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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Psicose 2 em Juiz de Fora

    Por Francisco de Santana

    Quem ainda não assistiu ao filme “Psicose”, dirigido por Alfred Hitchcock, não sabe o que é morrer de medo. É tanto suspense que todos se lembram da cena do banheiro: uma loira, um chuveiro ligado, uma faca e uma música aterrorizante. O compositor da trilha sonora se chama Bernard Herman e a música “O assassinato”, sugestivo e apropriado. A sinopse do filme é mais ou menos assim:  

    “Marion Crane (Janet Leigh) é uma secretária que rouba 40 mil dólares da imobiliária onde trabalha para se casar e começar uma nova vida. Durante a fuga de carro, ela enfrenta uma forte tempestade, erra o caminho e chega em um velho hotel. O estabelecimento é administrado por um sujeito atencioso chamado Norman Bates (Anthony Perkins), que nutre um forte respeito e temor por sua mãe. Marion decide passar a noite no local, sem saber o perigo que a cerca”.

    Horripilante, né! Se prepare porque vou lhes apresentar agora “Psicose 2 em Juiz de Fora” vivido por mim e meus filhos. Foi uma aventura inesquecível cheia de suspense e um pouco de terror. Vamos à história. 

    Janeiro de 1996, Barbacena amanheceu com tempo bom. Antes de viajarmos para Juiz de Fora, passamos numa banca de jornal e adquirimos um exemplar do “Tribuna de Minas”. No carro, estávamos eu, meus filhos Alexandre, Ana Carolina e uma colega da família, Daniela. A felicidade reinava no ambiente, pois minha filha passara no vestibular da Universidade Federal de Juiz de Fora para cursar Comunicação Social – Jornalismo. O nosso intuito era procurar um apartamento para Carol fixar residência. Abri o jornal e fui direto à seção de classificados e assinalei com a caneta alguns imóveis para visitarmos. Os classificados nos levaram a uma imobiliária situada na Rua Halfeld, onde fomos bem recebidos. Bom prenúncio. O proprietário nos entregou as chaves de três imóveis para visitarmos. Um, em particular, chamou a nossa atenção.  

    Ele se situava na Avenida Barão do Rio Branco, início da nossa aventura. Quando lá chegamos tive a nítida impressão que estávamos diante do imóvel usado por Alfred Hitchcock (Bates Motel) para filmar “Psicose”. Depois de muitos risos e exclamações pensamos: as aparências costumam nos enganar. Tomara que estejamos enganados. Será? Subimos muitos degraus mal cuidados até chegarmos ao terceiro andar, apartamento 302. Ao giramos a chave na maçaneta para abrimos a porta principal, ouvimos um barulho, a maçaneta interna caíra, deixando o imóvel totalmente escancarado. Levamos alguns minutos para repô-la no seu devido lugar. Tudo isso sob risos e gargalhadas. A sala estava bem suja, os condutores elétricos estavam soltos e algumas janelas emperradas pelo desuso. A pia da cozinha estava quebrada, não tinha torneira, apenas um cano e faltavam tampões nos ralos. Pensamos juntos: assim não dá!  

    Quanta precariedade no imóvel! De repente gritei: cadê o Alexandre? Ouvimos uma voz bem risonha: “Pai, estou aqui preso no banheiro! Inseri a chave e ao girá-la ela se quebrou lá dentro!” A cena de suspense preocupou-nos. Fizemos tudo que podíamos para libertá-lo daquela situação preocupante. Resolvi pedir ajuda em dois apartamentos vizinhos. Eu queria ou gostaria que alguém me emprestasse um alicate, chave de fenda, pedaço de ferro ou arame. Diante das recepções eu me senti um marginal, excluído, intruso, malandro ou bandido. Que falta de solidariedade! Um depois de ouvir a narração da história, fechou a porta na minha cara. O outro, desconfiado por falar com a porta entreaberta, me disse que eu deveria chamar o Corpo de Bombeiros, que ficava logo ali. Voltei ao apartamento 302 chateado e percebi que meu filho ainda estava preso, mas rindo muito. Minha aflição aumentava na proporção que o tempo ia passando. Pensei e agi rapidamente. Pedi a ele que se afastasse da porta. Como nos bons filmes de ação, me joguei contra a porta. Ela caiu violentamente sobre o vaso sanitário que estava solto e pelo buraco do chão saíam e passeavam livremente algumas baratas gigantes de barriga branca. Cena grotesca. Gritinhos das meninas foram ouvidos. Eu me transformei num herói por libertar meu filho e tive alguns minutos de fama. Tentamos colocar algumas coisas destruídas no lugar e saímos dali para não abalar a estrutura do prédio e retornamos à imobiliária. 

    No caminho, fiz um exame de consciência: devemos ou não relatar esses fatos à imobiliária. Como não sou bandido, relatei tudo. Eu estava disposto a arcar com os estragos. Causou-nos estranheza a atitude dele. Primeiramente ele sorriu, depois gargalhou e nos disse: “Todos que visitaram este imóvel tiveram uma história para contar. Cada uma mais engraçada que a outra. A de vocês foi a que mais me divertiu. Vou comunicar este fato ao proprietário, colocá-lo à par da situação do imóvel e lhe dizer para pagar um valor justo para quem quiser morar lá”. 

    A primeira missão foi cumprida. Próximo endereço? Rua Padre Café.

    (Fonte: Internet/sinopse do filme  Psicose 2).