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Semáforos e sinais

A crônica de Débora Ireno Dia

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“Moça, me compra uma paçoca?”  Todo dia, ao parar no semáforo, escuto algo assim. São paçocas, balas, livrinhos infantis, cenas circenses ou apenas um “me dá um trocado”. Uma tentativa de venda ou um pedido de dinheiro em busca de uma refeição por dia, um chão para deitar o corpo ao final do dia.

Nem sempre compro, nem sempre recuso. Tento observar os fatos, tentando não cair naquele velho pré-julgamento. Mas esta semana algo me chamou atenção. A menina veio em minha direção oferecendo paçoca. Um dos meus doces preferidos. Mas eu não tinha trocado. Recusei. E fiquei observando. Ela ia de um carro a outro. Todos recusando. Olhei rapidamente meu bolso. Achei uma nota de R$2, chamei a garota e ela veio sorrindo e falou que estava juntando dinheiro para pagar o curso de cabeleireiro. “Porque não está fácil para ninguém, né dona, e não dão emprego pra gente se não tivermos experiência e para ter experiência preciso de fazer o curso.” Agradeceu e foi embora, tentar outra venda.

Eu fiquei ali alguns segundos ainda antes do sinal abrir. Aquele foi um sinal para mim: na simplicidade, a garota me mostrou que é necessário persistência, disciplina, ousadia e uma boa argumentação quando se deseja realizar algo. Ações indispensáveis para atingir a meta desejada, seja na vida profissional, seja na pessoal.

Pus-me a pensar em como tenho me dedicado às minhas metas. Às vezes, parar no semáforo é preciso, senão pode-se perder no meio do Caminho. Tem horas que é preciso seguir em frente e, muitas vezes, diminuir o passo e prestar atenção ao que está à volta. O semáforo é um conjunto de sinais. A vida é, também, um conjunto de sinais que aparecem a todo instante ao nosso redor. A arte é conseguir ler, interpretar esses sinais.

A menina vendeu sua paçoca. Eu fui embora empaçocada com meus pensamentos e desejando a ela sucesso em sua Caminhada.

Maio/2019

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