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Cruzes, que título macabro.
A ideia de hoje é tratar de um assunto que interessa a muita gente: crimes. No entanto, calma. Há lenda e há verdade na história de hoje.
Começo por dizer que Portugal é um dos países mais seguros do mundo e que, apesar da sua posição confortável no sétimo lugar da lista, ainda acontecem crimes aqui, alguns bem violentos.
Não custa repetir que o Brasil está na 132ª posição, pior que o Haiti, que dispensa comentários.
Por ser um país pequeno e sem divisões, Portugal tem maior possibilidade de implantar novas medidas preventivas e estratégicas que ajudam a inibir a violência, tanto a praticada pelos que agem à margem da lei, como a que o Estado pode causar quando os combate.
Enquanto ainda se discute no Brasil se um usuário de cannabis com algumas gramas de erva deve ir para a cadeia, aqui não é crime, há anos, carregar pequenas quantidades para consumo próprio, que não aumentou por causa disso. O que reduziram foram a violência e as despesas persecutórias. O tráfico sim, é combatido intensamente.
Durante um bom tempo o Estado investe em formação e tecnologia para reduzir a corrupção na polícia. Na política isso ainda precisa acontecer de todo, apesar das condenações estarem surgindo.
No entanto, é importante realçar que quem mora aqui não está livre de problemas, pois há crimes chocantes, especialmente os motivados pela emoção.
Para exemplificar, há o recentíssimo caso do brasileiro Amândio Júnior, 40 anos, morador de Portugal, morto no Algarve no último dia 28 depois de levar um soco e sofrer um mata-leão por um motociclista português, que foi preso. Essas coisas, infelizmente, acontecem nas melhores famílias.
Mesmo os crimes contra o patrimônio, aqui mais raros que aí, tiveram aumento do ano passado para cá.
Chega de introdução, porque a pegada não pode ser outra senão a curiosidade e a cultura. O objetivo é trazer um famoso caso criminal português, listado entre os mais famosos do mundo.
Bem-vindos ao Caso do Aqueduto das Águas Livres.

O Aqueduto é uma grande estrutura de transporte de água por ação da gravidade, construída no século dezoito por ordem do rei, com uso dos impostos extras incidentes sobre vinho, azeite e carne.
É uma obra robusta e resistiu ao terrível terremoto de 1750, que praticamente acabou com a cidade.
Seus 35 arcos podem ser vistos no Vale de Alcântara. É um importante ponto turístico de Lisboa, administrado pelo Museu da Água.
Tem 941 metros de comprimento e 65 de altura, só no trecho da cidade. Todo o conjunto tem 58 quilômetros, contados desde o começo, onde capta as águas nos arredores lisboetas.
Foi desativado em 1973, mas sua reativação foi anunciada para esse ano, como um meio ecológico para abastecer a cidade e apoiá-la nas situações de incêndio e seca, tudo sem prejuízo da visitação, aberta ao público desde a década de oitenta.
Apresentado o Aqueduto, apresento-vos o protagonista.
Seu nome é Diogo Alves, um jovem nascido na Galícia no ano de 1810 e que foi para Lisboa quando tinha 13 anos.
Desde que chegou, trabalhou como criado e boleeiro (nome que se dava aos condutores de carroça). Muito educado, logo ganhou a confiança dos patrões, que até lhe emprestavam dinheiro.
Não demorou muito para que se enfiasse nos bordéis, tão logo se viu mais taludo.
Com dinheiro no bolso e sem juízo na cabeça, Diogo se envolveu com a maliciosa dona de uma taberna, uma tal Gertrudes Maria, conhecida como a Parreirinha, que acabou levando o apaixonado rapaz para as corridas de cavalos, jogos de azar e bebedeiras.
Como seu salário não chegava para uma vida tão cara, apenas um pequeno pulo foi necessário para que Diogo se enfiasse num mundo sem volta e bastante perigoso.
Já vos adianto que ele é considerado até hoje o primeiro e mais célebre serial killer de Portugal.
Segundo as histórias, o sujeito conseguiu, sem que ninguém soubesse como, uma cópia da chave do Aqueduto das Águas Livres, onde se escondia para assaltar os pobres transeuntes que o usavam como travessia entre a área rural e parte urbanizada mais rica da cidade.
Dizem que pegava as vítimas de surpresa, imobilizava-as, roubava tudo o que tinham e as atirava lá do alto para que morressem esborrachadas.
Em seis meses, mais de setenta cadáveres foram encontrados nas imediações do Aqueduto, todos arrebentados, não deixando dúvidas de que caíram da arcaria. Maiores investigações não havia, pois além das vítimas serem pobres, a hipótese que prevalecia era a de suicídio, bastante frequente naqueles tempos em que a penúria levava muita gente ao desespero.
Embora a tradição seja pródiga em apontar Diogo como ladrão e assassino daquelas pessoas, os estudiosos não garantem ter sido ele o homicida e que, portanto, o título de primeiro serial killer de Portugal seria inapropriado. Houve outros assassinos em série na história de Portugal, mas esse caso tem um quê de especial.
E então? Se Diogo não era o culpado, por que tachá-lo de assassino? Quem sabe ele não passava de um pinguço gastador e criador de caso?
Nada disso. Era tachado de criminoso porque criminoso era. Vamos aos fatos.

