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  • Saudade

    Há tempos, eu tinha o hábito de visitar o cemitério na companhia do meu filho, então com cinco ou seis anos. No terceiro ano, ele confessou que não gostava de estar ali e que só aceitava o convite para me servir de companhia. A sua recusa enterrou meu hábito. Falar em morte sempre me causou pânico. Ir ao cemitério sozinho era um desafio e meu filho se transformou naquele momento em meu anjo protetor que me guiava silenciosamente por entre túmulos ora bem cuidados, ora tão deteriorados de onde se viam restos mortais. Eu dizia a ele para caminhar devagar entre os jazigos que ficavam tão juntos sendo necessário subir em alguns para se chegar ao de visita. Na verdade, o meu medo era cair no fundo de um e o desespero tomar conta. Lá eu não caminhava e sim flutuava.

     

    Como a coragem parou de me acompanhar, oro para meus familiares e amigos em casa lendo e vivendo as lições gratificantes do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo” de Allan Kardec e ouço as “Pílulas do Evangelho” do Instituto Namastê Ricardo Melo. Não sou contra quem vai ao cemitério reverenciar seus mortos. Cada um exerce o seu livre arbítrio como lhe aprouver. Lembrar dos entes queridos causa saudade e essa saudade, lágrimas e nós na garganta.

     

    “Que seja um choro de saudade e não de inconformação e revolta. O choro, a lamentação exagerada dos que ficaram causam sofrimento para quem partiu, porque eles precisam da nossa prece, da nossa ajuda para terem fé no futuro e confiança em Deus. Tal comportamento pode atrapalhar o reencontro com os que foram antes de nós. Porque se eles nos visitarem ou se nós os visitarmos (através do sono) nosso desequilíbrio os perturbará. Se soubermos sofrer, ao chegar a nossa vez, nos reuniremos a eles, não há dúvida nenhuma”. (Compilação de Rudymara retirada de respostas de Richard Simonetti/Divaldo Franco)

     

    O hábito de visitar os mortos é cultural de povos antigos. O cemitério se assemelha a um enorme campo de lamentações, tristezas e de orações. Há quem o visite todos os dias e há quem coloque cartas ou bilhetes para os mortos em seus túmulos. Esses atos poderiam ser evitados se todos acreditassem que após a morte há vida e que não há necessidade de temê-la. Às vezes pensando na morte deixamos de viver enquanto estamos vivos.  A morte é o estágio final da evolução nesta vida. Não há morte total. Só o corpo morre. O espírito é imortal.

    “Não se deixe para depois. Viva agora. Se (re)construa. Invista em você. Confie em seus instintos e desbrave a vida ali fora. É hora de mudar. Priorize o que faz se sentir bem e desprender de tudo aquilo que não pode mais ser mudado. Não deixe a vida para depois, é no presente que a gente faz e acontece”. (Psicóloga Rosimary Alves).

    “A visita ao túmulo dá mais satisfação ao Espírito do que uma prece feita em sua intenção?

    – A visita ao túmulo é um modo de manifestar que se pensa no Espírito ausente: é a imagem. Já vos disse: é a prece eu santifica o ato de lembrar; pouco importa o lugar, se ela é ditada pelo coração.

    Os Espíritos esquecidos, cujos túmulos ninguém vai visitar, também aí comparecem, apesar disso, e ficam pesarosos ao verem que ninguém se lembra deles?

    – Que lhes importa a Terra? Não se prendem senão pelo coração. Se aí não há amor, não há nada que retenha o Espírito do que uma prece feita para si.

    A alma, voltado à vida espiritual, fica sensibilizada com as homenagens prestadas aos seus despojos mortais?

    – Quando o Espírito alcançou certo grau de perfeição, não em mais a vaidade terrena e compreende a futilidade de todas essas coisas. Ficai sabendo, há Espíritos que nos primeiros momentos da sua morte material sentem um grande prazer com as homenagens que lhes prestam, ou um desgosto com o abandono dos seus despojos, porque conservam, ainda, alguns preconceitos desse mundo”. (O Livro dos Espíritos – Allan Kardec).

    Que façam suas visitas aos cemitérios usando máscaras e álcool gel, evite aglomerações e cumprimentos com as mãos para não se transformar em mais uma roupa dentro do caixão aumentando as estatísticas.

    “O destino une e separa as pessoas, mas nenhuma força é tão grande para fazer esquecer pessoas que por algum motivo um dia nos fizeram felizes. Chega um momento na vida em que você sabe quem é importante para você, quem nunca foi, quem não é mais e quem o será sempre”. (Autor desconhecido)