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Diário de uma forasteira – Semana 13 – A cidade em prosa e verso

Por Denise Gasparini

 

O leitor mais fiel dessa coluna, que lê meus escritos quinzenalmente e acompanha o registro das minhas aventuras buscando conhecer um pouco melhor os detalhes, escondidos ou não, da cidade de Barbacena já deve ter reparado no meu gosto pela literatura. Seja em novelas, romances, contos ou crônicas, a ficção sempre me encantou, seja pelo sem fim de histórias contadas ou pelo poder que ela tem de dar asas à minha imaginação. À poesia eu dedico um espaço especial em meu coração.

Como também já esclarecido em outras ocasiões, aqui mesmo neste espaço que recebe tão generosamente minha tentativa de produção escrita, apesar do amor pela leitura, confesso a nulidade do meu talento para o fazer literário, demonstrado teimosamente a cada crônica publicada, que é mais fruto do esforço e da insistência que da inspiração artística.

Na leitura, entretanto, da prosa e dos versos, eu me encontro em lugar confortável, de paz, segurança, diversão, experiência, conhecimento… e, agora, de exploração. Tomei de uma obra literária que traz Barbacena e sua memória recente como pano de fundo para uma história de ficção, o ponto de partida para conhecer um pouco mais sobre a cidade a partir da literatura. A obra em questão mistura personagens e personalidades, acontecimentos e ilusões, espaços reais e locais imaginários para narrar o enredo de um amor. E a partir dela, meus momentos de lazer se dedicaram a pesquisas, visitas e observações… Que delícia olhar a realidade e a ficção se mesclando!

A partir da leitura, andar por Barbacena, de carro ou a pé, não é mais o mesmo exercício ou causa as mesmas sensações. As ruas passaram a ser mais que caminhos, as edificações, mais que meras construções, os lugares públicos, mais que pontos de passagem…tudo sugere uma história, um desenrolar… tudo ecoa trechos narrativos, realidades e ficções, com a cidade tornando-se cada vez menos locação e cada vez mais personagem.

Há alguns dias, em pleno Calçadão da Rua XVI, peguei-me distraída em minhas memórias literárias, recordando uma passagem da obra de ficção acontecida ali e recriando a cena na minha mente, sentindo as emoções postas, imaginando, talvez, o surgimento abrupto de um dos meus personagens favoritos ou o desenrolar de uma ação bem à minha frente. Horas depois, recordando a cena e com um leve sorriso no canto dos lábios, imaginei se alguém me observou nesse devaneio, sem saber que naquele momento eu não caminhava apenas por Barbacena, mas também pelas páginas do livro, dividindo a história com os mocinhos e bandidos, como se eu compartilhasse com eles os mesmas sensações: afeto, ternura, indecisão, angústia, solidão, tensão, pertencimento.

Talvez essa tenha sido a forma mais significativa que eu, professora de literatura, encontrei de conhecer e vivenciar Barbacena: permitindo que realidade e ficção se entrelacem e se misturem, que o real ultrapasse seus limites e seja tocado pela imaginação.

Desde então, sigo por todos os caminhos da cidade não como quem atravessa ruas, mas como quem percorre páginas, algumas já cheias de palavras que marcam minha breve trajetória em Barbacena, outras, repletas de espaços em branco para que novas histórias sejam contadas e vividas, antes mesmo de colocadas no papel.

 

 

NOTA DA REDAÇÃO: Denise Gasparini (@denise.gasparini.bq) é mãe, filha, irmã, tia, professora do Núcleo de Letras do Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais – Campus Barbacena e barbacenense em formação.

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