Barbacena será palco, no próximo dia 25 de maio (segunda), de uma solenidade considerada histórica para a saúde mental em Minas Gerais. O evento marcará oficialmente a desinstitucionalização dos últimos pacientes do antigo Hospital Colônia e simbolizará o encerramento definitivo das internações psiquiátricas de longa permanência no município.
A cerimônia acontecerá às 14h, no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, e contará com a presença do secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, da presidente da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Renata Dias, além do prefeito de Barbacena, Carlos Augusto Soares do Nascimento.
No convite oficial, o ato é definido como “o fim de uma era”, em referência ao encerramento de um modelo manicomial que marcou profundamente a história da cidade e da saúde mental no Brasil.
O anúncio do encerramento das internações asilares foi feito em fevereiro deste ano pelo secretário Fábio Baccheretti, durante reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB-SUS/MG), em Belo Horizonte. Na ocasião, o Governo de Minas confirmou que os últimos 15 pacientes ainda submetidos ao regime asilar seriam transferidos para Serviços de Residência Terapêutica (SRTs) e para uma nova Casa de Acolhimento Terapêutico, sob gestão da Secretaria Municipal de Saúde de Barbacena.
A proposta prevê que os pacientes passem a viver em ambientes com características familiares, contando com acompanhamento profissional permanente, assistência individualizada e incentivo à convivência social e à autonomia.
Reconhecido internacionalmente pelos episódios de violações de direitos humanos ocorridos ao longo do século XX, o antigo Hospital Colônia tornou-se símbolo de um sistema manicomial marcado pela exclusão e pelo sofrimento de milhares de pessoas. Durante o anúncio realizado em fevereiro, Baccheretti classificou a medida como uma “correção de rota” histórica. “Não corrige os erros cometidos de décadas atrás de um problema mundial, mas é, de fato, uma correção necessária. Queremos que este seja o último capítulo contado em nosso Museu da Loucura”, afirmou o secretário na ocasião.
Com a desativação definitiva das vagas de longa permanência, a expectativa é que o espaço do antigo hospital fortaleça ainda mais seu papel de preservação da memória, reflexão e conscientização por meio do Museu da Loucura.
A solenidade do dia 25 deve reunir autoridades estaduais, representantes da saúde pública, profissionais da área, familiares e membros da comunidade, em um momento considerado simbólico para Barbacena e para a história da reforma psiquiátrica em Minas Gerais.










