• 9ºC
    Barbacena, MG Previsão completa
  • Ressignificando o jeitinho brasileiro

    Por Vitória Oliveira, licenciada em Ciências Biológicas e membro do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IF Barbacena, sob orientação do professor Delton Mendes Francelino, coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana, do IF Barbacena.

    Crescemos ouvindo o quanto o brasileiro tem um jeitinho especial, que ganhou fama em todo o mundo. Para alguns, trata-se de uma maneira inata de ver a vida, enfrentar os dilemas e criar soluções para situações problemáticas. Para outros, um jeitinho malandro, regado a cerveja e pagode, que procura se dar bem passando por cima de outras pessoas.

    Entretanto o jeitinho brasileiro mal visto, mal quisto, mal interpretado por nós nativos, inclusive, é mais uma herança colonial: o jeitinho europeu. Note que, a história brasileira, foi construída a partir da ganância portuguesa, que buscava terras em todo o mundo para explorar incansavelmente. Sustentando o estandarte cristão, chegaram ao Brasil e sequer via humanidade nos habitantes desta terra.

    Chegaram ao nosso país e se proclamaram como descobridores. Ora! A terra já não estava aqui? Mais do que isso, nomearam-se DONOS do novo mundo. Exploraram nossas riquezas, desmataram nossas florestas e construíram toda sua fortuna, seu título de país de primeiro mundo com o sangue indígena derramado em suas mãos e no solo brasileiro.

    Tudo bem! Você reconhece todo o horror que aconteceu por aqui, mas acredita que tudo isso está no passado. Não está. Para os europeus recém-chegados, os verdadeiros brasileiros e donos da terra eram moles, preguiçosos, não gostavam de trabalhar, só queriam se dar bem: sombra e água fresca. Ideia esta que sustentamos até hoje. Buscaram então, mão de obra forte, de seres também considerados não-humanos, separaram famílias, excursaram com sua cultura e com a sua dignidade. Depois de muita luta, a Princesa da metrópole, “gentilmente” os jogou ao léu: sem identidade, sem comida, sem casa e sem nenhuma condição para sobreviver.

    Não seria justo classificar o comportamento de buscar levar vantagem sobre os outros, como um jeitinho brasileiro. O jeitinho brasileiro está nas pessoas que lutam e sobrevivem diariamente com recursos mínimos, nas mães solteiras que fazem o papel também do pai, nas diversas soluções criativas para situações corriqueiras e no sorriso no rosto que sempre buscamos manter. Somos produtos da cultura trazida e implementada aqui por Portugal. Resultado de todas as medidas políticas determinadas pela metrópole. Não nos reconhecemos nos índios, não conhecemos nossa história. Somos meros colonizados, que sequer conhecem sua identidade matriz, nativa, que não é europeia. Quem seríamos se os portugueses não tivessem desembarcado no Brasil?

     

    Apoio divulgação científica: Samara Autopeças e Barbacena Online.