por JCiotti

Meu nome é José Wilson Ciotti sou pedagogo e, por ser um apaixonado por vinho, me aprofundei no assunto acabando por me tornar um Sommelier, através da ABS (Associação Brasileira de Sommelier-RJ), muitas leituras e inúmeras degustações. Beber é, sem dúvida, um dos grandes prazeres da vida. Beber vinho, um prazer maior ainda, porque o vinho é uma bebida que tem o poder mágico de reunir pessoas, provocar a conversa inteligente e, acima de tudo, fazer amigos.
Este é um espaço que busca atender as necessidades básicas de conhecimento, não só de enófilos e conhecedores, mas, também, de profissionais de restaurantes quase sempre carentes dessas informações, e que diariamente são questionados a respeito.
De forma simples, abordaremos assuntos relacionados à história do vinho, os bastidores da produção, temperatura ideal, a forma de abrir e servir, a taça ideal, como ler um rótulo e curiosidades, além de informações sobre rolhas, garrafas e armazenamento.
Vamos apresentar os aspectos básicos, de forma clara, as diversas etapas do vinho, desde a videira até o produto final.
A HISTÓRIA DO VINHO
Está ligada ao desenvolvimento das civilizações. Acredita-se que a produção de vinho começou por volta de 6000 a.C. na região do Cáucaso, que abrange partes da atual Geórgia, Armênia e Azerbaijão. Vestígios de uvas fermentadas e técnicas de vinificação foram encontrados em antigos sítios arqueológicos, indicando que a bebida já era produzida e consumida naquela época.
Na Mesopotâmia, por volta de 4000 a.C., o vinho já era uma parte integrante da cultura, utilizada em rituais religiosos e festividades. Os sumérios e babilônios reconheciam o valor do vinho, mencionando-o em documentos escritos. O Egito Antigo também valorizava o vinho, sendo usado em cerimônias religiosas e na vida cotidiana. Os egípcios cultivavam vinhedos nas regiões ribeirinhas do Nilo e exportavam vinho para outras regiões.
Os gregos antigos consideravam o vinho uma bebida divina, associando-o ao Deus Dionísio. Eles desenvolveram técnicas de viticultura e produção de vinho, criando variedades e estilos que ainda perduram. O vinho também desempenhou um papel central na cultura grega, sendo consumido em simpósios e festas.
Os romanos expandiram a produção de vinho ainda mais em seu império, estabelecendo vinhedos em regiões como a Gália (atual França), Hispânia (atual Espanha) e Catcau (atual Portugal). Eles introduziram métodos de vinificação sofisticados e regulamentações para a produção de vinho. O consumo de vinho tornou-se um símbolo de status e era amplamente promovido em banquetes.
Durante a Idade Média, a produção de vinho na Europa sofreu variações, especialmente após o colapso do Império Romano. Contudo, os mosteiros cristãos desempenharam um papel crucial na preservação do conhecimento sobre a viticultura e a produção de vinho. Os monges cultivavam vinhedos e produziam vinho para uso litúrgico, contribuindo para a continuidade da tradição vinícola.
O Renascimento trouxe uma nova apreciação pelo vinho, e o comércio de vinho floresceu. Estruturas como a classificação de vinhos e a definição de regiões vinícolas começaram a se formar. No século 17, o vinho começou a ser exportado em larga escala, e novos métodos de conservação foram desenvolvidos, como a produção de vinho fortificado, como o Porto e o Jerez.
No século XX, o vinho enfrentou desafios, como a filoxera, uma praga que devastou vinhedos na Europa no final do século XIX. No entanto, a indústria se recuperou e, com o advento de novas tecnologias e métodos de cultivo, a produção de vinho voltou a crescer.
Hoje, o vinho é uma bebida apreciada globalmente, com regiões produtoras em todos os continentes. A diversidade de uvas, métodos de vinificação e estilos de produção resultou em uma riqueza de sabores e experiências para os consumidores. A cultura do vinho continua a evoluir, apoiada por uma crescente consciência de sustentabilidade e práticas agrícolas responsáveis.
A cada dia cresce o número de pessoas querendo saber um pouco mais sobre esse mundo maravilhoso que tantos comentam.
Muitos começam apreciando vinhos mais leves, com menos tanino, que descem sem “travar” a boca.
Mas, com o tempo, o nosso gosto vai se apurando e você acaba por querer um vinho mais robusto. Vamos ficando cada vez mais exigente. Querendo provar vinhos de qualidade superior.
Eu, particularmente, como Sommelier, acho que vinho bom é aquele que te agrada, independentemente do preço ou ponto de venda.
Experimente, conheça, deguste. Comece pelas variedades, depois pelas vinícolas. Em cada garrafa você vai descobrir uma infinidade de aromas e sabores.
O vinho não é apenas uma bebida; é um reflexo de culturas, tradições e histórias que se entrelaçam ao longo do tempo.
Para terminar deixamos uma pergunta:
Existe um ditado que diz que o vinho quanto mais velho, melhor. É verdade?
Resposta na próxima semana.
Dúvidas www.jciotti.com










