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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Tatuagens

    Por Francisco Santana

    – Sim, Santana, tenho inúmeros colegas médicos que praticam uma ou várias atividades. São criadores de cavalos, cabras, donos de pesque pague, tocam instrumentos musicais, cantam, muitos se formam em outros cursos universitários e assim vamos levando nossa vida médica. Tudo isso para fugir da rotina imposta pela profissão que é lidar com a vida e a morte. Profissão desgastante e estressante.  Outros afazeres nos devolvem a tranqüilidade e o direito de viver. Somos seres humanos e por trabalharmos com a morte muitos acham que somos destituídos de sensibilidade e emoção. Engana-se quem assim pensa. Nossas lágrimas se formam e se dissolvem dentro de nós provocando uma dor insuportável, nada visível a outros olhos, a não ser os nossos.

     

    – É público a sua notoriedade e competência médica atuando com cirurgião cardiovascular. Como se acalma diante da sua rotina médica?

     

    – Eu tenho um sítio que se chama “vida” onde passo todos os finais de semana com minha esposa, filhos, noras, genros e netos. É um presente dos céus, me perdoe a modéstia, acho que mereço.

     

    – E as tatuagens que o senhor crava no tórax dos pacientes? Tem algo a dizer?

     

    – Eu gosto do que faço e por amar a vida, gosto que o meu semelhante restabeleça a sua com saúde, paz, perseverança e fé. Amanhã você vai poder comprovar o que estou lhe dizendo. Minha equipe já está posicionada para fazer um ótimo trabalho em você. Esperamos obter êxito e que você goste das tatuagens que iremos fazer.

     

    Passados uns dias o Dr. Tatuagem veio me visitar.

     

    – Bom dia, Santana, tudo bem? Você está com um semblante alegre, sereno e isso é ótimo para curar as feridas. Você gostou do nosso trabalho? Como a sua caixa torácica é avantajada, fizemos nela cinco tatuagens e estou aqui para lhe explicar uma a uma.

     

    – Qual a representatividade desse desenho?

     

    – Eu vou lhe explicar um de cada vez para você assimilar. Combinado? Essa que você perguntou representa a gula, que nada mais é do que o desejo insaciável, além do necessário, em geral por comida, bebida ou drogas.  Que primemos pela qualidade dos alimentos e não pela quantidade.

    Essa outra representa o não, bem exclamado, NÃO! Precisamos aprender a dizer não. Muitas vezes dizemos sim quando de verdade gostaríamos de não. Isso embaralha a nossa cabeça provocando grande tumulto. Você tem que se importar com você, seu ponto de vista não tem que agradar o outro, Jamais agrade aos outros se desagradando.

    Essa outra é um lembrete especial que vamos chamá-las de pessoas tóxicas. Lembre-se, Santana que nem todos são seus amigos e nem sempre se interessam pelo seu sucesso e felicidade. Muitos tidos como amigos não passam de meros conhecidos. Pare de tentar agradar a todos que procuram você com palavras amáveis e sorriso nos lábios, isso pode ser uma cilada. Quando você disser um não ou basta, essas pessoas vão parar de lhe procurar. Elas são tóxicas e roubam a sua energia latente.  Identifique-as e fuja delas.

    Essa aqui se chama desapego, que é dar importância ao que realmente vale a pena, sem focar excessivamente no que é dispensável. “O excesso de apego nos faz dar importância demasiada a situações que geram estresse e que, muitas vezes, estão fora do nosso controle. Prender-se em excesso a alguma idéia nos faz perder o foco dos objetivos e tentar controlar partes do caminho que precisam seguir seu rumo naturalmente. O apego excessivo a uma pessoa com a qual não nos relacionamos mais, a uma memória que não pode ser revivida e a objetos que representaram algo na vida de alguém é mais comum do que imaginamos e gera estagnação e desesperança. Se encontrar alguma dificuldade para se desapegar, procure ajuda profissional de uma psicóloga que vai lhe orientar como proceder desse problema indigesto” Psicóloga (Thaiana Brotto).

     

    Essa última tatuagem é do olho da providência ou olho que tudo vê. Às vezes esse olho é substituído pelas letras ‘G’, representando “God” (Deus), que observa a humanidade. Desenhei esse olho em você, Santana porque o analisei como vigilância. É como seus familiares o vêem e como a partir de agora vão estar atentos e alertas sobre alguns deslizes que possam ser cometidos. Quem ama você, Santana? Quem quer ver o seu bem, Santana? Resposta fácil, né? Não tenha dúvidas que é sua esposa Catarina, seus filhos Alexandre, Ana Carolina, Marina, seu genro Rodrigo, sua nora Simone e seus netos Ana Luísa e Bernardo. Tenha uma vida saudável, confie na divina providência e ouvirá por muito tempo as seguintes declarações de amor:

     

    “Vovô Santana, eu amo você!” (Ana Luísa, 13 anos)

     

    “Vovô Santana, você é velho e careca, mas é o meu melhor amigo, é por isso que eu gosto de você!” (Bernardo, 3 anos).

     

    (Fonte: Wikipédia/ “Praticando o desapego” – Psicóloga Thaina Brotto).