Depois de anos em que a preservação do patrimônio cultural caminha a passos lentos, Barbacena dá um sinal importante — ainda que tardio — de atenção à sua própria história. A Prefeitura anunciou a abertura de processo licitatório para a reforma da Casa Museu Emeric Marcier (fotos de Kelmer Maike – @Re_bobinando), um dos espaços mais simbólicos da produção artística na cidade.
O edital será publicado no dia 7 de maio de 2026, dando início ao processo. As empresas interessadas poderão apresentar suas propostas até o dia 24 de junho de 2026, mesma data em que está prevista a abertura das propostas, às 14 horas.
A intervenção prevista inclui melhorias estruturais, recuperação física e adequações no espaço, que há tempos pede atenção mais efetiva do poder público. Não se trata apenas de obra — é, ou deveria ser, um compromisso com a memória.
CASA DA CULTURA – A Casa da Cultura também passará pelo mesmo caminho: licitação, contratação e, espera-se, revitalização. Dois equipamentos culturais fundamentais que, juntos, ajudam a contar a história de Barbacena — e que por muito tempo ficaram à margem das prioridades.
A pergunta que fica não é apenas sobre prazos ou empresas vencedoras. É sobre continuidade. Quantas vezes projetos semelhantes foram anunciados sem que se traduzissem em mudanças reais e duradouras?
Desta vez, a cidade observa. E cobra.
📌 Quem foi Emeric Marcier?
Emeric Marcier foi mais do que um artista estrangeiro que passou por Minas. Ele fincou raízes — e deixou marcas profundas. Nascido na Romênia, em 1916, percorreu a Europa em formação artística até chegar ao Brasil em meio às turbulências da Segunda Guerra. Aqui, encontrou não apenas abrigo, mas identidade. Sua obra dialoga com o sagrado, com o barroco mineiro e com a intensidade do expressionismo europeu.
Foi em Barbacena que escolheu viver parte significativa da vida. No Sítio Sant’Anna, transformado hoje em museu, produziu, experimentou e construiu um legado que atravessa gerações. Marcier não foi um artista de passagem. Foi alguém que ajudou a escrever, com tinta e parede, um capítulo da história cultural da cidade.
E é justamente esse legado que agora depende, mais uma vez, de cuidado — não apenas em discurso, mas na prática.
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