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    Barbacena, MG Previsão completa
  • 14 de junho de 2020: faz 125 anos que a maçonaria atua em Barbacena

    Nesta data, a Augusta e Benemérita Loja Maçônica Regeneração Barbacenense, Integrada a outras seis Lojas, instaladas e atuantes   na Cidade, prioriza, além do sentimento fraterno, unificador e perene, a defesa dos ideais democráticos, visando ao progresso de Barbacena, de Minas e do Brasil.

    No curso dos anos, os maçons nunca se ajoelharam ante a prepotência, e  jamais se quedaram  às injustiças e preconceitos.

    Em termos de Portugal, Brasil, Minas Gerais e Barbacena, nunca é demais volver os olhos à pesquisa histórica e se situar no ano de 1808, com a chegada de D. João VI e componentes da Corte portuguesa ao Brasil, afugentados pelas tropas francesas comandadas por Junot. Diante das injunções daquele momento, até mesmo o famigerado anti-maçom, Conde de Arcos, fechou os olhos, quando fundaram, na Bahia, no ano de 1808, a Loja “Humanidade”, sucessora da Virtude e Razão, instalada em 1802.

    Entre os anos de 1812 e 1817, surgiram lojas na Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. A Loja “Universidade” funcionou na casa do Dr. Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva (irmão de José Bonifácio e de Martim Francisco). A Loja “Comércio e Artes” foi fundada em 1815, tendo nela se filiado Joaquim Gonçalves Ledo.

    O ideal de liberdade, patrimônio maior dos maçons, já em 1816, era pregado pela Grande Loja provincial de Pernambuco, lançando a chama de uma possível República Federativa do Brasil. Em seis de março de 1817, cabeças rolaram e vários maçons foram aniquilados na Revolução pernambucana. Em Minas Gerais, sob a égide do “Libertas quae sera Tamem”, e do triângulo maçônico, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, legou seu corpo e alma pela pátria brasileira.

    O Grande Oriente do Brasil foi fundado no Rio de Janeiro na data de 17 de junho de 1822 e instalado no dia de São João, naquele mesmo mês.

    Em 31 de julho de 1822, poucos meses antes do “Independência ou Morte”, de D. Pedro Iº, no sete de setembro, foi fundada, em Minas Gerais, a “Loja Maçônica Mineiros Reunidos”, tendo como venerável Mestre o francês Guido Thomas Marliere. (A cidade de Guidoval o homenageia).

    Os mineiros e maçons deviam conhecer parte da biografia desse porta-estandarte e voluntário, incorporado em 1802, em Portugal, na Guarda Real de Polícia a Pé e a Cavalo, feito alferes no ano de 1807, e chegado em Vila Rica em 1811.

    Guido Marliere, com seus soldados, abriu estradas, pacificou inúmeras tribos na Zona da Mata mineira e desbravou todo o Vale do Rio Doce.

    A Loja Fidelidade Mineira, de Juiz de Fora, foi fundada em 12 de março de 1870. Sua Instalação contou com a presença de numerosa comitiva de irmãos do Rio de Janeiro, inclusive de Quintino Bocaiúva. Duas escravas foram alforriadas na festiva sessão de Instalação daquela oficina: a negrinha Honorata, de 14 anos, e Tereza, de 18 anos. Comemorou 150 anos de atividade.

    A Loja “União Fraternal” de Barbacena, foi provavelmente fundada em novembro de 1872. Teve sede própria em imóvel constituído de uma morada de casas assobradadas, coberta de telhas, tendo quatro portas no pavimento térreo e quatro janelas no primeiro andar, sita na Rua São Vicente, atrás da igreja do Rosário e junto ao cemitério. Adquirente: Sociedade Beneficente União Fraternal. João Augusto da Rosa foi seu primeiro Venerável, Eduardo Augusto Dalox, 1º Vigilante, José Pinto de Souza, 2º Vigilante, Thimoteo Cardoso Abranches Jr., Orador, e João Manoel de Oliveira Brasil, Tesoureiro. Este cidadão, João Manoel, foi valoroso combatente na Batalha de Tuiuti, na Guerra do Paraguai. Deu nome a uma Rua no Bairro São José

    “A Loja Operários da Luz”, de Barbacena, fundada em 1880, teve vida breve e, segundo consta, manteve estreita relação com a Loja “ Operários da Luz.

