente de nós.
Não digo que o faça cinco vezes ao dia, mas oro para que discrepâncias sociais tão evidentes sejam um dia resolvidas e que os governantes dos países onde reinam tamanhas desigualdades – como o nosso – aprendam a lidar com isto e permitam que uma saudável migração social aconteça.
Todos merecem o Rei Sol, tão forte no Egito como no Brasil, mas todos precisam muito da Sombra. E que fique lá na época dos Faraós o tempo em que os líderes eram Deuses, os Nobres tinham privilégios e o povo não tinha nem direitos.
NOTA DA REDAÇÃO: Jairo Attademo mora em Portugal, é de Barbacena e foi fundador da FM Sucesso, onde apresenta diariamente o boletim internacional de notícias para o Contato Direto. Tem também um programa às sextas-feiras na FM Sucesso sobre a música portuguesa moderna.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]
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