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Por que meu filho chora tanto?

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Cada desenvolvimento é único e cada criança tem uma demanda diferente. Existem crianças mais calminhas, outras mais agitadas; há crianças mais tolerantes e outras nem tanto. Mas é sempre muito importante ficar atento ao desenvolvimento da sua criança! Embora haja diferenças entre elas, existem características que são comuns. Assim, a falta ou o excesso de algum comportamento ou característica deve ser observado a fim de se detectar alguma questão que necessite observação mais cuidadosa.

 

  • O choro é normal?

 

 

Sim, o choro é super normal, natural e faz parte do desenvolvimento. Há crianças que choram mais, outras choram menos. Mas chorar faz parte do desenvolvimento de todos nós.

Assim, pode ser que sua criança chore por tudo, chore por qualquer coisa e pareça que tudo a incomoda. É uma situação que beira o insuportável, mas não podemos deixar de dar-lhe atenção, procurar entender o motivo e sanar o problema. 

O choro frequente é algo que deixa muitos pais desesperados e angustiados e, para poder aguentar e ultrapassar essa etapa, a família deve entender que os primeiros anos de vida são difíceis tanto para os pequenos como para os próprios pais e que o melhor a se fazer seria manter a calma e tratar de ajudar a criança. 

É importante ter em mente que o choro tende a diminuir e a praticamente desaparecer ao longo do tempo, uma vez que a criança aprende a se comunicar de forma mais eficiente e eficaz.

 

2)  Quais são os motivos mais frequentes para o choro da criança?

 

Os motivos podem ser os mais diversos possíveis, desde frio, fome, dor, medo, raiva, desconforto, sono, etc.

Mas podemos nos ater em dois tipos possíveis causas: as causas físicas e as causas emocionais. 

As causas físicas são mais comuns e as mais facilmente identificadas. São elas:  

  • Sono: Muitas vezes as crianças insistem em ficar acordadas muito tempo para brincar. Isso faz com que apareça o cansaço que é um fator a que as crianças são muito sensíveis e que as debilitam. Quando acontece isso aparece como resposta comportamentos como choros ou birras. 
  • Doenças: A criança encontra-se numa condição de doença (passageira ou não) e demanda mais atenção e cuidados. Nessas situações tende a ficar mais chorosa, demandando mais atenção e cuidados.
  • Tem fome. Quando esperamos muito tempo para dar-lhe de comer, a criança entra numa fase de ansiedade e raiva em que se descontrola. A fome é um fator que debilita a criança e produz respostas similares às que aparecem quando tem sono. 

 

 

  • Diante de causas físicas como os pais podem fazer para diminuir e até mesmo cessar o choro?

 

As orientações que os pais devem seguir nestes casos são simples: a maneira mais segura de evitar que a criança acabe chorando por tudo é procurar que comam bem e que durmam o que necessitam segundo a sua idade. É importante também estar alerta para detectar qualquer sinal de doença. Ver se a criança está muito inquieta ou ‘fora do lugar’. 

 

 

  • E aqueles choros que persistem mesmo depois que se verifica que não é fome, dor, sono?

 

Da mesma forma como existem as causas físicas para o choro, existem também as causas emocionais para as quais também precisamos ficar atentos. Nestes casos, o choro pode indicar:  

  • Falta de maturidade:  A criança não é um adulto em miniatura e, portanto, não sabe lidar com as situações como um adulto faria. Nestes casos, observar a forma como a criança lida com o novo, com o limite, com a autoridade são importantes. Chorar para conseguir o que quer, para fazer valer a sua vontade ou para manipular o adulto não é bacana e exige mudança de comportamento. 
  • Falta de atenção: Quando a criança sente falta da atenção da família, ela pode utilizar o choro como ferramenta de comunicação. Nestes casos, é fundamental que o adulto reveja seu comportamento e postura e assuma um papel mais ativo e presente na vida da criança, a fim de favorecer seu desenvolvimento emocional.

 

 

  • Como os pais devem proceder nessas situações?

 

A família deve compreender que a criança pode não está bem e necessita de compreensão e paciência.  Assim, os pais conseguirão acalmar a criança e suprir suas necessidades. Use de palavras empáticas; evite gritar, brigar, xingar. Isto não ajudará em nada! Mantenha a sua própria calma, mesmo sabendo estar no limite! Mantenha rotinas familiares nas quais a criança se sinta segura. Mude o contexto, mude o foco. Invente um jogo ou uma brincadeira em que a criança se distraia e pare de chorar. E o mais importante, não reforce o choro como forma de obtenção do que a criança quer. Ela aprende rapidinho a conseguir tudo no choro ou no grito. E o adulto é quem precisa dar o tom da relação, bem como as regras e hierarquia. 

 

 

  • Existem condições em que o choro ultrapassa as condições físicas e emocionais, comuns e típicas do desenvolvimento da criança?

 

 

Sim, existem situações e condições em que o choro não pertence ao quadro típico do desenvolvimento e precisa de intervenções adequadas. Em alguns transtornos do Desenvolvimento, o choro passa a ser característica do próprio transtorno. Por isto é importante que a criança tenha acompanhamento pediátrico, com frequência. E se houver algum elemento que não esteja de acordo com o esperado para o desenvolvimento daquela criança, o pediatra deverá ser capaz de identificar e orientar as condutas necessárias para seu bem-estar.

NOTA DA REDAÇÃO – Valeska Magierek. Psicóloga (UFSJ), Neuropsicóloga (FUMEC), Mestre em Psicobiologia (UNIFESP). Experiência há mais de 20 anos na área de Psicologia Infantil e Neuropsicologia. Autora do livro infantil “A semente mágica”. Atualmente atende no Centro AMA de Desenvolvimento em Barbacena, é palestrante e professora em cursos de Pós Graduação.

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