    No confronto das ideias e embates políticos, envolvendo o sistema Imperial e o emergente modelo Republicano. No tempo do fraque e da cartola, finalizando o século, unidos, monarquistas e republicanos barbacenenses, em 14 de junho e 1895, fundaram a Loja Maçônica Regeneração Barbacenense.

    Foram eles:

    Venerável Mestre Instalador – Dr. Luiz Chapot Prevost – Francês de nascimento, cirurgião dentista, residia no Rio de Janeiro, veio a Barbacena com a finalidade de instalar a Diretoria Provisória da Loja Regeneração Barbacenense. Luis Chapot Prevost veio para Minas Gerais com a legião de operários encarregados da fundação da cidade de Belo Horizonte, então Curral D”El Rey, mudando-se de Barbacena). Consta que ele foi o primeiro Venerável da Loja Marquês de Pombal da nova Capital, além de fundador da “Loja “ Deus Humanidade e Luz”, também de Belo Horizonte.

    Venerável Fundador: Cel. Timóteo Ribeiro de Freitas- Não era barbacenense. Veio moço para a cidade. Titular do Cartório do 1º Ofício Judicial de notas de Barbacena, advogado solicitador, Coronel da Guarda Nacional e chefe dessa corporação em Barbacena. Foi nomeado inspetor da Instrução Pública. Foi Vereador e Suplente de Juiz federal. Foi nomeado Fiscal do Governo Federal junto ao Internato do Ginásio Mineiro. Pai do maçom José Alberto de Freitas, iniciado em 22 de agosto de 1901 e avô do Dr. Wilson de Oliveira Freitas, maçom e médico fundador do atual Hospital da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, de Barbacena e Brigadeiro do serviço de saúde da Aeronáutica. Uma das netas do fundador da Loja, já nonagenária, foi descoberta, em 2006, num abrigo de velhos em Barbacena e assistida pela Loja Regeneração Barbacenense. O ilustre cidadão, Sargento Ramos, conheceu e conviveu com os últimos descendentes do fundador, gentilmente, oferecendo à Loja um retrato daquele fundador.

    1º Vigilante: Vitalino Meniconi- Natural da Toscana, Itália, chegou em Barbacena oriundo da cidade de Mar de Espanha, onde fez parte da Loja Caridade Mineira. Foi iniciado no Rio de Janeiro na Loja “Philantropria e Ordem”, no ano de 1883. Embora Italiano falava bem o português e foi Orador de Loja por muitos anos. Foi fundador da Loja Labor e seu Venerável. Em 1902 tornou-se membro efetivo do Supremo Conselho do Brasil. Seu filhos Álvaro e Atílio Meniconi também foram iniciados na Loja Regeneração Barbacenense.

    2º Vigilante: Antônio Francisco da Fonseca – Provavelmente iniciado na Loja “União Fraternal”, em 1898 era Guarda fiscal do Matadouro de Barbacena e proprietário de uma colchoaria na cidade.

    Orador: Alfredo Amaro Renault- Nascido em 15 de janeiro de 1855, farmacêutico formado em Ouro Preto, proprietário da Farmácia Renault, instalada na Praça Conde de Prados de Barbacena, Vereador à Câmara Municipal de Barbacena por vários mandatos, chefe da famosa Campanha Civilista, avô do Dr. Abgar Renault, membro da Academia Brasileira de Letras e bisavô do Dr. Fernando Victor de Lima e Costa, advogado, professor e político brilhante de Barbacena. Este valoroso maçom foi venerável da Loja por nove vezes. Da família Renault descende, hoje, o maçom  José Léo Renaut Grossi, empresário gráfico.

    Secretário: Arthur Joviano – Professor de português do Ginásio Mineiro, estudioso e autor de um método de alfabetização adotado em todo o Estado de Minas Gerais por muitos anos. Autor de vários livros didáticos. Diretor do Jornal “A Folha”, editado em Barbacena, tendo como seu Redator-chefe o renomado jurista  e maçom,  Dr. Mendes Pimentel. Joviano Fernandes, seu irmão, também foi iniciado na Regeneração Barbacenense em 5 de setembro de 1895.

    Tesoureiro: Antônio de Azeredo Coutinho – Nasceu no Arraial Velho de Santana, então Distrito de Raposos, Município de Sabará, Província de Minas Gerais, em 15 de maio de 1857. Diplomado farmacêutico, em Ouro Preto, chegou a Barbacena estabelecendo-se na Rua XV de Novembro. Foi propagandista da República e Membro do Clube Republicano. Fez parte da Intendência Municipal que sucedeu à última Câmara Municipal do Império, ajudando na organização do município. Foi nomeado por Afonso Pena, em 1893, Escrivão do 1º Ofício da Comarca de Barbacena. Foi presidente da Liga Barbacenense Contra o Analfabetismo. Em 1930, ano de seu falecimento, foi um dos agitados defensores da Aliança Liberal.

