Você respeita a minha opinião e eu respeito a sua

Francisco de Santana

Lendo alguns perfis da rede social nesse período carnavalesco deparei-me com algumas frases como: “Carnaval é o ópio do povo”, “Festa do diabo”, “Povo desocupado e bêbedo que só fica na rua atrapalhando o trânsito e a nosso sossego”, “Pessoal louco gastando energias a troco de nada”, “Falta de serviço”, “Festa maluca, é homem querendo ser mulher e mulher querendo ser homem”, “O que a bebida e a droga fazem com esses demoníacos”, “Quinta feira os hospitais estarão lotados de gente doente com covid, chikungunya, zica, dengue.”

Esse tipo de gente é chamado de “reativo” pelo filosofo alemão Nietzsche.  Para ele existem dois tipos de gente no mundo. As mais raras são as “ativas” e as mais abundantes são as que escrevem comentários listados acima. Ele acredita que somos movidos por uma energia que nos faz fazer as coisas e ela é chamada de Vontade ou Potência e essa vontade será “ativa” ou “reativa”. O regido pela primeira é uma pessoa forte e a segunda, obviamente por uma pessoa fraca.

A pessoa forte ou ativa não se importa com a opinião alheia, pois ela busca sempre o prazer, a alegria e a felicidade. Já os reativos ou fracos sempre quer impedir a pessoa ativa de sentir prazer. São os chamados de inimigos da alegria. Os ativos são livres e obedecem apenas seus próprios desejos. Os reativos são incapazes de fazer o mesmo e, por não conseguirem ser livres para buscarem prazer, fazem de tudo para que ninguém consiga. Os ativos agem, os reativos reagem às ações dos ativos. Nietzsche chama isso de inveja.

Para ele “carnaval é uma festa ritualística em que foliões fantasiados e mascarados se transformam num outro, numa espécie de efeito catártico e regulador do equilíbrio, numa trégua e alívio às proibições e medos. Os rituais facilitam a comunicação entre o mundo externo e o mundo interno possibilitando a partir da vivência um mergulho profundo na emoção”.

Nunca fui um folião ativo. Recebi vários convites para desfilar em blocos, escolas de samba, nunca como passista e sim como integrante de bateria, por ter participado no colégio de uma famosa fanfarra. Sempre acompanhei os desfiles pela televisão ou na rua como repórter de uma emissora de rádio que eu trabalhava. Reconheço minha timidez e por ser “Nota Zero” em gingado, requebros e samba no pé. Pertenço a uma família de foliões e isso não foi o suficiente para copiar os gostos deles. Então, entre o ativo e o reativo eu me situo no meio. Jamais desejei ou desejarei o mal para quem pensa diferente de mim e encontra alegria em lugares que eu não encontro. Não sinto inveja de quem é passista, carnavalesco, sambista, ritmista, intérprete, seja lá o que for, apenas reconheço a minha incompetência nesses quesitos. Nota zero para mim novamente.

Se você preferir reflita sobre esse texto:

“Um oficial espanhol viu um dia São Pedro Claver com um grande saco às costas.

 

– Padre, aonde vai com esse saco?

 

-Vou fazer carnaval, pois não é tempo de folgança?

 

O oficial quer ver o que acontece: acompanha-o. O Santo entra num hospital. Os doentes alvoroçam-se e fazem-lhe festa; muitos o rodeiam, porque o Santo, passando com eles uma hora alegre, lhes reparte presentes e regalos até esvaziar completamente o saco.

 

– E agora? Pergunta o oficial.

 

– Agora venha comigo, vamos à igreja rezar por esses infelizes que, lá fora, julgam que têm o direito de ofender a Deus livremente por ser tempo de carnaval”.

 

Lembre-se de que todo carnaval tem seu fim, então ame, tenha fantasias, dance e cante… agora preste atenção: a batucada parou, tire a fantasia.

 

(Fonte: Blog do Schadt – Nietzsche me ensinou a pular carnaval).

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