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Maio e suas cicatrizes: quando a violência gera mais violência

Michelle Alves, Psicóloga e Professora da UEMG-Barbacena

 

O mês de maio nos convida a reflexões importantes para a sociedade.

Entre elas, está a Luta Antimanicomial, profundamente ligada à história de Barbacena, cidade que, por muito tempo, ficou marcada pelo estigma de “Cidade dos Loucos”. Trata-se de um período político, histórico e social atravessado por práticas equivocadas de intervenção em saúde mental, que deixaram marcas profundas em todos aqueles que, direta ou indiretamente, foram afetados pelo chamado Holocausto Brasileiro.

Hoje, compreendemos que violência, aprisionamento, punição e castigo não são formas eficazes de tratamento, cuidado ou promoção da saúde mental.

Aprendemos que o trabalho em rede, aliado ao acolhimento, ao respeito e a ações articuladas no território, possibilita lidar com as diferenças de maneira mais humana, empática e assertiva. Afinal, viver em comunidade é também aprender a cuidar uns dos outros.

Outra reflexão importante acontece em 18 de maio, data dedicada ao Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Trata-se de um tema sensível e de extrema relevância, pois sabemos que aquilo que vivenciamos na infância, durante nosso processo de desenvolvimento, impacta profundamente a vida adulta.

As experiências, marcas e cicatrizes podem contribuir de maneira positiva ou negativa para nossa forma de pensar, sentir e agir no mundo, tanto em relação a nós mesmos quanto às outras pessoas.

Cuidar e proteger aqueles em situação de maior vulnerabilidade — como crianças, adolescentes, idosos e pessoas em sofrimento psíquico — é uma responsabilidade coletiva, que deve ser compartilhada entre toda a sociedade e o poder público.

Essas duas reflexões não se encontram no calendário de forma aleatória. Ambas trazem a violência como elemento central.

Violências física, psicológica, social, sexual e moral deixam marcas profundas no corpo, na mente e na vida de todas as pessoas envolvidas. Algumas feridas permanecem abertas por muito tempo; outras, por vezes, parecem nunca cicatrizar.

Isso impacta nossa saúde física, mental e social. E, quando não encontramos caminhos para elaborar, tratar e curar essas dores, elas podem alimentar um ciclo destrutivo no qual a violência gera ainda mais violência.

A boa notícia é que, apesar da dor, do trauma e do sofrimento, é possível escolher caminhos diferentes.

É possível buscar ajuda, cuidar das feridas abertas, reconstruir a forma como pensamos, sentimos e nos relacionamos. Romper ciclos também é um ato de coragem.

Por isso, fica o convite à reflexão: quais ciclos de violência — sofridos ou reproduzidos — fazem parte da sua história?

Mais do que reconhecer essas marcas, é fundamental buscar apoio para transformá-las, promovendo saúde física, mental e social. Também convidamos a buscar os serviços de saúde mental para tratamento dessas e outras dores.

Porque gentileza gera gentileza. Respeito gera respeito. Acolhimento gera acolhimento. Cuidado gera cuidado.

E saúde mental também gera saúde mental.

Gratidão! Namastê!

Canais de denúncia e atendimento em Barbacena

Para denunciar abuso e violência contra crianças e adolescentes:

  • Disque 100
  • Polícia Militar: 190
  • Conselho Tutelar: (32) 99956-6263 – Praça Comendador Thompsom Scafuto – Funcionários

Atendimento para crianças e adolescentes: CAPSi – Estação Vida
(32) 3198-1085 – Praça Adriano de Oliveira, 145 – Centro

Atendimento para adultos: CAPS Germânio Eustáquio da Silva
(32) 3198-1184 | (32) 99954-1902 – Rua Rio de Janeiro, 32 – Ibiapaba

CAPS AD III: (32) 3198-1159 | (32) 99998-0461 Rua Francisco Sá, 153 – Centro

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