O Governo de Minas Gerais anunciou, na última quinta-feira (30), um pacote de R$ 440 milhões em obras e projetos de infraestrutura rodoviária para a região do Campo das Vertentes. O anúncio foi feito pelo governador Mateus Simões durante encontro com lideranças municipais em Barbacena, dentro da programação do Governo Presente.
As intervenções abrangem desde a recuperação de rodovias já existentes até a pavimentação de novos trechos, como a aguardada ligação entre Ibertioga e Piedade do Rio Grande, na MG-338, que já está em fase de licitação.
Segundo o governo, parte das obras começa ainda em 2026, com investimentos iniciais de cerca de R$ 55 milhões em rodovias estratégicas da região. Outros R$ 150 milhões estão previstos para o segundo semestre, enquanto projetos futuros, estudos técnicos e intervenções de longo prazo se estendem até 2028.
Promessas amplas, prazos longos
Apesar do volume expressivo de recursos e da diversidade de obras anunciadas, o cronograma apresentado chama atenção pela extensão no tempo. Parte significativa das intervenções está prevista apenas para 2027 e 2028 — ou sequer possui data concreta para início, dependendo ainda de projetos, convênios e orçamentos em elaboração.
É o caso de diversas ligações regionais, contornos urbanos e melhorias estruturais que permanecem no papel, com previsão de estudos que somam mais de R$ 11 milhões.
A própria obra da MG-338, um dos principais destaques do pacote, ainda depende da conclusão do processo licitatório e posterior início dos trabalhos, o que, na prática, pode empurrar sua execução efetiva para os próximos anos.
Entre a necessidade e a realidade
Não há contestação quanto à importância das intervenções. A malha rodoviária do Campo das Vertentes enfrenta problemas históricos, com trechos deteriorados, gargalos urbanos e ligações inexistentes entre municípios. O próprio governador reconheceu a demanda ao citar cidades com crescimento desordenado, estradas precárias e ausência de conexões viárias adequadas.
Enquanto prefeitos e lideranças regionais celebram o anúncio, a população acompanha com cautela. A experiência recente mostra que nem todos os projetos anunciados saem do papel dentro do prazo previsto.
Diante disso, o pacote de R$ 440 milhões chega carregado de esperança, mas também de desconfiança: será um marco na infraestrutura regional ou mais uma lista de promessas que atravessam gestões?
A resposta, como de costume, não está no anúncio — mas na execução.










