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Transtorno opositor desafiador

Valeska Magierek

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  • O que é o TOD (Transtorno Opositor Desafiador)?

O TOD faz parte dos transtornos disruptivos, do controle de impulsos e da conduta, os quais incluem condiçõesque envolvem problemas de autocontrole de emoções e de comportamentos. É um transtorno cujos comportamentos violam os direitos dos outros (p. ex., agressão,destruição de propriedade) e/ou colocam a pessoa em conflito significativo com normassociais ou figuras de autoridade.

 

  • Quais são os critérios diagnósticos para o TOD?

Todo transtorno possui critérios/características para sua identificação e diagnóstico. No caso do TOD não é diferente. Mas precisamos ficar atentos ao fato de que nem tudo é TOD. Para que se configure como TOD a criança ou a pessoa precisa apresentar:

 

  1. Um padrão de humor raivoso/irritável, de comportamento questionador/desafiante ou índole vingativacom duração de pelo menos seis meses, como evidenciado por pelo menos quatro sintomasde qualquer das categorias seguintes e exibido na interação com pelo menos um indivíduoque não seja um irmão.

Humor Raivoso/Irritável

  1. Com frequência perde a calma.
  2. Com frequência é sensível ou facilmente incomodado.
  3. Com frequência é raivoso e ressentido.

Comportamento Questionador/Desafiante

  1. Frequentemente questiona figuras de autoridade ou, no caso de crianças e adolescentes,adultos.
  2. Frequentemente desafia acintosamente ou se recusa a obedecer a regras ou pedidos defiguras de autoridade.
  3. Frequentemente incomoda deliberadamente outras pessoas.
  4. Frequentemente culpa outros por seus erros ou mau comportamento.

Índole Vingativa

  1. Foi malvado ou vingativo pelo menos duas vezes nos últimos seis meses.

Nota: A persistência e a frequência desses comportamentos devem ser utilizadas para fazer adistinção entre um comportamento dentro dos limites normais e um comportamento sintomático.

No caso de crianças com idade abaixo de 5 anos, o comportamento deve ocorrer na maioriados dias durante um período mínimo de seis meses, exceto se explicitado de outro modo (CritérioA8). No caso de crianças com 5 anos ou mais, o comportamento deve ocorrer pelo menosuma vez por semana durante no mínimo seis meses, exceto se explicitado de outro modo. Embora tais critérios de frequência sirvam de orientação quanto a um nível mínimo defrequência para definir os sintomas, outros fatores também devem ser considerados, tais comose a frequência e a intensidade dos comportamentos estão fora de uma faixa normativa para onível de desenvolvimento, o gênero e a cultura do indivíduo.

  1. A perturbação no comportamento está associada a sofrimento para o indivíduo ou para osoutros em seu contexto social imediato (p. ex., família, grupo de pares, colegas de trabalho)ou causa impactos negativos no funcionamento social, educacional, profissional ou outrasáreas importantes da vida do indivíduo.
  2. Os comportamentos não ocorrem exclusivamente durante o curso de um transtorno psicótico,por uso de substância, depressivo ou bipolar. Além disso, os critérios para transtornodisruptivo da desregulação do humor não são preenchidos.

 

  • O TOD pode variar de intensidade?

Sim. O TOD pode apresentar níveis de gravidade.

No nível Leve: Os sintomas limitam-se a apenas um ambiente (p. ex., em casa, na escola, no trabalho,com os colegas).

No nível Moderado: Alguns sintomas estão presentes em pelo menos dois ambientes.

E no nível Grave: Alguns sintomas estão presentes em três ou mais ambientes.

 

  • Existem algumas condições que apoiam o diagnóstico do TOD?

 

Sim. Da mesma forma que nem tudo é TOD, existem condições que sustentam o diagnóstico.

Em crianças e adolescentes, o TOD é mais prevalente em famíliasnas quais o cuidado da criança é perturbado por uma sucessão de cuidadores diferentes ou emfamílias nas quais são comuns práticas agressivas, inconsistentes ou negligentes de criação dosfilhos. Duas das condições que mais costumam ocorrer de forma concomitante com o transtornode oposição desafiante são o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) e o transtorno

da conduta. O TOD foi associado a um risco aumentado para tentativas de suicídio, mesmo depois docontrole para transtornos comórbidos.

 

  • Como se dá o curso e o desenvolvimento TOD?

 

Geralmente, os primeiros sintomas do TOD surgem durante os anosde pré-escola e, raramente, mais tarde, após o início da adolescência. Com frequência, o TOD precede o desenvolvimento do transtorno da conduta, sobretudoem indivíduos com transtorno da conduta com início na infância. No entanto, muitas criançase adolescentes com TOD não desenvolvem subsequentemente otranstorno da conduta. O TOD também confere risco para o desenvolvimentode transtornos de ansiedade e transtorno depressivo maior, mesmo na ausência dotranstorno da conduta. Os sintomas desafiantes, questionadores e vingativos respondem pelamaior parte do risco para transtorno da conduta, enquanto os sintomas de humor raivoso/irritávelrespondem pela maior parte do risco para transtornos emocionais.

As manifestações do transtorno parecem ser consistentes ao longo do desenvolvimento.

Crianças e adolescentes com TOD estão sob risco aumentado parauma série de problemas de adaptação na idade adulta, incluindo comportamento antissocial,problemas de controle de impulsos, abuso de substâncias, ansiedade e depressão.

A frequência de muitos dos comportamentos associados ao transtorno de oposição desafianteaumenta no período pré-escolar e na adolescência. Portanto, durante esses períodos dedesenvolvimento é especialmente importanteque a frequência e a intensidade desses comportamentossejam avaliadas em relação aos níveis considerados normais antes de decidir que se tratade sintomas do transtorno de oposição desafiante.

 

  • Qual é o tratamento para o TOD?

Não existe remédio específico para o TOD, uma vez que ele é um transtorno e não uma doença. Existem medicações que diminuem os sinais e sintomas do TOD, dependendo dos quadros que estiverem associados. Mas além da ajuda de medicações, o acompanhamento psicológico é importantíssimo para auxiliar a criança a lidar e a controlar suas emoções. Além disso, base de todo o tratamento, é urgente a estruturação familiar, a fim de acolher e cuidar verdadeiramente dessa criança.

 

NOTA DA REDAÇÃO: Valeska Magierek é Formada em Psicologia pela UFSJ, com especialização em Neuropsicologia pela FUMEC e mestrado em Psicobiologia na Escola Paulista de Medicina. Atua há 20 anos na área de Psicologia Infantil e Neuropsicologia. É a Diretora Clínica do Centro AMA de Desenvolvimento em Barbacena. www.centroamadesenvolvimento.com.br. Valeska.magierek@gmail.com .

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