A estrutura de acessibilidade destinada às pessoas com deficiência (PCDs) durante a ExpoAgro 2026, no Parque de Exposições de Barbacena, passou a ser alvo de críticas e debates nas redes sociais. As manifestações ganharam repercussão após a barbacenense Flávia Guilarducci utilizar suas plataformas digitais para relatar dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência durante os shows do evento.
Entre os principais pontos levantados estão a distância da área reservada aos PCDs em relação ao palco, a dificuldade de visualização da intérprete de Libras e obstáculos estruturais que prejudicam a experiência do público cadeirante e de pessoas com baixa visão. Segundo o relato publicado, o espaço destinado aos PCDs foi montado em uma área elevada, porém grades de proteção acabam comprometendo a visibilidade para quem utiliza cadeira de rodas. Outro problema citado foi a localização da intérprete de Libras, que não é vista adequadamente por pessoas posicionadas no setor reservado.
Também foram mencionadas dificuldades de acesso aos banheiros e à circulação dentro do parque. Para Flávia, é necessário que os organizadores escutem diretamente a população PCD para compreender as limitações enfrentadas no dia a dia. Em sua publicação, ela chegou a convidar os responsáveis pela organização do evento para assistirem a um show a partir do espaço reservado às pessoas com deficiência, como forma de demonstrar na prática os problemas apontados.
O debate também reacendeu discussões sobre legislação e inclusão. Em Barbacena, o vereador Donizete Medeiros é autor de uma lei, de 2022, prevendo garantia de espaço reservado para pessoas com deficiência em eventos, assegurando também o direito de permanência de um acompanhante. Especialistas e representantes da causa reforçam que acessibilidade não deve ser tratada apenas como cumprimento formal de exigências legais. A legislação brasileira, por meio da Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), determina que espaços públicos e eventos ofereçam condições adequadas de acesso, mobilidade, autonomia e participação plena às pessoas com deficiência.
A discussão levantada durante a ExpoAgro amplia um tema que vai além da estrutura física do evento. Para integrantes da comunidade PCD, inclusão verdadeira depende de planejamento eficiente, diálogo com os usuários e garantia de participação digna em igualdade de condições com os demais frequentadores.










