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Você já ouviu falar dos líquens?

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“Os liquens, que muitas das vezes são desconhecidos ou passam despercebidos aos nossos olhos, possuem uma enorme variedade morfológica e desempenham um papel importantíssimo em nosso ecossistema.”

Por Sabrina Medeiros (membro do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IF Sudeste Barbacena/MG e graduanda em Ciências Biológicas) sob orientação do Prof. Delton Mendes. 

Os Liquens são seres vivos muito interessantes, uma associação simbiótica mutualística (as espécies, apesar de diferentes, têm vantagens ao ficarem “juntas”) entre um fungo e uma população de algas unicelulares, filamentosas ou cianobactérias. O componente fúngico dessa associação é denominado microbionte, enquanto as algas são a parte fotobionte, justamente por serem os indivíduos fotossintetizantes (que conseguem produzir energia a partir da luz solar). Mas, afinal, qual o intuito dessa associação? Além de ampliar o nicho ecológico desses indivíduos, estarem associados beneficia aos fungos maior absorção de carboidratos provenientes da fotossíntese realizada pela porção fotobionte, enquanto as algas passam a habitar locais totalmente diversificados e favoráveis ao seu desenvolvimento.

Os liquens, que muitas das vezes são desconhecidos ou passam despercebidos aos nossos olhos (observe a imagem!), possuem uma enorme variedade morfológica e são geralmente encontrados em troncos e cascas de árvores e sobre rochas ou solo.  Apresentam uma incrível resistência às adversidades ambientais: em lugares devastados, que geralmente dificultam a reprodução e sobrevivência de outros seres vivos, os liquens são os primeiros a aparecer justamente por serem capazes de resistir ao dessecamento e permanecer em estado de dormência quando secos, apesar de possuírem um tempo de proliferação demorado. 

Mesmo sendo pequenos e simples visualmente, esses seres possuem uma enorme importância para nosso ecossistema, uma vez que participam da formação do solo (por produzirem metabolitos que causam desgaste nas rochas) e contribuem para a fixação do nitrogênio (favorecendo cianobactérias). Podem, ainda, refletir o estado biótico e abiótico de uma área ambiental, mostrando o impacto produzido sob um habitat, comunidade ou ecossistema, podendo ser classificados como bioindicadores de poluentes atmosféricos, já que quanto maior a abundância e mais forte a coloração que esses seres apresentarem, melhor é a qualidade do ar daquele ambiente.

Fica evidente o quão importantes e interessantes podem ser os Líquens, uma vez que fazem parte da nossa biodiversidade e constituem nossos ecossistemas. Observe a imagem que acompanha este texto, observe bem a forma desses seres vivos interessantíssimos e, da próxima vez que caminhar por algum parque ou região arborizada, preste atenção aos troncos de árvores e poderá conhecer alguns liquens das 13.500 espécies já descritas! Todos certamente já os viram, mas muitos devem ter acreditado serem meras “manchas” nas árvores! Agora, tendo lido este artigo, você poderá ampliar seu olhar sobre a natureza, identificando liquens onde quer que você vá!

Apoio divulgação de ciência: Samara Autopeças (3331-5101)

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