Maria Solange Magno Lucindo
A cada ocorrência de acidentes nas estradas ou até mesmo dentro das cidades, ficamos apreensivos e horrorizados, pois eles conseguem evoluir em gravidade. Dessa forma, pegar uma estrada está de apavorar e causa tensão. Não se sabe o que pode acontecer, o que pode estar por trás de uma curva. Por que tanta pressa por parte dos condutores? Se o destino for um passeio, tem todo o tempo para chegar, mas se for um compromisso, o certo é sair mais cedo. Não quero me ater a dados estatísticos, pois eles estão disponíveis em levantamentos para esse fim e não é esse o meu objetivo.
O trânsito brasileiro está entre os cinco mais letais do mundo e há uma combinação de fatores que concorrem para essa constatação: a certeza da impunidade; condutores irresponsáveis que dirigem falando ao celular, estando alcoolizados ou sendo inabilitados, ultrapassagens proibidas; limite de velocidade desrespeitado; veículos sem manutenção a começar pelos pneus; condições sofríveis das estradas. Motociclistas e ciclistas são as maiores vítimas. E carros desgovernados? Nunca se soube de tantos. O problema é do carro? Não, a falha está em quem fica atrás do volante. Está comprovado que em torno de 90% dos acidentes são causados por falha ou negligência humana.
E por causa de um desses fatores ou vários deles, todos os dias uma família chora por um ente querido que se foi em consequência de um acidente. O mais lamentável é quando inocentes são atingidos e morrem por culpa de irresponsáveis. Não há processo ou indenizações que compensem isso.
Não bastassem os acidentes nas estradas, têm ocorrido muitos atropelamentos. Verdade seja dita que o pedestre também não colabora. Quando estamos na condição de pedestres, precisamos incorporar que somos mais frágeis. A nossa prudência deveria ser dobrada.
Existem aqueles que “batizam” as estradas como sendo “rodovia da morte”, quando, na realidade, quem procura ou provoca as mortes, muitas vezes são os próprios condutores. É certo que muitas de nossas estradas estão em condições precárias, todavia, não são as maiores responsáveis por tantos acidentes.
O brasileiro ainda não se conscientizou de que os trânsito é composto de motoristas e pedestres; ciclistas, motociclistas, pessoas que trafegam pelas ruas, avenidas e vias, todos têm os seus direitos e obrigações. E o mais importante: a direção defensiva deve ser praticada com prioridade. Muitos dos acidentes poderiam ser evitados se tal prática fosse adotada.
Vários motoristas avançam o sinal vermelho (assistimos de perto) e de tempos em tempos provocam tragédias, principalmente em grandes cidades.
Há uma grande sobrecarga de gastos para o SUS, tamanho o número de acidentados e pessoas que ficam com sequelas, tornando-se um grave problema de saúde pública. Isso sem mencionar o grande número de mortes anuais.
Certa vez ao dar uma palestra sobre trânsito para crianças, ouvi com surpresa as queixas que tinham dos pais pela inobservância das regras básicas de segurança, como por exemplo, exigir que todos usassem o cinto, crianças sentar-se no banco de trás, nunca levar bebês na frente e por aí afora. De nada adianta se professores, sobretudo, nos anos iniciais, orientam seus alunos e em casa o que veem é diferente. Quando perguntei se sabiam o que era o “motorista da vez” ou o “motorista da rodada”, ficaram surpresos, pois nunca tinham ouvido falar. Ou seja, normalmente, os motoristas conduzem veículos mesmo tendo ingerido bebida alcoólica, não importando a quantidade. Lamento pelas vítimas inocentes, que são atingidas por condutores irresponsáveis e inconsequentes. As clínicas de reabilitação estão constantemente cheias e é um local onde a dor predomina. Muitos dos que estão ali são vítimas de acidentes.
Nunca se viu tantos tombamentos de caminhões, colisões frontais, veículos pegando fogo. Meios de transporte diversos trafegam pelas vias sem manutenção, pois a fiscalização é ineficiente. Atualmente, com câmeras dentro de carros, é possível ver as várias imprudências que ocorrem nas estradas. Muitas vezes, uma irregularidade é praticada com tanta frequência, que o condutor pensa que sempre dará certo até que um dia não dá mais. Veículos precisam de manutenção, da verificação de sua engrenagem como freios, pneus, setas, bateria etc. Os condutores deveriam estar descansados ao assumirem um volante, não terem ingerido bebida alcoólica, ficarem longe do celular. Um motorista não deve ser incomodado ou contrariado enquanto estiver dirigindo. Deve-se evitar qualquer tipo de embate quando ele conduz um veículo. É comprovado que motoristas nervosos estão sujeitos a sofrerem acidentes.
Infelizmente, o trânsito brasileiro é composto por uma parcela de condutores negligentes, imprudentes, irresponsáveis. Nem sempre saem bem-preparados das autoescolas. Demonstram não terem respeito pela própria vida e menos ainda pela do próximo. E a única solução seria a conscientização de cada um. Nem com as multas se preocupam mais. Leis mais severas? Elas são até bem severas, têm regras e proibições bem definidas, porém, não são cumpridas e os infratores não são devidamente punidos. Nossas autoridades estão bastante envolvidas e preocupadas com outras pautas e nelas não comporta a precariedade de nosso trânsito. Enquanto isso, tomamos conhecimento de mais e mais acidentes fatais pelo Brasil afora, lamentamos e choramos por nossos mortos.










