Contra-Ataque: Enfim, duas semanas para treinar. Mas e os jogadores?

Sérgio Monteiro

 

 

Enfim, duas semanas para treinar. Mas e os jogadores?

 

Ao adiar as partidas de volta da Copa do Brasil e parte dos jogos da próxima rodada do Brasileirão, a CBF resolveu parcialmente um antigo problema do futebol brasileiro. Equipes com jogadores convocados pela Seleção Brasileira para as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022 não terão que entrar em campo completamente desfalcadas, como vinha acontecendo. Menos mal, mas o problema ainda persiste, já que fica inviável para os técnicos dos clubes com mais jogadores cedidos fazer qualquer tipo de ajuste na equipe nesse período.

Atlético e Flamengo, por exemplo, terão praticamente duas semanas de folga nas tabelas, tempo que deveria ser utilizado para ajustes nos times e recondicionamento de seus jogadores. Impossível para quem teve sete jogadores convocados, como é o caso do time mineiro. Além de Guilherme Arana, Éverson e Hulk, chamados por Cuca, o Galo tem ainda Vargas (Chile), Franco (Equador), Savarino (Venezuela) e Alonso (Paraguai) entregues às suas seleções. Por sorte, o técnico Scaloni não convocou Zaracho e Nacho para a seleção argentina, senão o estrago poderia ser ainda maior.

Como que o Cuca treina a sua equipe sem sete jogadores, sendo seis titulares? Logo agora que o treinador teria tempo para ajustar o posicionamento de seu ataque, que acaba de receber Diego Costa. Os treinos serviriam, também, para que o novo centroavante ganhasse entrosamento com seus novos colegas. Doce ilusão.

O mesmo pode se dizer em relação à equipe carioca. Kenedy e Andreas Pereira, que acabaram de desembarcar no Rio de Janeiro, não poderão treinar com Gabigol, Éverton Ribeiro, Arrascaeta, Isla e Piris da Motta. Azar de Renato Gaúcho, que assim como Cuca, também terá que usar da criatividade para aproveitar da melhor forma possível as duas semanas para afinar ainda mais o seu time. Outras equipes, como Palmeiras, Internacional e São Paulo passam pelo mesmo problema, mas com menos jogadores cedidos às seleções sul-americanas.

Sem falar no risco que esses jogadores têm de sofrer lesões ou desgastes musculares que podem deixá-los fora de combate pelos seus clubes na reta final das principais competições disputadas no país e no continente. Até porque são três jogos em um intervalo de sete dias. Para piorar, aumentam as chances de contaminações com as viagens internacionais. Não por acaso, Vargas e Franco, do Atlético, testaram positivo para a COVID-19 em viagens recentes com suas seleções. Nunca é demais lembrar que quem paga seus altos salários são os clubes e não a CBF.

Volto a dizer: menos mal que a CBF, dessa vez, adiou – para todos os clubes envolvidos – os jogos que teriam nesse período, ao contrário do que fez no início do Brasileirão, adiando apenas os jogos do Flamengo. Mas o problema está longe de ser resolvido da melhor forma. Que o calendário é apertado – sobretudo em tempos de pandemia -, nós sabemos. Mas a CBF tem que dar um jeito nessa situação, que seja reduzindo o número de jogos por ano, possibilitando as folgas nas datas Fifa. Nesse caso, obviamente, quem pagaria o pato seriam os campeonatos estaduais. Eles não precisam ser extintos, mas podem ser disputados em um período mais curto.

Fato é que este é um problema que cabe à CBF a solução. Até porque a relação com o torcedor brasileiro vai de mal a pior e não é desfalcando os times e desvalorizando a sua principal competição que a CBF vai conseguir reverter um cenário de profundo distanciamento entre a Seleção e os brasileiros. Por essas e por outras, é cada vez mais comum encontrar pessoas que torcem contra a Seleção Brasileira, ou que simplesmente a ignoram. Um caminho que pode ser sem volta, principalmente se não houver uma solução rápida.

 

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Crédito – Leo Correa / MoWA Press