Vamos conversar sobre a Agricultura de Baixa Emissão de Carbono?

Por Renata Viol, Engenheira Agrônoma, Mestre e Doutora em Fitotecnia, com apoio do Dr. Delton Mendes Francelino, Diretor da Casa da Ciência e da Cultura de Barbacena e Coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IF, Campus Barbacena.

Dentre os Gases de Efeito Estufa emitidos pelas atividades humanas, o gás carbônico (CO2) é responsável por cerca de 70% do potencial de elevação da temperatura terrestre. As principais consequências dessa elevação de temperatura estão relacionadas aos prejuízos que mudanças climáticas podem causar à agricultura, ameaçando a produção de alimentos e outros diversos fatores.

O solo é considerado o principal reservatório temporário de carbono em um ecossistema: há duas a três vezes mais carbono nos solos em relação ao estocado na vegetação e, duas vezes mais, em comparação à atmosfera.  Entretanto, é um componente dinâmico e sensível ao manejo realizado. Seu conteúdo encontra-se estável sob condições de vegetação natural, porém, com a quebra do equilíbrio pelo cultivo do solo em preparo convencional, geralmente ocorre redução no seu teor, resultado das novas taxas de adição e de perda.

Assim, manejos inadequados do solo podem assumir papel relevante, demonstrando o grau de importância que manejos ecológicos de solos representam para o planeta atualmente. As práticas convencionais promovem a desestruturação do solo, ou seja, perda das suas propriedades físicas, químicas e biológicas. Essa situação contribui para a emissão de gases pela perda da matéria orgânica e de nutrientes, além de favorecer processos erosivos, ocasionando prejuízo ao desenvolvimento da cultura e a degradação da área produtora.

Todavia, existem outras formas de utilizar a terra que podem causar efeito inverso, incrementando o conteúdo de carbono no solo e na vegetação ao aumentar as quantidades de dióxido de carbono capturado, sem produzir um efeito aditivo às emissões oriundas de combustíveis fósseis. A agricultura sustentável pode ser uma estratégia de manejo para “sequestrar Carbono” em vez de emiti-lo na atmosfera. As práticas de cultivo mínimo do solo, a incorporação de restos culturais e resíduos orgânicos, a adubação verde e as rotações utilizando cultivos de cobertura com gramíneas ou leguminosas retêm o carbono nos solos por décadas, inclusive séculos.

Cabe destacar, também, que os teores de carbono, além de alterarem as propriedades do solo, apresentam relação direta com a produtividade primária líquida nos sistemas agrícolas. A maior produtividade pode ser alcançada a partir do incremento nos teores de carbono no solo, e estes servirem como sumidouros de carbono atmosférico, equilibrando a relação do sequestrado versus liberado por meio da decomposição, criando assim um feedback positivo       .

Nesse sentido, o entendimento conceitual da Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, traduzido em processos e tecnologias aplicadas, é importante para que os agricultores possam implantar sistemas de produção sustentáveis.

Assim, o aumento dos estoques de carbono no solo, condicionado ao retorno de maiores quantidades de resíduos vegetais e ao mínimo distúrbio do mesmo, bem como a inclusão de leguminosas para reduzir a utilização de fertilizantes sintéticos, por meio da fixação biológica de nitrogênio (FBN), são estratégias de mitigação às mudanças climáticas globais, que visam também manter e/ou aumentar os níveis de produção, contribuindo para a sustentabilidade.

Apoio divulgação científica: Samara Autopeças, Jornal Barbacena Online e SEAM – Serviços Ambientais.

 

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