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    Barbacena, MG Previsão completa
  • VAR – árbitro assistente de vídeo

    A crônica de Francisco Santana

    Domingo de forte calor em Barbacena. O estádio Walter Antunes do Andaraí Futebol Clube era o palco para mais uma partida de futebol regional. Estádio lotado com torcedores frenéticos gritando pela demora do início do jogo. A arquibancada ficava sobre os vestiários. Palavrões foram ouvidos, era para o trio de arbitragem que adentrava ao gramado. A recepção foi a pior possível. O juiz e os dois auxiliares foram recepcionados por estrepitosas vaias, chuvas de casca e buchas de laranja, picolés, pedaços de melancia, sacos de pipoca e tudo que se encontrava pela frente. O árbitro que acabara de receber uma laranja pelas costas tentava disfarçar sua preocupação ostentando um sorriso maroto. Fui ao seu encontro para entrevistá-lo. Ele me disse: “Quando entro em campo para trabalhar, meu repórter, só ouço a voz da minha consciência que sempre me diz: faça o seu melhor! O torcedor vem para campo para extravasar seus problemas profissionais, pessoais e familiares. O alvo dos xingamentos é sempre a minha mãe o que na verdade, ele está falando mal é da mãe dele. A minha está blindada contra tudo e contra todos”. Após a entrevista percebi que um grupo o aplaudiu e a outra amenizou as vaias. Nos bastidores, descobri que ele era sociólogo.   

    É cultural esse tipo de comportamento. Um começa a vaiar e milhares vão atrás. Infelizmente, muitas vezes tudo termina em pancadaria onde você apanha e bate sem saber a causa. Precisamos nos vigiar para não cairmos nessa corrente negativa. Os impropérios nascem sempre de um gol mal anulado, um deboche do adversário, um impedimento que não aconteceu, uma falta violenta que merecia expulsão e etc. O torcedor é fanático, apaixonado, insano e se considera o dono da verdade onde acusa, julga, sentencia e prende.  

    Errar é humano e o árbitro pode estar num dia infeliz. Ele age sozinho e tem como concorrência, dezenas de câmeras de televisão sofisticadas que mostram suas falhas, não deixando nenhuma dúvida. De tanta reclamação hoje nos temos para ajudar o árbitro e poupar sua mãe dos xingamentos a técnica do VAR. Santana, nem todos os seus leitores gostam de futebol e não sabem o que é o VAR. Dá para explicar?

    VAR é uma sigla inglesa – vídeo assistant referee que traduzida quer dizer: árbitro assistente de vídeo. É um conjunto de câmeras que transmitem as imagens para uma sala isolada do campo, onde assistentes de vídeo podem rever as jogadas a pedido do árbitro, ou caso os assistentes observem um lance duvidoso, comunicam ao árbitro da partida pelo fone de ouvido. Os assistentes de vídeo reproduzem as imagens em seus monitores e transmitem suas conclusões ao árbitro. É sua a decisão final. Se assim o desejar, ele pode fazê-lo depois de também consultar as imagens em um monitor localizado na lateral ou confiar exclusivamente no critério dos assistentes.

    De acordo com a Confederação Brasileira de Futebol – CBF, o VAR só pode ser acionado em quatro ocasiões: gol, pênalti, cartão vermelho e erro de identificação. Em caso de gol ele checa se a bola ultrapassou ou não toda a linha de gol, se a bola saiu de campo no lance, se há impedimento que anule o gol, se existe falta do atacante na jogada. Em caso de pênalti se foi de fato falta e se o lance aconteceu dentro ou fora da área; se a bola saiu de campo na jogada do pênalti, se há impedimento que anule o pênalti ou se o atacante cometeu falta antes do pênalti. Apenas em casos de cartão vermelho direto: o VAR analisa se houve alguma infração que gerou o lance do cartão vermelho. O VAR também informa quando uma falta foi grave o bastante – e não vista pelo árbitro de campo – para ser punida com o cartão vermelho. O VAR não pode checar um cartão vermelho oriundo de um segundo cartão amarelo. Num erro de identificação, o VAR ajuda o árbitro a corrigir se um cartão foi dado para um jogador errado. 

    O sistema é novo e carece de melhorias e interpretações. Isso não exime o árbitro de conhecer as leis que regem o futebol e estar sempre em dia com prováveis modificações. O tempo para se decidir um impasse está longo demais. Há lances que chegam a demorar mais de cinco minutos. Jogadores espertalhões travam batalhas de convencimento para colocar em dúvida a decisão do árbitro bem como a do VAR. Hilariamente há jogadores, torcedores e narradores que comemoram gols efusivamente. De repente, o gol é anulado pelo VAR frustrando todos. Há o contrário onde o árbitro consulta o VAR e ratifica o gol, e a vibração acontece duplamente. 

    Com a implantação do VAR, os insultos às mães dos árbitros baixaram, os resultados dos jogos ficaram mais justos e as reclamações dos torcedores se reduziram.   

     

    (Fonte: site gol/jornal El país/ Internet)