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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Por que as crianças não devem jogar jogos violentos?

    Neste período extenso de quarentena, nossas crianças e jovens têm sofrido muito com o isolamento social e a falta de rotina, o que inclui ir à escola, encontrar os amigos, fazer atividades físicas, etc. Sem previsão de retorno às atividades normais e já sem muito o que fazer, nossas crianças têm passado muito tempo em frente à TV, na Internet e em jogos nos celulares. Um perigo silencioso que pode trazer à tona alguns problemas relacionados a alterações do comportamento, ansiedade, agitação e até mesmo depressão.

    • Neste período de quarentena, os pais devem deixar livre o tempo de acesso das crianças aos jogos, Internet e TV?

    Sabemos também o quanto tem sido difícil gerenciar o tempo livre com a alta demanda de atenção que eles têm. Mas não podemos simplesmente deixá-los, o dia todo, diante das telas! A própria Sociedade Brasileira de Pediatria orienta sobre o tempo ideal que as crianças e adolescentes deveriam ter acesso às telas. Deveriam porque sabemos que esta não é a realidade da maioria das casas brasileiras. Permitimos o acesso irrestrito, salvo raríssimas exceções, porque desconhecemos os perigos que o excesso de estimulação provoca em nossos filhos. Sendo assim, as famílias não devem deixar as crianças e jovens com acesso irrestrito a tablet, celulares e computadores, sobretudo em jogos que incitam a violência. Precisamos nos lembrar de que eles estão em desenvolvimento e formação e que qualquer estímulo ruim pode prejudicar o curso normal da vida.

    • A quais danos as crianças podem estar expostas quando ficam excessivamente em jogos de violência?

    Uma pesquisa realizada e divulgada pela American Association of Psychology (APA) concluiu que jogos eletrônicos violentos podem estimular comportamentos agressivos. Os especialistas envolvidos na pesquisa analisaram uma série de estudos publicados entre 2005 e 2013, que mostram como o uso do aparelho pode afetar o comportamento infantil. A conclusão a que chegaram é que, embora os jogos não tenham sido relacionados à violência criminal ou a alterações neurológicas, eles podem, sim, aumentar comportamentos e pensamentos agressivos e também diminuir sentimentos de empatia, que é a nossa capacidade de nos colocar no lugar do outro. Além de aumentar a ansiedade, o excesso de contato com estímulos violentos pode levar as crianças a terem comportamentos agressivos com seus pais, familiares e outras pessoas. Como eles estão em formação e não possuem maturidade para discernir o que é certo e o que é errado, facilmente viram presas fáceis desse tipo de perigo. Além disso, esse tipo de jogo, que incita a violência, prejudica uma grande habilidade do ser humano que é aquela de se colocar no lugar do outro, de sensibilizar-se com situações que nos afetam enquanto humanos, deixando as crianças e adolescentes embotados emocionalmente, o que é muito sério e grave.

    • Só existem perigos no uso da tecnologia (tablets, celulares e videogames)?

    Claro que não! É claro que o uso saudável dessas tecnologias tem seus benefícios. O videogame trabalha o processamento visual e auditivo, a rapidez, a diferenciação de formas e de sons. É óbvio que, como tudo o que fazemos de forma repetitiva, isso reforça conexões em nosso cérebro, melhorando essas habilidades, tendo impacto, inclusive, na melhora do desempenho escolar das crianças, aprimorando sua habilidade de atenção e memória. Tudo o que é bem dosado e bem administrado traz benefícios! Só não podemos permitir o abandono a que nossas crianças e adolescentes têm sido submetidos, sob a desculpa de que não se há nada para fazer ou pelos pais estarem ocupados demais.

    • Como as famílias podem cuidar ainda mais de seus filhos neste período de quarentena?

    Crie horários para tudo em sua casa: alimentação, banho, ajudar nas tarefas da casa, conviver em família, estudar, acessar mídias e jogos e também ficar à toa, pois isso também é importante! No site da Sociedade Brasileira de Pediatria, os pais e responsáveis podem ter orientações sobre o tempo médio e recomendável para cada faixa etária.

    Essa geração é diferente das nossas. Não podemos privá-la. Mas também não podemos deixa-la sem rumo e orientação. Pais! Fiquem atentos à Saúde Mental de seus filhos! Não deixem que eles adoeçam dentro de suas próprias casas e debaixo de seus próprios olhos! Gerenciem todas essas questões com ponderação e também com amor! Quem ama, cuida!

    Especialista responsável: Valeska Magierek. Psicóloga (UFSJ), Neuropsicóloga (FUMEC), Mestre em Psicobiologia (UNIFESP). Experiência há mais de 20 anos na área de Psicologia Infantil e Neuropsicologia. Autora do livro infantil “A semente mágica”. Atualmente atende no Centro AMA de Desenvolvimento em Barbacena, é palestrante e professora em cursos de Pós- Graduação.