Denise Gasparini
Em recente visita aos meus escritos já publicados nesta coluna, percebi uma repetição que imagino não ter passado despercebida aos queridos leitores que me acompanham. Acredito que a formação em Letras e a dedicação ao ensino de línguas e literatura são as grandes responsáveis pelo feito, que é trazer em minha crônicas sempre a definição de alguma palavra ou enunciado que me ajudará a desenvolver as ideias que coloco no papel. Isso ocorreu com os verbetes pertencimento e aprender e, mais recentemente, com a expressão “Bom dia!”.
Não fugirei à regra, querido leitor, e podem chamar a isso estilo ou peculiaridade, mas hoje tomarei a definição da palavra crônica como fio condutor para minha produção escrita. Derivado do grego khronos, que significa tempo, o vocábulo crônica remete a um gênero textual narrativo curto, em prosa, que toma eventos cotidianos como temática, com pitadas de humor ou ironia, ou ainda convites à reflexão ou a uma observação inusitada dos fatos corriqueiros, muitas vezes com um olhar mais poético ou lírico do autor para o que nos é habitual. Além disso, combina algo de jornalístico, ao priorizar a atualidade, a algo de literário, ao enaltecer a criatividade, sendo produzida em linguagem simples e informal para buscar identificação com o leitor.
Sim, caro leitor, os textos dessa coluna se pretendem crônicas, ainda que amadoras, mas não foi por eles que surgiu o desejo de explorar o tema. O que de fato ocorreu é que um talentoso cronista barbacenense me prestigiou com o convite para ler alguns de seus textos, crônicas, antes mesmo de sua publicação. Os que acompanham essa coluna já sabem de minha paixão pela leitura e pela literatura, e podem, por isso, imaginar a minha urgência para adentrar, o quanto antes, pelas páginas que trouxeram reunidas realidade e sensibilidade em cada delicioso texto.
E como a aspirante a escritora aqui é movida por curiosidade, lá fui eu pesquisar sobre cronistas barbacenenses e cronistas que falam de Barbacena em seus escritos. Você sabia, querido leitor, que nossa cidade (adoro chamá-la de nossa) é terra natal do cronista, contista, romancista e vencedor do Prêmio Jabuti (em duas ocasiões: 1976 e 1995) Ivan Ângelo? Ainda consta na lista de filho da terra, Newton Siqueira de Araújo Lima, membro da Academia Barbacenense de Letras (ABL) e autor de Crônicas de viagem (1990).
Quanto aos cronistas que são barbacenenses de coração, minhas pesquisas me levaram a três nomes, todos relacionados à ABL. Os dois primeiros nomes são de mulheres excepcionais: Maria Lacerda de Moura (1847-1945) e Inês Piergentile (1895-1981). Aquela, nascida em Manhuaçu, criada em Barbacena, e patronesse da cadeira 35 dos Acadêmicos Correspondentes, foi uma intelectual progressista e deixou a marca, por vezes apagada, de seus ideais em textos sobre feminismo e proletariado. Esta, fundadora da cadeira 22 da ABL, italiana de nascimento, e igualmente progressista, sobressaiu-se por escrever sobre a sociedade barbacenense do século XX.
Já na contemporaneidade, destaco o prezado colega de pena Ricardo Salim, a quem tenho o prazer de conhecer pessoalmente. Ocupante da cadeira 07 da ABL, filho de Rio Espera, ele se dedica, na arte da escrita, às crônicas, poesias e ao jornalismo, e já conta com dois livros publicados nesses segmentos.
Outro cronista que surgiu em minhas pesquisas, igualmente contemporâneo, e que traz questões da cidade como assunto preferencial de seus textos, é Sérgio Ayres, que faz publicações online semanalmente e ocupa a cadeira número 03 da ABL. Dele, porém, não consegui levantar mais informações além do perceptível talento para a escrita, que apreciei ao ler a coluna Ler & Pensar.
Querido leitor, caso eu tenha me esquecido de alguém, ou falhado em alguma informação, deixo de antemão minhas desculpas e me justifico usando minha condição de barbacenense em formação e forasteira. O intuito deste texto foi tratar de um gênero que adoro e que, por isso, busco desenvolver nesta coluna, e homenagear alguns precursores e agora colegas de produção. Certamente a porta hoje aberta para que as humildes crônicas de uma escritora amadora, uma estrangeira sedenta por informações sobre a vida local, integrem as páginas de um portal de notícias da cidade se deve ao empenho, aos esforços e aos sonhos desses notáveis cronistas. Deixo registrados, então, meu agradecimento e meu tributo. E meu desejo de continuar lendo, aprendendo e me deliciando com as fabulosas crônicas produzidas em Barbacena e sobre Barbacena.
Denise Gasparini (@denise.gasparini.bq) é mãe, filha, irmã, tia, professora do Núcleo de Letras do Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais – Campus Barbacena e barbacenense em formação










