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  • Contra-Ataque: Uma nova realidade?

    Sérgio Monteiro

     

    Uma nova realidade?

     

    O primeiro confronto entre América e Cruzeiro, válido pela semifinal do Campeonato Mineiro, no domingo passado, não terminou com o apito do juiz. Aliás, nem mesmo se ateve apenas ao campo de jogo. Nas quatro linhas, o Coelho venceu de virada e ampliou a vantagem que já tinha, deixando a missão celeste muito difícil para o próximo final de semana. O clima esquentou mesmo foi nos vestiários, onde as delegações se estranharam e só não houve ocorrências maiores porque os seguranças agiram a tempo.

    Pra completar, o técnico Lisca, do América, aproveitou a entrevista pós-jogo parta alfinetar o rival. Entre as frases de efeito utilizadas, o treinador afirmou que existe uma nova realidade no futebol mineiro, em clara alusão ao fato de América e Atlético serem os únicos times do Estado na Série A do Brasileirão. O Cruzeiro, como todos sabem, convive com o amargor da segundona desde a temporada passada.

    Independente de estar certo ou não, Lisca toca em uma ferida aberta do torcedor celeste. Não só do torcedor, mas também dos jogadores, comissão técnica e diretoria da Raposa. Não à toa, Marcelo Moreno já respondeu dizendo que ‘vai ter volta’. De fato, o confronto valendo vaga na decisão, ainda não está decidido, embora seja inegável que a vantagem americana é bem confortável. Para chegar à final, o Cruzeiro precisa vencer o América por pelo menos dois gols de diferença no segundo duelo, no Independência.

    É justo o treinador americano chamar os holofotes para o seu trabalho. Realmente, o Coelho vem muito bem desde a última temporada. Além de garantir o retorno à elite do futebol brasileiro, chegou, de forma inédita, à semifinal da Copa do Brasil, deixando para trás adversários da primeira prateleira, como Corinthians e Internacional. Mas isso não diminui o tamanho do Cruzeiro.

    É preciso ter muita calma nessa hora. A euforia pela vitória – a segunda no ano e a terceira nos cinco últimos duelos – e o clima quente que tomou conta das duas equipes ao término do jogo de domingo até justificam a declaração de Lisca. Mas o retrato atual do futebol mineiro não reflete com exatidão a história de mais de cem anos. No passado, o América foi o grande adversário do Atlético em terras mineiras, mas os títulos conquistados da década de 60 para cá e o consequente crescimento da torcida cruzeirense nesse mesmo período, elevaram a Raposa ao posto de maior rival do Galo.

    A declaração de Lisca, porém, não é uma falácia qualquer. Pelo contrário: deve soar na diretoria celeste como um sinal de alerta e não apenas como uma provocação barata. De fato, o time precisa reagir à pior crise financeira, política e esportiva de sua história. Caso contrário, tende a contribuir sim para uma nova realidade. Mas que hoje ainda parece estar distante de acontecer.

    O time treinado por Felipe Conceição tem dado mostras de que a reação pode acontecer ainda nessa temporada. Há uma clara evolução que, a princípio, não se abala pelo resultado de domingo passado. Até porque o grande objetivo cruzeirense em 2021 é um só: voltar à elite do futebol nacional. E as perspectivas, embora não estejam de acordo com a tradição do clube, são relativamente boas. Uma possível eliminação para o América, na semifinal do estadual, não deve alterar a rota celeste. As provocações, porém, fatalmente darão um incentivo a mais para o time buscar a virada e a vaga na decisão.

    Importante mesmo é a Série B, que começa no final do mês e que tem tudo para ser a mais complicada dos últimos anos. Se não for de toda a história. Com a permanência do Cruzeiro e a queda de Vasco e Botafogo, será a primeira vez que a segunda divisão será disputada por três das equipes consideradas grandes no cenário nacional. E a saúde cruzeirense pode não suportar mais um ano na segundona. O lema do clube tem que ser subir ou subir. Caso contrário, a razão pode começar a caminhar, ainda que de forma lenta, ao lado de Lisca.

     

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    Crédito – Mourão Panda