Tão logo se viu completamente enrolado com despesas incompatíveis com seu salário, nosso personagem teve a brilhante ideia de formar uma quadrilha para roubar as casas dos mais abastados moradores de Lisboa.
Assim, juntou-se com marginais da pior estirpe, como o Soldado (que era um soldado mesmo), o Beiço Rachado (outro soldado), o Enterrador e o Pé-de-Dança. Havia também o Pancada, mas esse era o próprio Diogo.
Em se tratando de apelidar pessoas menos chegadas à honestidade, a criatividade da época era bem semelhante à de hoje.
O Pancada e sua quadrilha não deixavam barato. Aterrorizavam Lisboa com assaltos às mansões e às casas dos mais ricos. Levavam o que podiam, feriam e matavam.
Certo dia, os cinco souberam pelo criado de um famoso médico, Dr. Pedro Andrade, que o patrão era dono de imensa fortuna. Em pouco tempo, os cinco meliantes já estavam espreitando o muro da mansão para mais uma atrocidade.
Ao entrarem na casa, encontraram uma família, mãe e três filhos. Num átimo, mataram todos ou asfixiando-os ou dando-lhes fortes pancadas na cabeça. Roubaram o que puderam e rua. Na madrugada seguinte os corpos foram encontrados. Uma pesada investigação começou, pois a vítima era uma família rica e poderosa.
Dias depois, um dos membros da quadrilha, o Enterrador, foi apanhado em flagrante roubando outra residência. Através de métodos que não se sabe se delicados ou um pouco mais assertivos, o Enterrador confessou todos os crimes da quadrilha, inclusive o massacre, conhecido nos folhetins da época como O Crime da Rua das Flores, além da morte de um jardineiro em outro assalto.
E afinal a família nem era a do médico. Estavam em viagem. Eram, talvez, os caseiros.
Não demorou nada, a polícia chegou ao Pancada, que confessou tudo, inclusive um outro assassinato, de uma velhinha, na Calçada da Estrela. Sujeito ruim, viu?
Não se sabe se os métodos delicados da polícia da época o fizeram confessar os crimes do Aqueduto, mas é certo que os suicídios continuaram acontecendo por lá mesmo depois da prisão de Diogo, até que os acessos ao Aqueduto fossem fechados por medida de segurança.
Diogo foi julgado e condenado à morte. Em 1841, foi pendurado pelo pescoço em praça pública.
Só que essa história macabra não acaba ainda. Há mais coisa tétrica. Prossigamos.
Depois de enforcado, a cabeça do nosso personagem foi decepada para estudos, a pedido de um professor de frenologia, disciplina que estava em alta e que relacionava a prática de crimes a certas características do crânio das pessoas. A maior furada, mas era o que pensavam.
Hoje isso não passa de pseudociência, mas na época o pedido foi considerado razoável, pois queriam descobrir o que fazia uma pessoa ser tão malvada.
No entanto, a cabeçorra está lá até hoje, intacta, no teatro de anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, dentro de um redondo frasco de vidro, imersa em formol, incrivelmente bem conservada e amarela, olhando para as pessoas com um ar de serenidade que o Pancada certamente não tinha.
Pelo que parece, ninguém buliu naquela coisa até hoje.
Só que essa peça tétrica pode não ser a cabeça do Diogo, mesmo exibida como tal há mais de 180 anos!
Vejam essa: há seis anos, a pesquisadora Rafaela Ferraz publicou um artigo despretensioso num site americano de turismo alternativo chamado Atlas Obscura, contando a história da cabeçona. A coisa viralizou. No ano passado, a autora voltou a escrever sobre o assunto para ajustar algumas informações.
Segundo a nova abordagem, existe uma outra peça, um crânio, que também pode ser de Diogo Alves. Só faltava essa, o homem tinha duas cabeças! E nenhuma que prestasse!
Não é isso, todavia. Segundo os pesquisadores, o tal crânio foi catalogado algum tempo depois e tem mesmo chance de ter sido do Pancada, em vez da famosa cabeça dentro do vidro. Chegou a ser dissecado recentemente, não por motivos frenológicos, mas por outras razões.
Ao fim e ao cabo, não se pode afirmar qual das duas peças é aquela que foi separada do resto do Pancada há mais de 180 anos.
Nosso personagem, em meio a tantos títulos nada honoríficos, é também conhecido como a última pessoa condenada à morte em Portugal, o que não é verdade, embora também não se saiba quem foi o último entre alguns nomes enforcados naquela ocasião.
Só se pode afirmar que Diogo Alves é um repositório de mistérios e que a sua alegada cabeça dentro de um vidro mora mesmo na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, onde não é fácil visitá-la, não é uma atração totalmente aberta ao público.
Talvez Diogo tenha sido relacionado às mortes no Aqueduto depois de ter sido preso pelos assassinatos que cometeu roubando casas, criando-se assim uma lenda a seu respeito, já que os indícios de suicídio superam os de assassinato.
Por fim, é bom também registrar que o controverso meliante foi tema de um dos primeiros filmes de ficção realizados em Portugal, Os Crimes de Diogo Alves, produzido no distante ano de 1911!
Portanto, nem todo lugar considerado pacífico o é de todo e nem todo canto visto como perigoso o é em tempo integral. Menos convicções e mais pesquisas, ora pois.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]
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