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Transtornos do espectro autista – TEA

Valeska Magierek

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  • O que é o Transtorno do Espectro Autista?

O TEA é um Transtorno do Neurodesenvolvimento que está presente desde sempre na vida criança e que traz prejuízos variados em seu desenvolvimento global.

TEA é a nova nomenclatura para Autismo e a palavra ‘Espectro’ nos diz sobre a variabilidade de suas formas de apresentação.

 

  • Quais são os critérios diagnósticos ou características do TEA?

Para o diagnóstico do TEA precisamos ter presentes:

Critério A. Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos, conforme manifestado pelo que segue, atualmente ou por história prévia:

  1. Déficits na reciprocidade socioemocional(dificuldade para estabelecer uma conversa normal a compartilhamento reduzido deinteresses, emoções ou afeto, a dificuldade para iniciar ou responder a interações sociais).
  2. Déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social(comunicação verbal e não verbal pouco integrada a anormalidadeno contato visual e linguagem corporal ou déficits na compreensão e uso gestos, a ausênciatotal de expressões faciais e comunicação não verbal).
  3. Déficits para desenvolver, manter e compreender relacionamentos(dificuldade em ajustar o comportamento para se adequar a contextos sociais diversos adificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas ou em fazer amigos, a ausência deinteresse por pares).

 

CRITÉRIO B. Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, conforme manifestadopor pelo menos dois dos seguintes, atualmente ou por história prévia:

 

  1. Movimentos motores, uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos (p. ex., estereotipiasmotoras simples, alinhar brinquedos ou girar objetos, ecolalia, frases idiossincráticas).
  2. Insistência nas mesmas coisas, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal (p. ex., sofrimento extremo em relação a pequenas mudanças,dificuldades com transições, padrões rígidos de pensamento, rituais de saudação,necessidade de fazer o mesmo caminho ou ingerir os mesmos alimentos diariamente).
  3. Interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade ou foco (p. ex., forteapego a ou preocupação com objetos incomuns, interesses excessivamente circunscritos ouperseverativos).
  4. Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente (p. ex., indiferença aparente a dor/temperatura, reação contrária a sons outexturas específicas, cheirar ou tocar objetos de forma excessiva, fascinação visual por luzesou movimento).

 

CRITÉRIO C. Os sintomas devem estar presentes precocemente no período do desenvolvimento (mas podem não se tornar plenamente manifestos até que as demandas sociais excedam as capacidades limitadas ou podem ser mascarados por estratégias aprendidas mais tarde na vida).

CRITÉRIO D. Os sintomas causam prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou

em outras áreas importantes da vida do indivíduo no presente.

CRITÉRIO E. Essas perturbações não são mais bem explicadas por deficiência intelectual (transtorno do desenvolvimentointelectual) ou por atraso global do desenvolvimento.

 

  • Quais outras características podem estar presentes no TEA?

 

Muitas pessoas com TEA também apresentam comprometimento intelectuale/ou da linguagem (p. ex., atraso na fala, compreensão da linguagem aquém da produção).

Mesmo aqueles com inteligência média ou alta apresentam um perfil irregular de capacidades.

Adiscrepância entre habilidades funcionais adaptativas e intelectuais costuma ser grande. Déficitsmotores estão frequentemente presentes, incluindo marcha atípica, falta de coordenação e outrossinais motores anormais (p. ex., caminhar na ponta dos pés).

Pode ocorrer autolesão (p. ex., batera cabeça, morder o punho), e comportamentos disruptivos/desafiadores são mais comuns emcrianças e adolescentes com transtorno do espectro autista do que em outros transtornos, incluindodeficiência intelectual. Adolescentes e adultos com transtorno do espectro autista são propensosa ansiedade e depressão.

 

  • A partir de que idade podemos identificar o TEA?

 

Os sintomas costumam ser reconhecidos durante o segundo ano de vida (12 a 24 meses), emborapossam ser vistos antes dos 12 meses de idade, se os atrasos do desenvolvimento forem graves,ou percebidos após os 24 meses, se os sintomas forem mais sutis.

A descrição do padrão de iníciopode incluir informações sobre atrasos precoces do desenvolvimento ou quaisquer perdas de habilidadessociais ou linguísticas.

Nos casos em que houve perda de habilidades, pais ou cuidadorespodem relatar história de deterioração gradual ou relativamente rápida em comportamentossociais ou nas habilidades linguísticas. Em geral, isso ocorre entre 12 e 24 meses de idade, sendodistinguível dos raros casos de regressão do desenvolvimento que ocorrem após pelo menos 2 anosde desenvolvimento normal (anteriormente descrito como transtorno desintegrativo da infância).

 

  • O TEA é um transtorno degenerativo?

 

O TEA não é um transtorno degenerativo, sendo comum que aprendizageme compensação continuem ao longo da vida. Os sintomas são frequentemente mais acentuadosna primeira infância e nos primeiros anos da vida escolar, com ganhos no desenvolvimentosendo frequentes no fim da infância pelo menos em certas áreas (p. ex., aumento no interesse porinterações sociais).

Uma pequena proporção de indivíduos apresenta deterioração comportamentalna adolescência, enquanto a maioria dos outros melhora.

Apenas uma minoria de indivíduoscom transtorno do espectro autista vive e trabalha de forma independente na fase adulta; aquelesque o fazem tendem a ter linguagem e capacidades intelectuais superiores, conseguindo encontrarum nicho que combine com seus interesses e habilidades especiais.

Em geral, indivíduos com níveisde prejuízo menores podem ser mais capazes de funcionar com independência. Mesmo essesindivíduos, no entanto, podem continuar socialmente ingênuos e vulneráveis, com dificuldadespara organizar as demandas práticas sem ajuda, mais propensos a ansiedade e depressão.

Muitosadultos informam usar estratégias compensatórias e mecanismos de enfrentamento para mascararsuas dificuldades em público, mas sofrem com o estresse e os esforços para manter uma fachadasocialmente aceitável. Quase nada se sabe sobre a fase da velhice no transtorno do espectro autista.

 

  • A quais sinais a família precisa estar atenta e que podem indicar um TEA?

Fala tardia costuma ser um dos primeiros sinais do TEA. A ela se junta falhas na interação social (baixo contato visual, dificuldades na interação com pessoas da mesma idade, etc.), alterações nos padrões de sono (irritadiço, dorme pouco, etc.) e alimentar (restrições alimentares), comportamentos repetitivos e alterações sensoriais (sensibilidade atípica a som, toque, sabor, etc.) são alguns sinais que podem indicar um quadro de TEA.

 

  • Quais profissionais podem ajudar no tratamento do TEA?

Como o TEA é um transtorno complexo, uma pessoa com TEA reage diferente das demais, é necessário buscar profissionais com experiência, que tenham uma boa formação e saibam realmente lidar com este transtorno. A depender dos sintomas da criança, pode ser necessário apoio de um Neuropsicólogo, Fonoaudiólogo, Psiquiatra, entre outros profissionais. O diagnóstico deve ser feito por equipe interdisciplinar, a qual deve orientar a família sobre o tratamento e quais profissionais poderão ajudar a criança.

 

NOTA DA REDAÇÃO: Valeska Magierek é Psicóloga, com especialização em Neuropsicologia e mestrado em Psicobiologia. Atua há 20 anos na área de Psicologia Infantil e Neuropsicologia. É Diretora clínica do Centro AMA de Desenvolvimento em Barbacena. www.centroamadesenvolvimento.com.br.

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