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  • Por que os polvos mudam de cor enquanto dormem?

    Por Vitória Oliveira, licenciada em Ciências Biológicas e membro do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IF Barbacena, sob orientação do professor Delton Mendes Francelino, coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana, do IF Barbacena.

    Muitos de vocês devem se lembrar do Polvo profeta, chamado carinhosamente de Paul, que fazia previsões na Copa do Mundo de 2010. O invertebrado molusco, pertencente a ordem dos Cephalapodes (a mesma que a das lulas), ficou conhecido no mundo todo por acertar os resultados dos jogos do mundial, recebendo títulos e homenagens, mesmo após o fim das competições. Entretanto, engana-se você se pensa que Paul, era uma exceção dentro de sua espécie. Os polvos, tem seu comportamento amplamente estudado por apresentarem um sistema nervoso bastante complexo e são considerados, por muitos, como os invertebrados mais inteligentes do planeta.

    Além disso, os polvos apresentam diversas características peculiares como, a capacidade visual de distinguir a polarização das cores, de lançar um jato de tinta escura para proteger-se de predadores e podem também mudar de cor, de acordo com o substrato em que se encontram. Esta última característica está relacionada à presença de células especiais em sua pele, chamadas cromatóforos.

    Por possuírem a habilidade de mudar de cor, recentemente, os polvos voltaram a ganhar destaque nas redes sociais. Foram divulgados vídeos em que os animais promoviam um verdadeiro espetáculo de cores enquanto dormiam. Em busca por respostas, cientistas brasileiros da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, desenvolveram estudos que possibilitaram a descoberta de que o sono desses animais passa por dois estágios diferentes, bem semelhantes ao sono dos humanos.

    Segundo a pesquisa publicada na revista Science, o primeiro e mais longo estágio do sono dos polvos consiste em um “sono quieto”, momento no qual o animal se mantém estático, a pele pálida e as pupilas fechadas. O segundo estágio, chamado de “sono ativo”, quando há uma mudança dinâmica na cor e textura de sua pele, move os olhos e contrai as ventosas do corpo. A segunda fase destacada pelos cientistas, é análoga ao que chamamos de estágio de sono profundo ou REM comum em mamíferos, répteis e aves. Nesta etapa, os olhos se movimentam rapidamente, há alterações nas frequências respiratória e cardíaca e os sonhos vívidos acontecem.

    Considerando as similaridades entre as fases, REM e o estágio 2 do sono dos polvos, o estudo permite sugerir que os polvos podem realmente estar sonhando. Entretanto, é preciso ter cautela ao fazer tal afirmativa, visto que, caso sonhem não é muito provável que esses sonhos tenham enredos e sentidos simbólicos complexos como os nossos.

    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

    MEDEIROS, S. L. S.; PAIVA, M. M. M.; LOPES, P. H.; BLANCO, W.; LIMA, F. D.; OLIVEIRA, J. B. C.; MEDEIROS, I. G.; SEQUERA, E.B.; SOUZA, S.; LEITE, T.S.; RIBEIRO, S. Cyclic alternation of quiet and active sleep states in the Octopus. iScience, 102223, 2021. DOI: https://doi.org/10.1016/j.isci.2021.102223.

    Apoio divulgação científica: Samara Autopeças e Barbacena Online.