Arthur Raposo Gomes – jornalista, publicitário e estrategista em Comunicação
Por exigência da legislação eleitoral, o então governador de Minas Gerais, Romeu Zema, deixou o cargo para viabilizar sua pré-candidatura à Presidência da República. Com isso, o vice, Mateus Simões, assumiu o comando do Estado em um movimento que já estava desenhado há algum tempo. Não, não foi algo improvisado.
A trajetória de Simões ajuda a entender esse processo. A primeira empreitada eleitoral dele foi em 2016, quando foi eleito como vereador em Belo Horizonte, sendo o primeiro representante parlamentar do Novo no estado. Depois, ganhou espaço no primeiro governo Zema como secretário-geral e, em 2022, consolidou sua posição ao compor a chapa pura reeleita ainda no primeiro turno rumo ao segundo mandato de Romeu Zema em Minas. Ali, o roteiro já indicava o que viria.
A saída de Zema e a ascensão de Simões podem ser vistas, em primeiro momento, como uma formalidade institucional, mas, o fato é que são parte de uma estratégia política mais ampla, que envolve tempo de exposição, construção de imagem e tentativa de consolidação eleitoral. E é aí que entra um conceito central da Comunicação Política contemporânea no Brasil e no mundo: a campanha permanente.
Mesmo antes do período oficial, a disputa já está em curso. Não com pedido direto de voto, mas com presença, agenda, visibilidade e construção de narrativa.
A mudança de legenda de Mateus Simões, do Partido Novo para o PSD, ocorrida em 2025, é um exemplo evidente disso: trata-se de movimento de ampliação de base, especialmente no interior, onde a política ainda passa muito por estrutura e capilaridade.
Os primeiros cenários testados e divulgados de pesquisas de intenção de voto neste ano, no entanto, mostram um cenário não favorável para o sucessor de Zema: Simões aparece com baixo percentual na corrida (pré-)eleitoral. E há um dado mais sensível: uma parcela relevante do eleitorado não sinaliza disposição automática de transferir apoio ao sucessor do atual governo, conforme divulgado por pesquisa Genial/Quaest em abril. Esse tipo de cenário costuma acelerar estratégias.
O programa “Governo Presente”, apresentado como uma iniciativa de aproximação com a população, também pode ser lido dentro dessa lógica. Ao percorrer cidades-polo, concentrar serviços e ampliar a presença do Estado no interior, o governo cria agenda e, ao mesmo tempo, amplia visibilidade. Não é ilegal. Não é novidade. É política em funcionamento.
O governador circula, fala, anuncia, aparece. Ocupa espaço. E faz isso em um momento em que a disputa ainda não começou oficialmente, mas já está sendo construída no cotidiano. A questão não é se isso acontece, mas se isso será suficiente.
Em Minas, eleição majoritária nunca é simples. O estado costuma responder de forma própria, nem sempre previsível, e com forte influência de variáveis regionais.
Além disso, a montagem de palanques ainda está em aberto. O PSD tem seus próprios movimentos no cenário nacional, com a pré-candidatura presidencial do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O PL também, seguindo apostando em um nome da família Bolsonaro – desta vez, Flávio – para colocar-se como oposição ao PT. E a forma como essas peças vão se encaixar pode alterar o rumo da disputa no estado.
No fim, a pergunta segue em aberto. A presença constante, a agenda no interior e a exposição institucional serão capazes de transformar um governador recente em candidato competitivo?
Em política, tempo de tela ajuda. Mas não resolve nada sozinho.










