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Transtorno do desenvolvimento da coordenação

Valeska Magierek

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  • O que é o Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação?

O Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação se manifesta como movimentos desajeitados nas crianças, ou seja, crianças com Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação possuem dificuldades em realizar atividade de auto manutenção, como se vestir, higiene pessoal e alimentação, quando comparadas a crianças de mesma faixa etária. Na área educacional, a disgrafia (a conhecida letra feia) é relatada como a área de dificuldade mais prevalente.

A desordem motora é descrita como sendo um sério comprometimento no desenvolvimento da coordenação motora, que não é explicável unicamente em termos de deficiência intelectual, global ou qualquer desordem neurológica congênita ou adquirida específica (a não ser aquela que possa estar implícita na anormalidade da coordenação). É usual que a inabilidade motora esteja associada a algum grau de desempenho comprometido em tarefas cognitivas visuoespaciais.

  • Quais são as principais características do Transtorno da Coordenação?

O diagnóstico de transtorno do desenvolvimento da coordenação é feito através de avaliação clínica, do exame físico, de relatórios escolares ou profissionais e da avaliação individual utilizando-se testes padronizados, psicometricamente adequados e culturalmente apropriados. A manifestação de habilidades prejudicadas que exigem coordenação motora (Critério A) varia com a idade. Crianças menores podem apresentar atraso para atingir marcos motores (i.e., sentar, engatinhar, andar), embora muitas alcancem os marcos motores típicos. Elas também podem apresentar atraso no desenvolvimento de habilidades como subir escadas, pedalar, abotoar camisas, completar quebra-cabeças e usar fechos. Mesmo quando a habilidade é dominada, a execução do movimento pode parecer estranha, lenta ou menos precisa que a dos pares. Crianças maiores e adultos podem apresentar menor velocidade ou imprecisão em aspectos motores de atividades como montar quebra-cabeças, construir modelos, jogar bola (especialmente, em equipes), escrever a mão, digitar, dirigir ou executar tarefas de autocuidado.

O transtorno do desenvolvimento da coordenação é diagnosticado apenas se o prejuízo nas habilidades motoras interferir significativamente no desempenho ou na participação nas atividades diárias da vida familiar, social, escolar ou comunitária (Critério B). Exemplos de tais atividades incluem vestir-se, fazer as refeições com utensílios adequados à idade e sem sujeira, envolver-se em jogos físicos com outros, usar materiais específicos em aula, como réguas e tesouras, e participar de atividades físicas em equipe na escola. Não somente há prejuízo na capacidade de desempenhar essas ações; é comum, ainda, lentidão acentuada na execução. A competência para

Escrever a mão está frequentemente afetada, com repercussão na legibilidade e/ou velocidade da produção escrita e afetando o desempenho acadêmico (o impacto é diferente da dificuldade específica da aprendizagem devido à ênfase no componente motor das habilidades de produção escrita).

O Critério C informa que o início dos sintomas do transtorno do desenvolvimento da coordenação deve se dar precocemente no período do desenvolvimento. O transtorno, entretanto, não costuma ser diagnosticado antes dos 5 anos, já que há grande variação de idade na aquisição de muitas habilidades motoras, ou falta de estabilidade de mensuração na primeira infância (p.ex., algumas crianças se recuperam), ou porque outras causas de atraso motor podem não ter-se manifestado plenamente.

O Critério D especifica que o diagnóstico de transtorno do desenvolvimento da coordenação é feito se as dificuldades de coordenação não são mais bem explicadas por deficiência visual ou não são atribuíveis a alguma condição neurológica. Assim, exame da função visual e exame neurológico devem ser incluídos na avaliação diagnóstica. Se deficiência intelectual (transtorno do desenvolvimento intelectual) estiver presente, as dificuldades motoras excedem as esperadas para a idade mental.

O transtorno do desenvolvimento da coordenação não tem subtipos distintos; entretanto, os indivíduos podem estar predominantemente prejudicados em habilidades motoras grossas ou finas, incluindo habilidades de escrita manual.

Outros termos usados para descrever o transtorno do desenvolvimento da coordenação incluem dispraxia da infância, transtorno do desenvolvimento específico da função motora e síndrome da criança desajeitada.

