Qualidade musical é tudo

Francisco Santana

A rua em que moro fica na área central da cidade de Barbacena e excelente para se viver. Não é arborizada, é limpa onde seus moradores cuidam dela como se cuidassem de suas casas. É comum ver pela manhã e noite senhoras, senhores ou crianças passearem com seus cães trazendo sempre às mãos uma sacolinha para colher os excrementos deles. Os vizinhos são amáveis, simpáticos, recíprocos sempre nos saudando com um Bom dia! Boa tarde! Tudo bem! Boa noite! O dia sempre começa com alegria e otimismo e termina da mesma forma. Nela há salões de beleza, advogados, médicos, clínica médica que vivem sem ostentações e esnobismos. A rua é pacata. Cada morador cuida de sua vida deixando que o outro cuide da dele. Há entre todos uma interação sadia. Não há brigas, desavenças nem tampouco poluições de todos os níveis. Há sim os latidos felizes dos cães e o cantar festivo de várias aves com as predominâncias das maritacas e dos canários da terra. Até tucanos costumam nos visitar.  Alegrias transbordam em cada ser.

Há dias um fato inusitado aconteceu nela. Numa casa bem perto da minha, há uma placa: “Vende-se”. Ela está lá há tempos. Para obter um lucro financeiro, ela foi alugada para funcionários de uma firma que presta serviços em Barbacena. Então, a casa se transformou numa república, onde alguns moradores não entenderam a filosofia de boa vizinhança.

Num final de semana ou melhor, num sábado eles resolveram fazer uma festa. Alguém estava aniversariando, pois entoarem várias vezes o tradicional “Parabéns para você”. Foi um entra e sai frenético à casa. Uber chegando e saindo, motos chegando e saindo, taxis chegando e saindo, mulheres chegando e não saindo, crianças correndo na rua falando palavrões impublicáveis. O relógio marcava, 20h, 21h, 22h, 23h. meia noite, uma da manhã e até que a polícia chegou.

Um policial veio ao encontro de um morador de nossa rua que o chamara e dialogaram por longos minutos.

– Foi o senhor que ligou para nossa central?

– Sim! Liguei porque o silêncio dessa nossa pacata e ordeira rua está sendo desrespeitado. Já estamos vivendo a manhã de domingo e o barulho não para, é gente saindo e chegando e parece não ter hora para acabar.

– O senhor reclamou do barulho, do entra e sai das pessoas à residência, dos palavrões proferidos pelas crianças, das buzinadas dos motoqueiros, das batidas das portas dos carros e etc.

– Na verdade as buzinadas não me incomodaram, pois taxistas e motoboys precisam trabalhar; as brincadeiras das crianças não me incomodaram, é o momento delas se divertirem; os palavrões proferidos é produto do meio que elas vivem (casas, ruas, escola). A convivência é assustadora.  Se falam alto e dão gargalhadas, é porque estão festejando o aniversário de alguém e a bebida alcoólica é o combustível dessa alegria. Nada contra essa alegria exacerbada.

O policial riu e lhe perguntou:

– Então, não entendi o motivo de sua reclamação. O senhor ligou para nossa central e agora me diz que não tem nada a reclamar sobre essa festança fora de hora?

– Policial, o senhor não entendeu o teor da minha reclamação. Eu vou tentar lhe explicar. Ela se baseia sobre a poluição sonora.

– O senhor quer dizer som alto? Volume alto?

– Não em absoluto! A minha reclamação é contra as MÚSICAS que eles estão tocando e tentando cantar. Não dá para ouvir a Ludmila, Pablo Vitar, Anita e até o Manoel Gomes (caneta azul) numa madrugada fria e congelante. Somado a tudo isso eles cantavam desentoados, uma ofensa    à música de boa qualidade e aos nossos ouvidos tão habituados a ouvir belas canções. A boa música, “Traz uma sensação de harmonia para o nosso organismo. Ou, em outros casos, de canções menos melodiosas, traz uma sensação de novidade, um desafio à interpretação”, afirma o psiquiatra Maurício Viotti, que ensina musicoterapia na Faculdade de Medicina da UFMG.  Entendeu a minha reclamação agora?

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