Denise Gasparini
A coluna desta semana foi inspirada em uma post no Instragram da @prefeituradebarbacena, que chama a atenção por, em seu card inicial, trazer o que essa autora considerou um desafio, mas que para grande parte dos barbacenenses, nascidos e criados por aqui, deve soar como algo muito corriqueiro. A peça apresenta, em segundo plano, uma foto de um casarão com traços coloniais situado no calçadão da Rua XV, esquina com a Rua Pereira Teixeira, e em primeiro, o slogan que impacta: “Diz que é de Barbacena, mas nunca…” ilustrado com um emoji thinking face. Será que vira uma trend?
Parágrafo cheio de estrangeirismos, não é mesmo, querido leitor? Todas as palavras que destaquei em itálico no início do texto, essas que foram escritas com as letrinhas tortas, são considerados estrangeirismos, isto é, um tipo de fenômeno linguístico que consiste na ampliação do vocabulário de um idioma pela incorporação de palavras ou expressões advindas de outros, termos que passam a ser utilizados no dia a dia para nomear objetos, conceitos ou realidades que surgem de novas necessidades expressivas dos falantes. No nosso caso, a necessidade nasce do boom tecnológico e comunicativo mediado pelas redes sociais, espaço onde a língua e seus falantes se reinventam, ganhando filtros, likes e hashtags.
Eu mesma deixei meu like na publicação que, depois dessa primeira arte, trouxe outras, as quais mostravam cenas rotineiras dos moradores da cidade, ilustradas com imagens reais, e lindas, de locais e vivências tradicionais que fazem parte do imaginário e da cultura barbacenenses: as meias vendidas no Jubileu de São José, as caminhadas esportivas na Avenida Sanitária (já observadas por esta autora em outra coluna), a vista do Mirante do Monte Mário, as festas da Exposição Agropecuária, das Rosas e dos Motociclistas, dentre outros. Estes costumes locais, mais que retratos simples do cotidiano, mostram o encanto da identidade barbacenense, revelando o orgulho, o afeto e as tradições da cidade.
Confesso que fui, design a design, marcando meus sins e nãos na esperança de gabaritar — marcar todas as alternativas com afirmativas e massagear meu ego de barbacenense em formação. Não foi dessa vez, prezado leitor… por falta de tempo na cidade, ou de companhia, ou de oportunidade mesmo, atrevo-me a dizer que até por falta de energia certas vezes, vi-me marcando alguns nãos que entregaram minha condição de forasteira ainda em busca do selo de barbacenense oficial, de cidadã de carteirinha.
O último card, entretanto, foi o que mais atraiu minha atenção: ele me ofereceu a possibilidade de refletir sobre minha ‘barbacenice’ em formação, lembrando de ocasiões maravilhosas que vivi na cidade, mesmo antes de morar e trabalhar aqui, e que não foram listadas na publicação original. A arte nos convidou a todos, seguidores da página, a continuar listando eventos e locais memoráveis da cidade, que também revelassem afetos e experiências especiais, e desses, já consigo fazer uma lista…
Siga-me, caro leitor, em minha construção de memórias em terras barbacenenses, pois já consigo listar as ‘barbacenices’ que me afirmam como feliz moradora da cidade e que me possibilitam participar da trend “diz que é, mas nunca’:
Diz que é de Barbacena, mas nunca:
– tomou um chopp na Feira de Origem,
– foi comprar hortaliças na Feira Livre de sábado,
– assistiu ao Cortejo de Natal do grupo Ponto de Partida,
– acompanhou o pré-carnaval do bloco Recordar é Viver,
– assistiu a uma apresentação musical na Universidade de Música Popular Bituca ou no Conservatório Municipal,
– admirou o céu cortado por caças celebrando as formaturas da EPCAR,
– prestigiou uma elegia dedicada a um membro da Academia Barbacenense de Letras,
– fez uma caminhada (mesmo que ao avesso) no IFET,
– leu uma crônica sobre a cidade na coluna Diário de uma forasteira.
Minha lista me deixou satisfeita! Percebi que mesmo com muito a aprender sobre a cidade e suas tradições, já construí deliciosas memórias de vivências ímpares que me motivam a continuar no meu intento de conhecer, valorizar e pertencer, um pouquinho mais a cada dia, à nossa encantadora Barbacena Querida.
NOTA DA REDAÇÃO: Denise Gasparini (@denise.gasparini.bq) é mãe, filha, irmã, tia, professora do Núcleo de Letras do Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais – Campus Barbacena e barbacenense em formação.










