Maria Solange Lucindo Magno
Segundas, terças e quartas-feiras parecem se arrastar, passam lentamente, segundo a teoria do gato Garfield, contudo, de quinta-feira em diante o tempo voa e os domingos chegam rapidamente.
Domingo é o dia do Senhor! No entanto, algumas pessoas não se sentem felizes nesse dia.
Dizem que o domingo é melancólico para as pessoas solitárias. Não duvido. Penso que os dias úteis camuflam melhor a solidão e as angústias, devido à agitação do dia a dia.
Converso com pessoas que me dizem não suportar o dia de domingo. Chegam a se sentirem ansiosas e desconfortáveis. Eu também não sou amante do domingo e não é de agora. Para mim, vai bem até a metade do dia, depois vem um vazio difícil de explicar. Nesse dia, muitas pessoas deixam de se comunicar, como se tivessem algo muito importante para fazer ou estivessem se escondendo.
Esse fenômeno coletivo que nos acomete aos domingos, principalmente ao entardecer, marca o término do período de lazer, nos lembrando que no dia seguinte estão de volta as obrigações. Acabamos gerando uma ansiedade por antecipação do que está por vir, por aquilo que deixamos apenas adiado por um tempo, sobretudo, se o local de trabalho é um ambiente tóxico ou a rotina é estressante. À medida que o dia vai terminando, o silêncio convida à reflexão, o vazio se torna mais presente e surge um lamento quando o tempo livre acaba.
O fim de semana delimita o fim do descanso com o início da tensão da segunda-feira e suas demandas de trabalho, compromissos e decisões que foram prorrogadas.
O silêncio do domingo permite que pensamentos que estavam escondidos pela correria da semana venham à tona revelando insatisfação ou até mesmo solidão.
Aqueles que são muito produtivos podem pensar que o descanso do domingo é errado, sem propósito, e podem sentir culpa.
O dia de domingo pode intensificar sentimentos de nostalgia, saudade da infância, ou despertar lutos passados. Eu mesma já senti tudo isso, mesmo não tendo nenhum problema em encarar uma segunda-feira. Ao contrário, sempre foi o dia da semana mais produtivo para mim. Lembro-me que, ao ouvir a chamada para o programa do Faustão e com mais intensidade, a do Fantástico, pensava com um pouco de aperto no peito: “É, agora chegou ao fim, amanhã começa tudo de novo”. Era como se me fosse roubado algo. E assim se passavam as semanas, meses e anos.
Com esses sentimentos dúbios em relação ao domingo, que é um misto de querer descansar com a ansiedade pela semana que irá começar com todas as suas demandas, corre-se o risco de não descansar e de não silenciar os pensamentos em relação às necessidades mais prementes.
Somos mesmo muito complexos. Trabalhamos a semana inteira ansiando pela chegada do fim de semana. Criamos expectativas para ele. Esgotamos nossas energias e paciência aguardando as glórias do sábado e domingo. Todavia, costumamos nos entediar com o vazio do domingo e a melancolia que ele costuma trazer. Ou seja, queremos que chegue logo a segunda-feira para interagir e ver pessoas diferentes, ir às ruas, observar o movimento. Meu pai foi uma pessoa que amava começar a semana, pois podia voltar ao trabalho e sair de casa. Nos finais de semana ele se enfurnava dentro de casa, sem perspectivas de diversão.
Por isso, nós, mulheres, deveríamos ser mais tolerantes com os homens em relação à sua paixão pelo futebol. Para eles é um grande divertimento assistir a uma partida ou participar dela, especialmente aos domingos. E que nós, mulheres, arrumemos também algo apaixonante para fazer.
Ademais, não é aos domingos que costumam acontecer os famosos churrascos entre amigos e almoços em família? Há aqueles que aproveitam a tarde para uma boa soneca, os que aproveitam para fazer visitas ou passear ao ar livre.
Precisamos encontrar um equilíbrio entre as nossas funções laborativas e os nossos momentos de lazer, nos dedicando a cada um deles com a atenção que requerem e aproveitando os prazeres que podem nos proporcionar.
Por Maria Solange Lucindo Magno – professora e pedagoga
Foto: internet










