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Por que as plantas apresentam diferentes cores?

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Por Vitória Oliveira, licenciada em Ciências Biológicas e membro do Centro de Estudos em Ecologia Urbana, do IF Barbacena, sob orientação do professor Delton Mendes

Se iniciássemos este artigo pedindo que você desenhasse em um papel uma planta, muito provavelmente você reproduziria folhas verdes, com flores vermelhas ou amarelas. Entretanto, se caminhássemos em um fragmento de Mata Atlântica conservado, por exemplo, você poderia observar uma diversidade vegetal imensa, com pigmentações bastante variadas, muito além do que costumamos perceber (embora nossa cidade também esteja neste bioma!). Mas, o que faz as plantas terem cores tão diferentes? O que há nelas que torna isso possível?

Toda essa diversidade de colorações é resultado da presença de um grupo de moléculas chamadas pigmentos, que podem ser encontrados dentro das células vegetais (ou seja, nas plantas!), em organelas denominadas vacúolos e plastos (é como se fossem órgãos!). Você pode pensar que eles  são responsáveis apenas em dar cor às folhas, caules, flores e frutos e, assim, colorir os ambientes, entretanto, eles também desempenham funções ecológicas importantes e indispensáveis ao ecossistema e ao equilíbrio natural do planeta. A coloração é uma estratégia evolutiva das plantas e plantas com flores e é fundamental para que polinizadores e dispersores de sementes sejam atraídos (como abelhas, pássaros e até mesmo alguns pequenos mamíferos) garantindo, desse modo, a sobrevivência e dispersão das plantas. 

O pigmento mais abundante nas células vegetais é a clorofila, que provoca a pigmentação verde e é responsável pela captação e transformação da luz do Sol (energia luminosa) em energia química (o “alimento” das plantas). Sem as plantas, a maior parte dos seres vivos terrestres, inclusive você, não estariam aqui hoje! Além desse pigmento dos organismos vegetais, existem também o que chamamos de carotenóides, por sua vez, responsáveis pelos tons amarelo e alaranjado, como percebemos na cenoura. Outras moléculas que oferecem coloração são as antocianinas, que apresentam tonalidades variadas de vermelho, azul e tons arroxeados. Outra coisa interessante de se pensar é que, sendo as plantas seres vivos que não se movem, fica evidente que as mesmas precisaram aprimorar habilidades frente a condições ambientais adversas, como frio e sol intenso. Dessa maneira, sabemos que as antocianinas desempenham função importante na proteção contra os raios solares podendo, inclusive, mascarar a presença das clorofilas em condições de extrema luminosidade. Além disso, diversos cientistas destacam a função antioxidante desse pigmento, que pode ser benéfica inclusive para os consumidores de alimentos que os contém, como, por exemplo, a beterraba, beringela e diversas frutas

Viu? Esses são alguns dos pigmentos responsáveis pelas tonalidades diferentes em plantas. São moléculas que ficam minusculamente no interior dos corpos dos vegetais!  Todavia, não podemos deixar de dizer que para que nós vejamos essa multiplicidade de cores é preciso que nossos olhos consigam enxergar cores provenientes do espectro da luz do Sol que são refletidas pelas plantas. Isso mesmo! A luz do Sol tem várias cores (não é apenas amarela, basta lembrar do arco íris!) e aquelas que enxergamos são exatamente as que as plantas não absorvem, refletindo-as! Uma vez chegando aos nossos olhos, elas são captadas por estruturas complexas e transformam-se em informações!  Na verdade, isso serve para tudo o que vemos, não apenas plantas! Tal fato nos mostra o quão maravilhoso é o mundo que nos cerca e é mais uma prova de que todas as espécies evoluíram baseadas nos ambientes nos quais estão, num processo adaptativo de milhões de anos!

Apoio divulgação científica: Samara Autopeças e Barbacena Online

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