    Mestre de Cerimônias: Dr. José Olívio de Uzeda – Doutor em medicina pela faculdade da Bahia, major do Exército, veio para Barbacena em 1891, acompanhar o Marechal de Ferro Floriano Peixoto em restabelecimento da saúde daquele positivista e republicano. Por sua influência foi fundada em Barbacena, entre os anos de 1894 a 1896, a Enfermaria dos Convalescentes do Exército, na estação do Registro, hoje Colônia Rodrigo Silva. Em 1894 ele residiu em Barbacena, na Rua Tiradentes com a esposa e um filho. Em junho de 1896 foi extinta a tal enfermaria e Uzeda foi transferido para o Hospital Central do Exército no Rio de Janeiro. Findou sua carreira militar como Chefe do Serviço Sanitário do Exército, em Niterói.

    Cobridor: Francisco (Maronac) Marcucci- Natural da Itália. Foi iniciado no dia da fundação da Loja. Era proprietário do Hotel Martineli.

    Achavam-se, também, presentes à sessão de fundação da Loja os irmãos:

    José Joaquim Cavalheiro – Residente em Pedra do Sino. Provavelmente iniciado na Loja União Fraternal. Já era detentor do Grau 18 quando participou da fundação da Regeneração Barbacenense.

    Foi este irmão quem levantou fundos, através de óbulos na Loja, para a construção da torre da Igreja do Rosário, em 1886.

    Camilo de Castro Leite- Nascido em Barbacena em 16 de maio de 1848 e falecido em 1931. Foi republicano convicto e Tesoureiro do Clube Luz e Liberdade, cujo presidente era o maçom Arthur Joviano. Foi eleito Juiz de Paz da cidade. Foi nomeado Coronel da Guarda Nacional e fez parte do Partido Republicano Mineiro como amigo e correligionário do então Senador Bias Fortes. Foi o primeiro ecônomo da Assistência a Alienados do Estado de Minas Gerais, cargo em que se aposentou.

    No dia 20 de abril de 1900, os maçons barbacenenses viajaram para a cidade de Palmira, hoje Santos Dumont, para se hospedarem no Hotel Lobosco, de Vicente Romano Lobosco e, numa de suas salas, fundar e instalar a Loja Maçônica União Palmirense, hoje Loja Antenor Aires Vianna.

    Entre 1895 a 1925 A Regeneração Barbacenense teve 14 Veneráveis, dentre eles o Barão Hugo Von Krauss, natural de Partubice, na Tchecoslováquia, perto de Praga. Ainda jovem, enamorou-se de uma princesa cuja família se opôs ao casamento. Desiludido, fez voto de celibato e veio para o Brasil em 1893. Começou a vida em Mar de Espanha, foi professor de alemão no Externato do Ginásio Mineiro de Ouro Preto, donde se transferiu para o Ginásio Mineiro de Barbacena, em 22 de novembro de 1895. Gordo, baixinho e muito vermelho era, segundo seus biógrafos, muito querido na cidade por ser caridoso.

    Consta, que o maçom  Adolfo Carlos Frederico Remmers, Dr. Em filosofia pela Universidade de Heinderberg, também estrangeiro, natural de Hanover, Alemanha, era celibatário e amigo do Barão Krauss. Juntos fizeram o nome e glória do Ginásio Mineiro. Residiam em Barbacena, na Rua de Baixo, leia-se, hoje, Rua Sete de Setembro. Segundo cons,  um deles, já bem idoso, numa pequena carroça, tipo carruagem, deixava a cidade para ir à colônia Rodrigo Silva levar ajuda e amparo para os imigrantes italianos lá aportados.

    O Dr. José Bonifácio de Andrada e Silva, advogado, Deputado Federal e Embaixador na Argentina, Portugal e na Santa Sé, foi iniciado em nossa Loja e eleito Venerável em 1896, não chegando a tomar posse.

