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Você sabe o que são recifes de corais? Sabia que estamos provocando-lhes sérios e irreversíveis danos?

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Por Júlia Gonçalves, membro do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IF Sudeste, Campus Barbacena, graduanda em Ciências Biológicas, sob orientação do Prof. Delton Mendes

 

“(…)Apesar de existirem Unidades de Conservação, que ajudam na luta pela preservação desses seres e ecossistemas, os recifes de corais estão sofrendo rápida e perigosa degradação ambiental, por sua vez, intimamente ligada às atividades humana.”

Os corais são de seres vivos marinhos muito antigos pertencentes ao filo dos cnidários (grupo dos pólipos) apresentando exoesqueleto composto por carbonato de cálcio, naturalmente brancos e recobertos por uma camada de tecido translúcido; são rígidos e não se locomovem. Tais características permitem a associação de outros seres vivos nas suas proximidades, ou até mesmo em seu interior, vivendo em associações simbióticas, como ocorre com peixes e também as microalgas zooxantelas, gerando verdadeiros ecossistemas, com milhares, ou milhões de anos de evolução ambiental.

Segundo Vanessa Sardinha (2019), “as zooxantelas, que vivem dentro do tecido dos corais são responsáveis pela coloração típica desses animais e por suprir suas necessidades energéticas. Para isso, os corais contam com a ajuda dos compostos orgânicos produzidos por elas no processo de fotossíntese. Além disso, as algas estão relacionadas com o aumento na taxa de calcificação dos corais. Elas também são beneficiadas pelo coral, que além de protegê-las, fornece-lhes gás carbônico e nutrientes inorgânicos.”

Os ecossistemas gerados a partir dos recifes de corais são altamente diversificados e, de acordo com o Ministério do meio Ambiente (2018), “uma em cada quatro espécies marinhas vive nos recifes, incluindo 65% dos peixes”. Além disso, tais aglomerados de corais servem como abrigo e local de reprodução para diversas espécies, sendo ainda uma área rica em alimento para os animais que habitam esse local. Apesar de existirem Unidades de Conservação que ajudam na luta pela preservação desses seres e ecossistemas, os corais estão sofrendo rápida e perigosa degradação ambiental, por sua vez, intimamente ligada às atividades humanas. Várias situações de estresse podem fazer com que a relação simbiótica seja quebrada como, por exemplo, o aumento da temperatura nos oceanos, que tem relação direta com o aquecimento global, que resulta no processo de expulsão das algas que habitam os corais, deixando sua camada externa exposta e, consequentemente, sem cor. Esse processo é conhecido como “branqueamento dos corais” e, segundo o oceanógrafo Miguel Mies, do Laboratório de Ecologia e Evolução de Mar Profundo (LAMP), do Instituto Oceanográfico da USP (IO), “como essa relação simbiótica é essencial para os animais, muitas vezes o branqueamento leva à morte.”

Os recifes de corais além de serem fundamentais na manutenção da biodiversidade marinha são, ainda, importantes para a economia mundial. Apesar disso, atividades antropicas como a pesca excessiva, a grande quantidade de plásticos e outras formas de poluição, e o turismo descontrolado nos oceanos, têm sido algozes da biota em questão. Mies (USP) alerta para os prejuízos decorrentes da morte dos corais: “O desaparecimento deles significa perda de habitats e, consequentemente, de biodiversidade. Além do disso, recifes são economicamente importantes, pois produzem alimento para países costeiros, particularmente para aqueles de porte pequeno, que não possuem gado. (…) Perdê-los significa prejudicar esses países e atividades econômicas, além, é claro, da biodiversidade do planeta.”

 

Apoio divulgação científica: Samara Autopeças

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