Reflexões kantianas sobre arte e beleza: explorando a estética

Por Suzana Vale, Professora de Filosofia, domiciliada em Barbacena/MG, com orientação do professor Doutor Delton Mendes Francelino, Diretor da Casa da Ciência e da Cultura de Barbacena, Coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IFET, Campus Barbacena, Diretor do Instituto Curupira e autor de livros. Conheça a Casa da Ciência de Barbacena (@casadacienciaedacultura / Instagram)

O pensamento de Immanuel Kant sobre arte e beleza desempenha um papel central em sua vasta e abrangente obra filosófica, que engloba uma rica diversidade de áreas do conhecimento humano. Kant, como um dos proeminentes filósofos da história mundial, não apenas lançou as bases para uma abordagem crítica e rigorosa da filosofia, mas também deixou um legado duradouro na exploração da estética e de seu papel na experiência humana.

No contexto de suas reflexões sobre a estética, Kant nos convida a mergulhar nas profundezas da experiência estética e a compreender sua complexidade por meio da lente da razão e da sensibilidade. Sua investigação sobre a natureza do juízo estético é particularmente reveladora, pois desvenda a dinâmica única entre a mente do observador e a obra de arte. Kant postula que o juízo estético não repousa simplesmente em conceitos racionais universais, mas emerge da faculdade de julgar reflexiva, onde a imaginação desempenha um papel crucial na síntese do sujeito com o objeto (KANT, 2005; 2008; 2013; 2017).

De acordo com Kant, a experiência estética é mediada pela “faculdade de julgar reflexiva”, que se situa entre a faculdade cognitiva e a faculdade afetiva (KANT, 2005; 2008; 2013; 2017). O sujeito, ao entrar em contato com a obra de arte, é convidado a engajar-se em um processo de reflexão que transcende as determinações conceituais estritas. Kant enfatiza que a beleza é subjetiva, pois não se baseia em regras ou princípios universais pré-existentes (KANT, 2005; 2008; 2013; 2017). Em vez disso, a experiência do belo envolve uma relação harmoniosa entre o entendimento e a imaginação, onde a mente do observador responde de maneira sensível às qualidades estéticas da obra de arte.

A importância da imaginação na apreciação estética é central nas reflexões kantianas. Kant destaca que a imaginação permite a livre play da faculdade de julgar, possibilitando a apreensão das relações estéticas e a síntese de diferentes elementos presentes na obra (KANT, 2005; 2008; 2013; 2017). Essa dimensão reflexiva da imaginação possibilita a apreciação estética, na medida em que o sujeito é capaz de contemplar a obra em sua totalidade e captar a interação complexa entre forma e conteúdo.

Nas páginas imortalizadas de “Observações sobre o Sentimento do Belo e do Sublime”, publicado em 1764, Kant nos conduz por um percurso intelectual pioneiro ao lançar as bases das reflexões que permeiam suas profundas análises sobre as emoções evocadas pelo belo e pelo sublime. Nessa obra precursora, o filósofo alemão, ainda em sua juventude, traça os contornos iniciais das questões que desdobraria de forma magistral e abrangente em suas futuras empreitadas filosóficas. Uma vez folheado, o livro revela um vislumbre do terreno fértil e promissor no qual sua filosofia estética floresceria posteriormente.

No mesmo compasso, Kant nos apresenta sua perspectiva inaugural do sublime. Ele ilumina o sublime como uma grandiosidade que transcende a compreensão limitada da mente humana. O filósofo sublinha o caráter dual dessa experiência, na qual a sensação de prazer se entrelaça com uma dose de desconcerto, uma ambiguidade que ecoa nas análises posteriores. Kant, nesse estágio inicial de suas investigações, delineia as linhas mestras da complexa interação entre o sujeito e o objeto diante do sublime, prefigurando os desdobramentos filosóficos profundos que viriam a seguir.

As “Observações sobre o Sentimento do Belo e do Sublime” representam uma etapa crucial no percurso intelectual de Kant. Elas não apenas estabelecem os alicerces de suas reflexões estéticas, mas também sinalizam a ambição intelectual que marcaria toda a sua trajetória filosófica. A exploração embrionária desses temas na juventude de Kant serve como um testemunho vivo de sua capacidade de vislumbrar as complexidades subjacentes à experiência estética, lançando as sementes que, mais tarde, floresceriam em seus escritos icônicos, como a “Crítica da Faculdade de Julgar”. Portanto, “Observações sobre o Sentimento do Belo e do Sublime” não é apenas um registro histórico, mas um precursor da profunda influência que Kant exerceria sobre a filosofia da arte e da apreciação estética.

Apoio divulgação científica: Samara Autopeças, Jornal Barbacena Online e SEAM – Serviços Ambientais.

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