    Dentre centenas de outros cidadãos, civis e militares, membros da Loja, merece destaque o Dr. Francisco Mendes Pimentel, que dá nome a Fórum da Comarca de Barbacena. Carioca de nascimento, formou-se em Direito em São Paulo. Em Barbacena casou-se e foi jornalista e fundador de “A Folha”, de propriedade do maçom Arthur Joviano. Comandou, em Barbacena a “Centúria Republicana”. Além de professor da Escola Normal, foi nomeado por título como professor de História geral do Ginásio Mineiro. Foi Deputado Federal, deixando o cargo e indo residir em Belo Horizonte, onde fez carreira como jurista. Professor da Faculdade de Direito de Belo Horizonte, Reitor da Universidade de Minas Gerais, Fundador da Revista Forense, Fundador e 1º Secretário do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Eleito e reeleito por muitos mandatos para o Tribunal de Ética Profissional da Ordem dos Advogados do Brasil. Este maçom fez parte da comissão que elaborou os Estatutos de nossa Loja. Afirmou o historiador Dr. Paulo Garcia: “Sobre esse maçom disse Augusto de Lima:” O nome Mendes Pimentel é um programa, um símbolo, uma glória nacional.”

    Finda a primeira guerra mundial, a Gripe espanhola chegou a Barbacena, ceifando vidas. A casa mãe da caridade, a maçonaria dos famintos e miseráveis, teve papel decisivo com a seguinte estatística: socorreu 1.019 famílias. Numa farmácia improvisada na loja, 217 receitas médicas foram aviadas e farta quantia em dinheiro gasta pelos irmãos com fornecimento de alimentos, medicamentos e transporte. O Grande Oriente do Brasil, por reconhecimento, outorgou à Regeneração Barbacenense o Título “Loja Augusta e Benemérita.”

    O Colégio Militar foi instalado em Barbacena, cumprindo termos do Decreto número 9.507, de três de abril de 1912, assinado pelo então Presidente da República, o Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca e pelo Ministro da Guerra, General Vespasiano de Albuquerque.

    Oficias professores e serventuários do Colégio Militar de Barbacena eram maçons, republicanos e positivistas, todos educados por Benjamim Constant e Floriano Peixoto no Colégio Militar do Rio de Janeiro

    Neste período, o efetivo da Polícia na cidade era representado pelo 3º Batalhão da Brigada Policial de Minas. Muitos Alferes-quartel-mestre foram iniciados e fizeram parte da Regeneração Barbacenense.

    Com a presença de autoridades civis, militares e de 21 irmãos, no sete de setembro de 1922, centenário da Independência, o Venerável Mestre, Major Pedro Mariani Serra, lançou a pedra fundamental do Prédio atual da Loja na Avenida Bias Fortes, inaugurado oficialmente em 21 de abril de 1924.

    Uma Escola para alfabetização de crianças e adultos, campanhas de profilaxia através de vacinação, serviço de atendimento médico a pessoas carentes, planejamento e implantação da feira livre na cidade, auxílios a idosos e centenas de outras atividades pedagógicas e filantrópicas, anonimamente ornaram a atividade dos pedreiros livres em Barbacena.

    Entre 1925 e 2020, Prefeitos e dezenas de vereadores Barbacenenses tornaram-se maçons. Nas Universidades, professores, médicos, advogados, administradores, historiadores e profissionais de relevo graduaram, e se revelaram   formadores de opinião, vestindo o avental do aprendiz, companheiro e Mestre.

    Deputados ilustres dignificaram a representatividade da Regeneração Barbacenense e dois foram Presidentes do Poder Legislativo maçônico. Três Grão-Mestres, membros da Regeneração, dignificaram seus cargos.

    E hoje, nesse junho de 2020, com a cidade de Barbacena e o Brasil atacados por uma pandemia mortífera, denominada Corona Vírus, a filantropia   se impõe como meta.

    O Venerável Mestre da Loja Regeneração Barbacenense, Dr.Mauro  Eduardo Jurno, apoiado por todos os seus pares, lançando  mão da modernidade virtual, reuniu todas Lojas de Barbacena  para  comemorar os 125 anos da maçonaria em Barbacena, distribuindo centenas de Cestas básicas para famílias carentes, justificando a legenda:

     

    LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE

    Loja Maçônica Regeneração Barbacenense (125 anos);

    Loja Maçônica Portal da Mantiqueira;

    Loja Maçônica Luz das Vertentes;

    Loja Maçônica Estrela Serena;

    Loja Maçônica Fraternitat et Justitiae;

    Loja Maçônica Epaminondas Souza Costa;

    Loja Maçônica Cavaleiros da Inconfidência.

    Barbacena, 14 de junho de 2020.

    GERALDO RIBEIRO DA FONSECA M.I- 33