facebook
Publicidade Local

Diferentes microrganismos e diferentes formas de intervenção

Por: Doutor Delton Mendes Francelino, Coordenador Científico do Centro de Pesquisa em Ecologia, Saúde Pública e Mudanças Climáticas de Minas Gerais, e Diretor do Instituto Curupira. Autor de 3 livros 

Os microrganismos que mais frequentemente se relacionam com doenças humanas pertencem a grupos muito diferentes entre si, tanto na estrutura quanto na forma de vida. Bora entender alguns deles?

Os vírus são as formas mais simples, pois não possuem célula, sendo basicamente material genético envolto por uma cápsula proteica. Por não terem metabolismo próprio, só conseguem se multiplicar dentro de células hospedeiras, “sequestrando” o funcionamento delas. Um exemplo clássico de doença viral é a COVID-19, que se espalha principalmente por vias respiratórias, provocada pelo Sars-cov-II.

As bactérias, por outro lado, são organismos unicelulares completos, com estrutura celular do tipo procarionte (sem núcleo organizado). Muitas são benéficas, mas algumas causam doenças. Elas conseguem viver e se reproduzir de forma independente em diversos ambientes. Um exemplo é a tuberculose, que afeta principalmente os pulmões.

Os fungos já são organismos eucariontes, podendo ser unicelulares (como leveduras) ou multicelulares (como bolores). Eles se alimentam por absorção e preferem ambientes úmidos. Algumas espécies podem causar infecções, sobretudo na pele e mucosas. Um exemplo comum é a candidíase, que pode afetar regiões como boca e genitais.

Por fim, os protozoários são organismos unicelulares e eucariontes, geralmente encontrados em ambientes aquáticos ou úmidos. Muitos são parasitas e dependem de hospedeiros para sobreviver. Um exemplo importante é a malária, causada por protozoários do gênero Plasmodium e transmitida pela picada de mosquitos.

Assim, enquanto vírus dependem totalmente de células para se reproduzir, bactérias possuem vida independente, fungos apresentam organização mais complexa e nutrição por absorção, e protozoários frequentemente atuam como parasitas, revelando a diversidade de formas de vida microscópicas e suas relações com a saúde humana.

A divulgação científica nessa área é essencial para ampliar a compreensão pública e profissional sobre as diferenças entre vírus, bactérias, fungos e protozoários, evitando erros comuns que ainda ocorrem mesmo entre pessoas de diferentes formações. A falta desse conhecimento pode levar a interpretações equivocadas sobre doenças e, principalmente, ao uso inadequado de tratamentos, já que cada grupo exige medicamentos específicos,  antibióticos atuam contra bactérias, mas não têm efeito sobre vírus; antivirais são direcionados a infecções virais; antifúngicos combatem fungos; e antiparasitários são usados contra protozoários. Quando essas distinções não são bem compreendidas, há riscos como automedicação, agravamento de quadros clínicos e até o aumento da resistência microbiana. Por isso, investir em comunicação científica acessível, crítica e bem fundamentada é uma estratégia fundamental para promover saúde, orientar decisões terapêuticas mais adequadas e fortalecer a relação entre ciência e sociedade.

 

Apoio Divulgação Científica: Samara Autopeças e Café Soberano

Diferentes microrganismos e diferentes formas de intervenção - Captura de tela 2025 11 29 092150 e1774740002938

Destaques do dia