Norma Martins
Se em tua boca encontro abrigo e altar,
é porque em ti nasci predestinado.
Não vim pra ser bebida de passar,
mas gozo lento, rito consagrado.
Sou sombra e lume, o fim da tua paz,
sou brasa antiga em cálice sagrado.
Te dou prazer, mas levo um pouco mais:
te deixo nua, rindo e enlaçado.
Não me acuses de ser cruel demais —
te tomo, sim, mas nunca sem convite.
És tu que vens, nas noites desiguais,
beber de mim o ardor que te habite.
Se és poema, sou vinho e sou veneno:
te bebo aos poucos… doce, eterno, obsceno.
Que sejamos sempre como o tinto:
profundos, intensos, memoráveis.
Saúde!










