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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Respeitosamente, Empregada Doméstica

    A crônica de Francisco Santana

    Você já parou para pensar que a empregada doméstica acaba se tornando um membro da família por passar tanto tempo em nossas casas? Em função disso, todo cuidado é pouco na hora de selecionar uma. O site Curso CP – Empregada doméstica lista qualidades que a profissional deva ter: lealdade, honestidade, respeito, dignidade, educação, equilíbrio, humildade, pontualidade, assiduidade, responsabilidade e discrição. “Além da eficiência e do profissionalismo, outra importante característica da empregada doméstica  diz respeito à ética profissional, pois ela trabalha mergulhada na intimidade de seus patrões e conhece suas vidas e seus hábitos como ninguém. Para isso, essa profissional do lar deve conhecer os princípios morais que envolvem o seu ambiente de trabalho e aplicá-los no exercício de sua profissão. Mesmo porque atualmente a empregada doméstica iguala-se legalmente a quaisquer outros profissionais, tendo direitos e deveres”.

    Sem hipocrisia, se há uma profissão que eu gosto e admiro muito é a da Empregada Doméstica. Além de deixar nossas casas limpinhas, bem arrumadinhas e cheirosas, elas promovem momentos hilariantes em nossas vidas. Só em pensar na Tereza, rio muito. 

    – Senhor Santana, o senhor já comeu bringela frita?

    – Bringela? Você quer dizer berinjela!

    – Não senhor, é bringela mesmo! O senhor fatia ela, bota de molho por uns minutos na água fria, passa em ovos batidos, joga na farinha de rosca e bota prá fritar. A bringela fica sequinha e aquele gosto ruim desaparece. 

    – O Miguel, seu esposo está bem?

    – Senhor Santana, ele passou tanto male nesse final de semana! Deu um trabalho danado. 

    – O que houve com ele?

    – Minha filha fez uma comida muito pimentada e o Miguel, muito guloso comeu demais sabendo que não pode com pimenta. Resultado: foi parar no hospital com sérios problemas de “morroidas”.

    – Não seria hemorróida?

    – Não senhor, é morróida mesmo. 

    – Tereza, alguém ligou para mim?

    – Ligou sim, Seu Santana!

    – Homem ou mulher? Deixou algum recado? Você anotou o nome dele?

    – É homem e tem nome de pimenta.

    – Nome de pimenta?

    – Lembrei! Ele se chama Malagueta.

    Essa foi fácil, o amigo que ligou se chama Malaguti.

    – Senhor Santana, um homem ligou para o senhor.

    – Ele disse o nome ou deixou algum recado?

    – Senhor Santana, ele não disse o nome e nem deixou recado. Só sei que ele tem uma voz muito bonita.

    – Voz bonita? Como assim?

    – É uma voz de radiador.

    – Radiador?

    – É! Esses homens que trabalham em rádio!

    Pela característica, deu para acertar quem era o dono da voz de “radiador”. Era o amigo Sérgio Moreira Marques que trabalhava comigo na Telemig. 

    O telefone tocou. A empregada correu para atender quando eu já havia atendido na extensão. Vocês não imaginam a confusão que deu. Eu atendi dizendo:

    – Santana. Boa tarde!

    Da extensão ela respondeu:

    – O senhor quer falar com o senhor Santana?

    Eu retruquei:

    – Tereza, pode desligar que eu já atendi!

    Ela não satisfeita disse em voz alta:

    – Senhor Santana, atende aí que parece que é ligação para o senhor!

    Depois de muitos risos, desliguei o telefone. Ela veio a mim e disse:

    – Senhor Santana, a pessoa que atendeu o telefone tinha uma voz igualzinha a do senhor e também se chama Santana. Eu até pensei que fosse o senhor. 

    – Alô! É a Tereza! Com quem o senhor quer falar? Com o senhor Santana? Espera um tiquinho que eu vou ver se ele está? Senhor Santana, telefone para senhor! É mulher! Ela não quer dizer o nome! Ela disse que é sua amiga. Eu posso dizer que o senhor saiu, está no banho, ocupado ou o senhor vai atender?

    – Senhor Santana, um colega seu ligou já duas vezes. Ele disse que o assunto é sobre imposto de rendas.

    – Ele disse o nome?

    – É um português.

    – Português? Como você sabe que ele é português?

    – Uai, ele disse que se chama Patrício.

    – Senhor Santana, uma tal “coisa” ligou para o senhor e falou uma porção de “coisas” que eu não entendi “coisíssima” nenhuma do que disse. Ela vai ligar mais tarde porque precisa falar umas “coisas” com o senhor. 

    – Como ela se chama?

    – Acho que é Dona Coisa.

    Eu estava mexendo no controle remoto da televisão, tentando localizar um canal com boa programação enquanto Tereza varria o cômodo. De repente, ela fala:

    – Senhor Santana, volta para aquele canal que o senhor passou.

    – Esse?

    – É! Como as pessoas mentem. Está vendo esse artista alto, careca, bonitão? Minha vizinha disse que ele morreu. Como morreu se está passando na televisão agora?

    Custei a me manter sério diante do seu parecer. A novela era “Senhora do Destino”. O ator era Raul Cortez, falecido em 2006. O programa era “Vale a pena ver de novo” da Rede Globo de Televisão.

    Tem casos interessantes sobre a sua? Então, conte um.