Por Doutor Delton Mendes Francelino, diretor da Casa da Ciência e da Cultura, Presidente do Instituto Curupira e Coordenador do Centro de Estudos em Ecologia, Saúde Pública e Mudanças Climáticas.
A valorização da ciência começa pelo reconhecimento de sua base de chegada ao conhecimento, isto é, do caminho rigoroso, coletivo e crítico que ela percorre até produzir explicações sobre o mundo. A ciência não nasce de opiniões individuais ou crenças pessoais, mas de observações sistemáticas, perguntas bem formuladas e da constante disposição para revisar resultados diante de novas evidências. Valorizar a ciência é compreender que o conhecimento científico é um processo em construção permanente.
Diferentemente do senso comum, que se forma a partir da experiência cotidiana, de tradições e percepções imediatas da realidade, a ciência se apoia em métodos específicos que buscam reduzir erros e generalizações apressadas. O senso comum é importante para a vida diária e para a organização social, mas não tem compromisso com a verificação rigorosa dos fatos. A ciência, ao contrário, não se satisfaz com respostas rápidas, buscando compreender causas, relações e padrões mais profundos.
Ciência como conhecimento construído por método, evidências e revisão coletiva
Um dos pilares da ciência é seu caráter coletivo. O conhecimento científico não pertence a um único pesquisador, mas a uma comunidade que avalia, revisa e debate resultados. Pesquisas passam por análises de pares, podem ser replicadas ou contestadas, fortalecendo a confiabilidade das conclusões. Esse processo diferencia a ciência de opiniões pessoais, mesmo quando estas parecem amplamente aceitas ou intuitivas.
Enquanto o senso comum tende a cristalizar certezas e explicações simplificadas, a ciência trabalha com hipóteses provisórias. Teorias científicas não são meras opiniões, mas modelos explicativos sustentados por evidências acumuladas. Elas permanecem válidas enquanto conseguem explicar os fenômenos observados, estando sempre abertas à revisão. Esse compromisso com a dúvida é uma das maiores forças da ciência.
Importância da educação científica e do pensamento crítico para a sociedade
A ciência, como se vê, exerce papel central na organização da vida social, influenciando decisões nas áreas da saúde, da educação, da tecnologia e do meio ambiente. Políticas públicas baseadas apenas no senso comum ou em crenças individuais podem gerar impactos negativos profundos. Valorizar a ciência é defender escolhas fundamentadas em dados, pesquisas e análises críticas.
Nesse sentido, a educação científica desde a base é essencial. Ensinar ciência vai além da transmissão de conteúdos prontos: envolve mostrar como o conhecimento é produzido, testado e validado. Quando as pessoas compreendem o método científico, tornam-se mais capazes de diferenciar fatos de opiniões e menos vulneráveis à desinformação.
Por fim, valorizar a ciência é reconhecer seu diálogo com a cultura, a arte e as experiências humanas. A ciência não anula outras formas de conhecimento, mas amplia nossa compreensão do mundo e fortalece o exercício da cidadania. Diferenciar ciência de senso comum é um passo fundamental para a construção de uma sociedade mais crítica, justa e consciente em 2026 e para as gerações futuras.
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Apoio Divulgação Científica: Samara Autopeças e Café Soberano