 

  • Qual é a prevalência ou a ocorrência do Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação na população?

 

A prevalência do transtorno do desenvolvimento da coordenação em crianças com 5 a 11 anos deidade fica entre 5 e 6% (em crianças com 7 anos, 1,8% têm diagnóstico de transtorno do desenvolvimento da coordenação grave, e 3% apresentam provável transtorno do desenvolvimento da coordenação). Indivíduos do sexo masculino são mais frequentemente afetados do que os do sexo feminino, com uma proporção de 2:1 e 7:1.

 

  • Como se dá o curso do Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação ao longo da vida?

 

O curso do transtorno do desenvolvimento da coordenação é variável, embora estável, pelo menos até o primeiro ano de acompanhamento. Embora possa ocorrer melhora no longo prazo,problemas com movimentos coordenados continuam durante a adolescência em 50 a 70% das crianças. O início ocorre na primeira infância. Atrasos em marcos motores podem ser o primeiro sinal, ou o transtorno é identificado pela primeira vez quando a criança tenta tarefas como segurar faca e garfo, abotoar roupas ou jogar bola. Na infância intermediária, há dificuldades com aspectos motores em montar quebra-cabeças, construir modelos, jogar bola e escrever a mão, bem como com a organização de pertences, quando a coordenação e sequenciamento motores são necessários. No começo da vida adulta, há dificuldade continuada para aprender tarefas novas que envolvam habilidades motoras complexas/automáticas, incluindo dirigir e usar ferramentas.Incapacidade de fazer anotações e de escrever a mão com rapidez pode afetar o desempenho profissional. A comorbidade com outros transtornos causa impacto adicional na apresentação, no curso e no desfecho.

 

  • Quais são os fatores de risco para p Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação?

Temos fatores de risco Ambientais, genéticos e fisiológicos para o Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação. O transtorno do desenvolvimento da coordenação é mais comum após exposição pré-natal ao álcool e em crianças pré-termo e com baixo peso ao nascer.Prejuízos em processos subjacentes do neurodesenvolvimento (em especial habilidades visomotoras, tanto na percepção visomotora quanto na mentalização espacial) foram identificados e afetam a capacidade de fazer ajustes motores rápidos conforme aumenta a complexidade dos movimentos exigidos. Uma disfunção cerebelar foi proposta, masa base neural do transtorno do desenvolvimento da coordenação permanece indefinida. Devido à comorbidade do transtorno do desenvolvimento da coordenação com transtorno TDAH, transtorno específico da aprendizagem e transtorno do espectro autista, um efeito genético compartilhado foi proposto. No entanto, essa correlação só aparece nos casos mais graves.

 

  • Quais são as consequências funcionais do Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação?

 

O transtorno do desenvolvimento da coordenação leva a prejuízo no desempenho funcional em atividades da vida diária, o qual é maior com condições comórbidas. Consequências do transtorno do desenvolvimento da coordenação incluem participação reduzida em brincadeiras e esportes de equipe; autoestima e sentimento de valor próprio baixos; problemas emocionais e comportamentais; prejuízo no desempenho acadêmico; baixa aptidão física; atividade física reduzida, e obesidade.

 

  • Quais profissionais pode ajudar?

 

Professores e pais, que estão com a criança todos os dias, podem ser os primeiros a notar as dificuldades funcionais que a criança está apresentando. É importante que ela seja examinada pelo médico, enquanto ainda pequena, para excluir a possibilidade de outras razões médicas para o desajeitamento motor. A depender dos prejuízos em seu desenvolvimento pode ser necessário ajuda de um Psicólogo, Terapeuta Ocupacional, Psicopedagogo, Educador Físico. Importante que as intervenções sejam feitas de forma precoce, o mais cedo possível, para favorecer o desenvolvimento da criança.

 

NOTA DA REDAÇÃO: Valeska Magierek é Formada em Psicologia pela UFSJ, com especialização em Neuropsicologia pela FUMEC e mestrado em Psicobiologia na Escola Paulista de Medicina. Atua há 20 anos na área de Psicologia Infantil e Neuropsicologia. É a Diretora Clínica do Centro AMA de Desenvolvimento em Barbacena. www.centroamadesenvolvimento.com.br.  Valeska.magierek@gmail.com.

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