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Utopia

A crônica de Francisco Santana

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A palavra é atual e usual: utopia. Ela foi criada pelo filósofo inglês Thomas More (Morus) para intitular um romance filosófico em 1516. Utopia significa um lugar que não existe na realidade, é algo que o homem é capaz de realizar, mas não consegue realizar. “No entanto, a obra tornou-se tão célebre que o termo foi considerado uma espécie de gênero de escrita caracterizado por conter como principal tema uma organização política e/ou social ideais, geralmente em contraponto a uma organização política e/ou social atuais”.  O livro “A República” de Platão, já fazia referência a essa condição. Ele imaginava uma cidade justa, perfeita e governada por reis filósofos para responder à questão “o que é justiça?”. No cotidiano, utopia é entendida como um lugar ou estado ideal, de completa felicidade e harmonia entre os indivíduos. Ou, a descrição de uma sociedade ideal, fundamentada em leis justas e instituições político econômicas verdadeiramente comprometidas com o bem estar da coletividade. 

 

Eu utilizo muito essa palavra, às vezes com certo ceticismo. Estamos vivendo momentos de intensa incredulidade. É muita promessa e pouca ação. Queremos acreditar que tudo vai dar certo e de repente, acontece algo que nos leva ao desânimo e descrédito. Isso me lembra de uma brincadeira de adolescência intitulada “cabo de guerra”. Você se lembra dela? É uma atividade esportiva na qual duas equipes competem entre si em um teste de força e musculação, puxando a corda. É como se de um lado tivéssemos o coração e do outro lado a razão. São sentimentos próximos que chegam a nos confundir na hora de agir. Ambos se digladiam em nossa mente. O ideal é utilizarmos da compreensão, sem prejulgar e optar pelo melhor para a sociedade. A consciência é o fiel da balança. Todos querem e torcem por um Brasil melhor. Sem entrar no mérito da questão, há duas partes em contenda e cada uma acredita estar com a razão.  

 

O governo federal, visando economia, está propondo que municípios com menos de 5 mil habitantes e arrecadação própria menor do que 10% da receita total sejam incorporados por municípios vizinhos. A Secretaria Especial de Fazenda acredita que 1254 municípios se encaixam nessas condições hoje e seriam incorporados a cidades vizinhas a partir de 2026. A justificativa é de que essa medida promoverá o fortalecimento da federação e maior autonomia para gestão de recursos. De um lado da corda, estão aqueles que acreditam que com esse ato serão menos 1254 prefeitos, 1254 vice prefeitos, milhares de vereadores,  secretários e milhares de salários públicos, sem falar nos cabides de emprego delegados, promotores e juízes que não receberão adicionais por trabalharem em mais de um município. Do outro lado da corda está um grupo que se preocupa com os desempregados dizendo que o caos será instalado e considera a medida injusta e arbitrária. Um amigo me perguntou: “Santana, se vão acabar com tantos municípios, para onde vai a população delas?”. Deixei a resposta para ele pensar. 

 

A filha tramou a morte dos pais. Ela foi julgada e condenada. No dia dos pais ela é beneficiada por uma lei e sai para passar os dias com eles. Como, se estão mortos! O pai mata a filha e no dia dos pais ele pede à justiça para passar o dia com ela. Como? O Supremo Tribunal Federal se reúne para julgar e antes dele acontecer já sabemos como cada um irá votar. Há nitidamente ingerências nos três poderes da federação. O desemprego cresce, latrocínios crescem, feminicídios aumentam, faculdades nascem e o cabo de guerra cada vez fica mais forte, para ambos os lados. Quem vai vencer eu não sei. 

 

A Rede Globo de Televisão fez uma enquete querendo saber da população “Que Brasil você quer para o futuro?”.  As respostas denotam otimismo, mas eis que chega o ceticismo e tudo se transforma em Utopia. 

Eu me lembrei de uma opinião inteligente de um cidadão: “Quem vive depressivo, vive no passado. Quem vive ansioso, vive no futuro. Quem quer ser feliz, vive o hoje! 

(Fonte: Wikipédia/Site Brasil Escola por Wigvan Pereira, Filósofo/site UOL, Brasília – Economia).

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