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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Será que somos realmente uma espécie superior?

    Por Camila Dornellas, graduanda em Ciências Biológicas no IF Barbacena, via Laboratório de Escrita do Instituto Curupira, orientada pelo professor Delton Mendes, coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IF Barbacena

    Você já parou para pensar se realmente somos uma espécie superior às demais que habitam o mundo? O que nos leva a acreditar nessa afirmação, tão difundida em nossa sociedade? De fato, não podemos negar o fato de sermos a única espécie considerada racional, com capacidade de raciocínio. Mas será que isso nos torna superiores? Quais as consequências desse pensamento?

    É inquestionável o quanto evoluímos rapidamente ao longo dos anos, e o quanto dominamos cada vez mais as tecnologias para trabalharem a nosso favor. No entanto, ao mesmo tempo em que trouxe inúmeros benefícios, essa evolução também trouxe prejuízos pois, além de ter se desenvolvido em detrimento do meio ambiente, ela também acentuou a sensação de superioridade, o que gerou um distanciamento nosso com a natureza, como se nós não fizéssemos mais parte dela e como se a sua destruição não nos afetariam. Será?

    Podemos afirmar que somos mais complexos, mas, na natureza, complexidade não significa superioridade. Continuamos fazendo parte da natureza e, principalmente, continuamos sofrendo as consequências das nossas ações para com ela. O mundo é um sistema extremamente complexo e fechado, ou seja, não importa o quanto evoluímos ou o quanto de tecnologia desenvolvemos, e quantas espécies dominamos, pois continuaremos fazendo parte dele e, mais que isso, continuaremos totalmente dependentes e submissos às leis da natureza.

    O surgimento de doenças como a Aids, a Febre Amarela, o vírus Ebola e a atual pandemia de Covid-19 são alguns exemplos claros da nossa vulnerabilidade às leis da natureza, uma vez que todas se originaram a partir do contato do homem com animais silvestres como os primatas (no caso da Aids e da Febre Amarela) e os morcegos (no caso do Ebola e possivelmente da Covid-19) segundo dados publicados pela Fiocruz (2020). Levando em consideração que o tráfico de animais silvestres, apesar de ser uma prática ilegal, atualmente é uma das atividades que mais geram lucro, você já imaginou o risco que estamos correndo de surgir novas mutações de vírus e, com isso, novas pandemias tão graves quanto a atual?

    Por isso precisamos tomar consciência e assumir a nossa posição nesse sistema complexo e diverso ao qual estamos inseridos e, o mais importante, devemos compreender que somos nós que dependemos da natureza, e não o contrário. Portanto, é elementar que cobremos ações do governo de modo a minimizar e recuperar os danos já causados, mas também devemos fazer a nossa parte, por menor que ela pareça ser. Cuidar do mundo, do nosso país, da nossa cidade e da nossa casa, é garantir um futuro digno às próximas gerações e, para isso, reconhecer que fazemos parte de uma teia ecológica tênue e que somos suscetíveis às leis da natureza é o primeiro e mais importante passo para um futuro melhor. Nesse sentido, a educação é considerada forte aliada para gerar tal sensibilização de modo a modificar essa cultura de superioridade, proporcionando a reaproximação do ser humano com o meio ambiente.

    Apoio divulgação cientifica: Samara Autopeças e Jornal Barbacena Online